24 de setembro de 2003

(re)ver-te através dos meus olhos....

António Franco Alexandre
in Fábula


"Agora vai ser assim: nunca mais te verei.
Esste facto simples, que todos me dizem ser simples, trivial,
e humano. como um destino orgânico e sensato,
fica em mim como um muro imóvel, um aspecto esquecido
e altivo de todas as coisas, de todas as palavras.
Sempre nos separaram as circunstâncias, e a essência
mesma dos dias
, quando entre a relva e a copa das árvores
me esquecia de pensar, e o ar passava
por mim antes de erguer os caules verdes e alimentar
a vida sem imagens de paisagem. Marcávamos férias
em meses diferentes. O fim do ano, a páscoa, calhavam sempre
em outros dias.
Tesouras surdas
rompiam o cordão dos telefones, e por engano
urgentes cartas atravessavam o plantea, apareciam
anos depois no arquivo municipal. E mais: a minha idade,
a tua, não poderiam nunca encontrar-se no mundo
.
(...)"



aquele dia específico. encostados, os nossos ombros eu dizendo-te o poema o mais próximo do ouvido possível... tão próximo quanto as conveniências o permitiam... e depois, o senhor deste poema a deslumbrar-me...

vê bem, era sobre o mundo que te queria hoje falar...