15 de março de 2003

j� tinha saudades disto...

do sol no c�u, um calor de ver�o, vir ver o mar, junto a uma banca de gelados e tripas e bolacha americana.
tinha saudades de voltar assim a casa.

voltei a escrever. voltei a olhar o meu reflexo no espelho.
por acaso, no fim de semana passado, fomos acordados c� em casa por um enorme estrondo, o c�o p�s-se a ladrar, arrancou os meus pais da cama.eu estava com dores de barriga, tive medo dos ladr�es ou coisa parecida, e ningu�m descobriu o que tinha acontecido. eu s� sabia que tinha sido no meu quarto e, por momentos, tive medo que aquele estrondo tivesse sido eu que tivesse morrido e n�o sabia ainda. mas doia-me a barriga, n�o podia ter sido isso...
n�o foi isso. acordei de manh�, realmente, ningu�m sabia ainda o que tinha sido. at� que olhei para o meu qarto e descobri: o espelho tinha caido no meio do ch�o. e n�o se tinha partido, estava intacto, como se algu�m o tivesse tirado e posto no ch�o, com a face que nos d� a imagem, virada para baixo. n�o se partiu... parece que n�o tenho sete anos de azar... tamb�m, s� me faltariam cumprir cinco para completar a senten�a...

mas n�o era nada disto que eu queria contar... o que eu queria contar era que voltei a escrever. escrevi tanto... e, ao olhar para o "arquivo" vi que, nem um poema por m�s fiz no ano que passou... pouca actividade, realmente, uma desaprendizagem daquilo que sou. mas voltei a escrever, a olhar o meu reflexo no espelho... nem que seja no espelho caido....


anabela, aqui est� o meu poema novo (sim, a pedido especial, que dizes que nunca l�s poemas meus...)

(Falei-te hoje)

Um retorno a mim mesma

Estou exausta
Como no fim de uma grande viagem
sem paragem no meio para descansar.
O corpo entorpecido
que volta agora a si.
Como se voltasse � casa da minha inf�ncia,
voltei.
N�o precisamos
N�o precisaremos de (voltar) a falar
sobre o que se passou.
Porque nada se passou.
Leio livros infinitos de um mesmo autor
que descreve
(linha sim-linha n�o)
a minha pouca vida contigo.
Compro artigos de papelaria.
Imensas folhas brancas pedindo.me
tinta e impress�es (digitais)
Talvez fa�a um retrato do
retorno a mim mesma...


eu sei que n�o � brilhante... mas n�o precisa de iluminar para eu gostar dele...
n�o sou nada brilhante...

dei comigo esta semana a ter saudades de pessoas...
por exemplo, de conversas informais em que parecemos estranhos ao exterior com as palavras...
pensar muito e falar contigo... um exerc�cio mental ao qual me dedico v�rias vezes, n�o tantas quantas as pretendidas, mas que ficam por dizer, na aus�ncia das tuas respostas...
deixa l�, tamb�m n�o poderias saber....


porque, simplesmente,


eu nunca to disse...

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