29 de maio de 2003

Ana Lu�sa Amaral - Poema que se desvia
O TEMPO DAS ESTRELAS

Um compasso de espera
t�o longo e musical
por estrelas destas
a tocar-me o rosto

E aprender a aceit�-las,
e eu ser um c�u imenso
onde elas se pudessem passear,
encontrar uma casa,
um pequeno sil�ncio
de folhas,
e poeiras, e cometas

Na desordem mais c�smica
das coisas,
organizar inteiro:
o cora��o


Porque, a tocar-me o rosto,
o tempo das estrelas
ser� sempre,
mesmo que tombem astros,
ou outras dimens�es se lancem
em vazio,
ou ra�zes de luz se precipitem
no nada mais at�nito

Ter� valido tudo
a desordem do sol,
ter� valido tudo
este lugar incandescente
e azul

Porque, a tocar-me o rosto,
agora,
e em sil�ncio t�o terreno:
para�so de fogo:
estas estrelas

Transportadas em luz
nas tuas m�os



era o tempo das estrelas que se vivia por aqui, o tempo da estrela que se desvia do poema...

come�ou a feira do livro do porto, edi��o de 2003.. homenageia, nesta edi��o agustina... � a maior de sempre e N�O conta com apoios financeiros por parte da c�mara municipal do porto...

confesso que, apesar deste ano a oferta ser maior, tenho saudades de deambular pelas imposs�veis avenidas do parque eduardo vii, com os seus stands de ver�o, a fazer lembrar os livros como gelados no pico do calor... de ver a ana maria magalh�es e a isabel al�ada (era pequenita, � l�gico que, na altura eram as minhas escritoras favoritas), de as procurar e pedir um aut�grafo... ver tantos livros quantos aqueles que gostaria de ler, de possuir para mim...

o porto, no entanto teve momentos inesquec�veis... como por exemplo, ouvir ant�nio "fganco" "alexandge" a "gecitar" poemas seus... (sim, o senhor troca os "rrrrr" por "gggg") ou a ad�lia lopes, o valter hugo-m�e, francisco jos� viegas, jorge reis-s�, jos� lu�s peixoto... ou sentir o teu corpo de encontro ao meu, no tempo das estrelas, quando era tempo da estrela que se desvia do poema, ouvindo

�Pudesse eu agora ingenuamente dizer �amo-te� e/ ser ouvido pelo ouvido humano da tua boca/ n�o como quem pede mas como quem traz /um desconhecido at� � mesa posta /para connosco celebrar a sa�da de egipto /voltaria a juventude de outrora /at� ao lume claro /do teu rosto; mas, desse lado da vida, v�s /somente a pele antiga que se dobra em rugas /e vai pelas ruas interrogando os passante /como um prov�rbio em l�nguas estrangeiras..."...

ou ouvindo uma qualquer outra coisa, seria o mesmo...


os meus cabelos eram ent�o bastante mais compridos....

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