27 de novembro de 2003

(pensamento do dia)



gostava mesmo que aqui estivesses. a cinco minutos de minha casa. e me mostrasses o que farias se estivesses... a cinco minutos de minha casa.


nunca fui ao majestic e gostava muito de lá te levar.
numa noite em que fossemos romancear pelas ruas do porto. ou tarde. ou manhã, ou dia inteiro. whatever...


e o teu corpo não escapará à objectiva da máquina que não tenho...

25 de novembro de 2003




o andré tem no blog dele esta fotografia do al berto. de quem eu gosto muito muito.


muito muito, assim como quando acordamos no inverno e está sol fora da janela.


muito muito como quando chegamos a casa e a lareira está acesa e toda a casa tem aquele brilho especial.


muito muito como quando vagueio pelas desertas ruas do porto nocturno.


muito muito como quando encontramos uma flor seca no bolso do casaco que já não vestíamos desde o verão passado.


muito muito como quando encontramos fotografias das últimas férias, aquelas que jurámos serem as melhores até hoje...




gosto muito muito do al berto por razões intrínsecas e tenho muita muita pena que ele tenha morrido antes que eu lhe pudesse mostrar um segredo que trago sempre nos bolsos...




gosto muito muito do al berto. e pronto. era disso que eu hoje queria falar.

20 de novembro de 2003




há coisas que sabemos intrinsecamente. e há coisas que nem intrínsecamente admitimos em voz alta.
infelizmente para nós (digo eu), cometi o erro (será?) de dizer em voz alta aquilo que sabíamos. intrínsecamente.



e a maior razão pela qual me entristeço, para além da tua partida, para além das tuas palavras que cortam por baixo da pele - derramamentos internos que não estancam com os primeiros raios de sol - são as minhas dores - traumatismos internos, interiores - que me causam maiores dores... 


é como se diz "the first cut is the deepest". e tenho pensado tanto na tua história cada vez que ouço esta frase musicada.
e tenho pensado no esforço a que te tens submetido para gostares (mais) de mim...


não vale a pena: tenho apenas estofo para ser a amiga de que precisas. não a amante.
nem a tua e, parece-me, nem a de ninguém...



há coisas que não se deveriam dizer...
'been sad... too sad to write.

14 de novembro de 2003

as imagens fugiram das páginas do meu livro...



agora urge a forma de te fazer chegar este recado (antigo) que vai a sofrer de incêndios

13 de novembro de 2003

há coisas que nunca se dizem. há palavras que não se devem proferir em caso algum. por muita sinceridade e por muitas verdades que encerrem...
há palavras que nos ferem (tantas vezes mortalmente).



e há coisas que se desculpam.
mas que nunca se esquecem. ficam. ficam sempre.
no lugar mais remoto da memória. aquele lugar ao qual só temos acesso quando essas mesmas palavras nos ferem no escuro que há do lado de dentro dos olhos.


por isso defendo o pudor das palavras.


abaixo a promiscuidade de que tudo deve ser dito e confessado.

12 de novembro de 2003

pela primeira vez na minha vida tomei 1/4 de um calmante. coisa fraquinha, garantiram-me. espero que sim. aliás, penso que sim porque ainda tou com os níveis de ansiedade alterados, apesar de estar mais tranquila.



pequeno apontamento:
tinha-me já esquecido da tua doçura. relembrei-me quando casualmente fazia limpezas... há fragilidades que esquecemos tão facilmente...

11 de novembro de 2003

não gosto


não gosto de me enervar.
não gosto de ter razão e de ma negarem.
não gosto de ser agredida. especialmente verbalmente.
não gosto que me tratem como uma criança de dois anos.
não gosto que me tratem como um ser inferior.


não gostei do fim deste dia que começou tão bem disposto.



não gostei. não gostei. não gostei.


ainda não aprendi os palavrões todos que me permitiriam chamar as coisas pelos nomes esta noite.


estou zangada. furiosa. completamente fora de mim. enervada.



10 de novembro de 2003

macio, muito macio teu peito desnudo. teu cabelo desalinhado.



acordar-te com um sorriso...
doem-me as costas.




ouvi-te toda a noite. falaste sobre a tua familia, o que me comoveu sobremaneira. e todo o teu carinho, as tuas fragilidades afloraram nos teus lábios. tal como quando dormes num abandono de ti. nesse mesmo abandono a que te votas quando fechas os olhos...

acordei cedo. muito cedo e sei-te ainda a dormir... percorri as ruas que me levam a minha casa e pensei no quão bom seria se tu me esperasses. mas agora não pode ser e eu sei. sei sei sei.


não sei fazer jogos e não quero.


aliás, já te disse o queria de ti.

8 de novembro de 2003

"nothing is as beautiful as when she believes... in me"


nova resolução: agora só tiro álbuns inteiros e não músicas avulso.

na ntv (mais conhecida por ninguém te vê) correu tudo bem, ou assim julgo... ainda não tive a oportunidade de (me) ver... o joão portou-se muito bem, apesar de estar nervoso. bom, eu também estava mas tava a dar uma de "cool and relaxed". bom, mas ele é que é o director do up, logo, era natural estar mais nervoso.


de acordo com a nova resolução, tirei "diamonds on the inside" do ben harper... e tou a gostar desta nova resolução... o quanto perdemos por nos limitarmos às hit songs... não que eu já não soubesse disso e partilhasse essa mesma ideia...


nada é mais bonito que quando acreditas em mim... pena é não acreditares nunca...

6 de novembro de 2003



tuas mãos no regaço... palavras que ficam sempre por dizer...
ontem: manif em lisboa. muita gente, muitas declarações que fazem sorrir de ironia...


hoje: reportagem para fazer, acordar cedo (novamente)

ainda não vi nenhuma imagem hoje que me faça acordar realmente. ontem estive deitada no chão do terreiro do paço. encontros imediatos que fazem pensar no decurso das coisas apenas se o "se" fosse diferente... palavras tantas que desnudam a natureza humana... há dias em que as pessoas não me apetecem.

hoje tenho saudades de calor humano.

4 de novembro de 2003




há cores que mexem comigo. o vermelho, por exemplo... e há as folhas das árvores, aquelas que não caem no outono, apesar do tempo estar mais frio e convide ao aconchego.


trabalho à minha espera, como quem ansiasse a minha presença permanente.


tenho um mês para escrever sobre o Porto, tenho um mês para ver a liberdade. datas impostas, organização simbólica do tempo no espaço.

by nan goldin





há imagens que me ficam na retina, sem que tenha onde as passar para o papel, a viagem que faço até ti, as imagens que passam por mim na janela, o teu olhar, a curva do teu pescoço e das tuas pernas, o subtil contorno do teu corpo...

tenho pensado em ir para longe, para muito longe...



os meus olhos estão bem, recuperação em boa forma, visão raio-x... uma beleza... agora só para o ano...

3 de novembro de 2003




Porto Sentido
Carlos Tê / Rui Veloso


Quem vem e atravessa o rio
Junto à serra do pilar
Vê um velho casario
Que se estende até ao mar


Quem te vê ao vir da ponte
És cascata sanjoanina
Erigida sobre um monte
No meio da neblina


Por ruelas e calçadas
Da ribeira até à foz
Por pedras sujas e gastas
E lampiões tristes e sós


Esse teu ar grave e sério
Num rosto de cantaria
Que nos oculta o mistério
Dessa luz bela e sombria


Ver-te assim abandonado
Nesse timbre pardacento
Nesse teu jeito fechado
De quem moi um sentimento


E é sempre a primeira vez
Em cada regresso a casa
Rever-te nessa altivez
De milhafre ferido na asa




se me viesses ver... se atravessasses o rio e me viesses ver, mostrava-te os clérigos e as ruas estreitas da ribeira... mostrava-te o rio e o verde desta cidade. mostrava-te as casas tristes de ausências e como o porto pode ser bonito. se me viesses ver... se me viesses ver far-me-ias sorrir na minha cidade.