25 de novembro de 2002

Manuel António Pina

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas que me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no amor como em casa.


há quanto tempo não vou a casa... estrangeira nesta cidade de múltiplos abrigos, todos umbrais de portas, portões fechados, medo de roubos, seguranças com chaves seguras de cadeados grossos de medos. ..... um dia terei atenção aos caminhos que trilho por entre os prédios e encontrarei, por fim, a tua casa............