27 de dezembro de 2004

enquanto aqui estou, sentada à frente do computador, nesta noite tão, tão fria, ouvindo o "Clare de Lune", do Debussy, pegando no meu moleskine e lendo as palavras miudinhas que nele escrevi;
enquanto aqui estou, pensando em ti, e em como gostaria de ouvir a tua voz, neste exacto momento, em que o telefone poderia tocar, um fax chegar ou até uma mensagem aparecer no visor do telemóvel, enquanto aqui estou, no centro de todo o centro comunicacional da casa, nunca me senti tão periférica, afastada de tudo o que é comunicação.

enquanto aqui estou, enquanto não saio de casa para ver a minha "sobrinha", de quatro meses (que diz "ah" sem saber que diz "ah" e que "ah" pode ser mil palavras, mil sugestões; que nem minha sobrinha verdadeira é), passo em revista as palavras escritas no meu moleskine. e creio incrível que o tenha escrito numa só noite de insónia.

creio incrível a quantidade de gente que saíu de casa hoje para ir às compras, creio incrível como é que ninguém está em casa por estes dias... e como o ano passou tão depressa.

e como tu chegaste a casa tão depressa...

18 de dezembro de 2004

hoje ouço...


"the sadest songs are the happiest
the hardest truths are the easiest

put yourself to the test and tell me if you still need me"
e é esta a banda sonora do meu dia...

17 de dezembro de 2004

e porque o telefone não pára...

o meu telefone tem sido, nos últimos tempos, uma verdadeira central telefónica.

quer dizer, com verdadeira justiça, há que dizer, com verdade, daquela verdadinha, que tanto tem estado imparável, como num frenesim que só visto.

mensagens, telefonemas e erros de sistema (que me fazem ir à falência!)
como é que um objecto tão pequeno nos transfigura a vida. a .j. dizia que, desde que tem telemóvel, já não é feliz, mas eu sei, e ela também sabe, que as coisas não são, de todo, assim...

de qualquer forma, e voltando ao meu telemóvel... mensagens vindas de perto, de longe, dos confins do tempo, telefonemas de quem já não se vê há muito. tudo muito espontâneo. e eu gosto disso. de ouvir o telemóvel tocar, olhar o visor e surpreender-me com a origem de quem me liga, de quem me procura, de quem se lembrou por mim...




de quem se lembrou de mim, fui eu própria ontem à noite (por falar em lembrar...). e peguei no quarto em chamas... e apeteceu-me queimá-lo.

as coisas tornam-se agora mais reais e palpáveis... mais etéreas e importantes.

um novo livro se insurge e batalha pelo seu próprio lugar. morte às chamas.
incendiemos agora uma nova cidadela.

14 de dezembro de 2004

11 de dezembro de 2004

preciso das tuas mãos.

afastando-me o cabelo da cara. a sentir nas costas o roçar da tua pele.


"agora já está"
como eu costumava dizer quando ainda era tão pequena que ainda cabia dentro dum bolso (eu nunca coube num bolso. só nos meus bolsos cabem mãos, ainda que não as minhas)
e às vezes (mas só às vezes) encontram-se segredos nos bolsos das calças. como esta manhã, nos bolsos de trás das minhas calças (eu uso saia, mas não tantas vezes quanto gostaria...).

estes dois dias, o coração a bater forte no peito, enquanto falávamos no comboio. fotografias e brincadeiras com uma lomo velhinha (será que as fotos vão sair?)


ganchos em forma de boneca..


quem precisa agora de uns ganchos sou eu!

cortei o cabelo... o meu cabelo que, pela primeira vez na minha vida, estava longo longo longo longo e eu gostava!

mas cansei-me e quis cortar. cortar um bocadinho, para que ele ficasse um bocadinho diferente. comprido mas diferente... e o resultado...



pareço o gajo dos europe! sim, quem não se lembra do mitico "final countdown"!
dos penteados à anos 70/80 do rock, punk! bah! sei lá! pareço uma punk arrocalhada...
pareço deslocada no tempo...


eu quero o meu cabelo de volta...

8 de dezembro de 2004

rodopio em mim própria.

com o ano a acabar.
acabo de me aperceber como há coisas que se deixam para nunca acontecerem mais. e como o passado não se repete a si mesmo. melhora-se.

2 de dezembro de 2004

Here I am
still walking down

não sei mais a
forma de te chegar lume
não sei mais a forma
de te mostrar a
cor deste rio que
não é verde
como o teu

Acabámos sempre aqui.
Por mais países
para onde fujas
acabamos sempre aqui.
a dizer coisas fora de tempo
a querer histórias fora de ritmo

Aqui estou
por mais países
para onde fuja.
não sei mais a forma
de te dizer.
Acabamos sempre aqui.
De volta da mesma chave
sem nunca lhe tocar.

tenho um moleskine. aonde aponto os poucos pensamentos que me têm ocorrido. como o Van Gogh ou o Matisse.



longe de mim querer comparar-me a eles... até porque o meu jeito para pintar e desenhar é nulo.

mas tenho um moleskine. que cabe em qualquer bolso das calças. que percorreu comigo toda a europa e todo o verão.
aonde acabo por riscalhar tudo o que me vem à cabeça...
agora só faltam as palavras.

25 de novembro de 2004

a .j. diz que vai pró frio. pra outro mundo, a primeira democracia europeia a dar voto às mulheres. a segunda no mundo!

e eu vou ter saudades dela e das fotos e das conversas e dos chocolates quentes em dias de chuva e muito frio. e os chás à tarde e a malandrice dos trabalhos por fazer...

e eu vou querer um email todos os dias (todos mesmo!)






e não notícias de mês a mês, contactos mensais que mantenham um ténue vínculo...
um docinho de mês a mês...
pequenas coisas que ficam.
como as cartas no fundo da gaveta, fotografias (des)coloridas ao fim de tanto tempo...

18 de novembro de 2004

fiquei agora a saber, devido ao site, agência financeira, que Portugal é o 19.º melhor país do mundo, para se viver...

apesar de tudo!

e de toda a gente que proclama este país como mau, que o propagandeia como um lugar horrível e do qual se deve fugir...

deito a língua de fora a essa gente e continuo aqui. a percorrer os caminhos que me levam de ponta a ponta desta país que eu amo...

(tá-me a dar um acesso de invulgar patriotismo)

14 de novembro de 2004

terá sido muita loucura ter comprado um puzzle de 3000 peças com uma reprodução do "guernica"???
("why did you loved me in the first place?")

é inevitável pensar em ti sem pensar nos chupa chups. e nos kinder, e em picanha, e em alcool, e... no guincho. e em comboios...

às vezes, quando os dias param um pouco, naquela hora mágica em que o sol faz um barulho fervilhante ao mergulhar no mar, apetece-me trocar de sabor...

12 de novembro de 2004


talvez sair daqui. desta casa. que é demasiado grande, aonde o frio se instala para ficar.
talvez sair daqui. desta terra. que tem demasiada água por entre os braços de terra. ria e mar, aonde os barcos não atracam para ficar.

qualquer coisa. outra cidade, outro hemisfério. outro tipo de frio. outro tipo de calor.
aprender a cantar, aprender a pintar, aprender a fotografar, aprender a escrever.
cumprir objectivos trimestrais. como se fosse uma empresa. uma grande máquina, bem oleada.
rodas dentadas, passadeiras, ou o que quer que seja que as máquinas tenham no seu interior...


isto é o que eu lembro mais.
que devia ser tempo de frio. mas não havia frio. havia mais gente, que os nomes já esqueci.
havia o teu sorriso. o teu sorriso. o teu sorriso. num grito, havia o teu sorriso.

qualquer coisa. outra mão, outro corpo. outro tipo de imagem, outro tipo de toque.


outro tipo de sabor.

10 de novembro de 2004

já estou de volta ao quotidiano... curada e pronta para outra.

não espero o teu telefonema. o teu nome é apenas um nome entre tantos na lista telefónica. não espero ouvir de ti tão cedo, agora que te ocupaste com minucidades do dia-a-dia e te lembraste que eu (ainda) não passo perto da tua rua, quando saio de casa.

doem-me os olhos por ter adormecido tão tarde (cinco e meia!) doem-me os olhos por ter acordado tão cedo... e parece-me que dormi uma noite de doze horas.

4 de novembro de 2004

apetece-me falar-te baixinho, sussurrar-te ao ouvido e que tu ouças tudo, tudo compreendas. sem que eu precise de o repetir à exaustão.
(this isn't the place and isn't the time*)


lenços de papel à minha volta. amachucados pela repentina doença de inverno.


apetece-me falar-te baixinho, como falo quando tu dormes a meu lado. falar-te como falo para dentro de mim, contar-te histórias que só se passam cá dentro. contar-te imagens que tenho pendentes no olhar, mesmo que me sento à frente do computador para trabalhar, quando leio um jornal, quando me sento junto ao mar. apesar de, nesses momentos, não te ter comigo (que a companhia faz muito os lugares).

apetece-me falar-te baixinho. em português, em inglês, juntar palavras em francês, em alemão... dizer-te ni hau (que é a única coisa que a .j. me ensina em chinês). continuar mensagens com duas ou três semanas de antiguidade, continuar frases com um ou dois meses de atraso.

apetece-me encontrar-te por acaso para te poder falar baixinho, olhos nos olhos, forçando-te a chegar o teu corpo ao meu, procurando o correcto sentido das palavras.

o teu joelho a tocar o meu.


*- over the rhine, "when i go"
ok, tou doente. mas doente mesmo. a sentir-me mal como nunca me senti.

"sou pequenina e caio ao chão", como dirias tu numa oração nocturna. é isso que me apetece dizer porque o mundo anda às voltas na minha cabeça.
je suis malade, diria eu, se não tivesse faltado à aula de francês...
descrever sintomas ao telefone, o médico a dizer o que eu já sabia... virose. nada de agressivo para o estômago, cházinho, papas e cama. pouco frio (só se me emprestares os teus agasalhos para eu dormir, o teu corpo para vestir) e muita alienação em casa, sem nada de concreto para fazer.

quando me dói a cabeça por tudo, quando não posso visitar a minha sobrinha, quando nem sequer me deixam ir à praia, que hei-de fazer? sou uma péssima doente. detestarias ter-me em tua casa nestes dias. acredita. n poder andar pela rua ao frio e à chuva, dá comigo em doida.
estou doente. se apanho quem me contagiou, mato-o!

31 de outubro de 2004

claro que me vou esquecer disto. como me vou esquecer, novamente, da cor dos teus olhos (é mentira. desta vez olhei bem para eles e repeti para mim mesma "castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, castanhos, ")

mas vou-me esquecer disto. como me esqueço de coisas que escrevo e reencontro, meses mais tarde, no fundo das gavetas, entre papéis sem nenhuma importância, recibos e apontamentos de aulas que também não lembro. mas claro que me vou esquecer disto. disto e de muitas mais coisas que escreveste.

porque às vezes, escreves mais que aquilo que queres. escreves demasiado cedo, o que ainda não é para se dizer.

não esqueço mais a cor dos teus olhos. prometo.

28 de outubro de 2004

é como a história do principezinho e da raposa... (um dos clássicos!) preparo o meu coração para as duas e meia da manhã de terça-feira. ou de quarta, ou qulquer que seja o dia útil de tua vontade, para me ligares.

construo mensagens que escrevo em post-its e espalho pelo quarto. esfrego os olhos de cansaço.
visito esplanadas habitadas pelo sol de fim-de-semana, pelo ócio do jornal e de um café. o mar ao lado. dunas reconstruídas pelas mãos dos homens. e tu de pernas cruzadas, a explicares-me porque é que as intimidades são assim. tão simples como uma troca de sabores.

22 de outubro de 2004

azure ray
ACROSS THE OCEAN

now i've travelled across the ocean
with the same shoes just longer hair
(...)
just give me some kind of sign
is this the right place
or the right time





doem-me os olhos. cansada. não me lembro da última vez que adormeci no torpor da viagem até casa. mas cheguei. cheguei apesar de não saber se é este o local ou o tempo certo para chegar.
passo pelos dias adormecida. arrastando-me pelas ruas, ao sabor do vento dos últimos dias, da chuva que só parou estes dois últimos dias.

emprestei os meus cds das azure ray... já me faziam faltas as suas vozes etéreas. não sei que música delas te mostrar. porque quase todas são de ir às lágrimas.

se adivinhasses aonde vou passar este fim de semana, poderias visitar o quarto em chamas...




mais fotos deste amigo, aqui


mas há pegadas que só a areia consegue guardar...

15 de outubro de 2004

quero emails que não de uma tal "Citinha", cheios de publicidade e da "HCP.hugocorreiaproducoes", cheios de vírus...

quero um email teu. mas isso não era pra dizer aqui...

14 de outubro de 2004

música de fundo azure ray - burn & shiver - 01 - Your Weak Hands

por vezes apetecia-me violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que os fechasses com força. com a força com que me abraças o corpo. com um só braço. prendendo-me a respiração.

o nevoeiro na estrada. o caminho sinuoso. alta velocidade a 120 km/h (só?)
novas tecnologias. imagens em movimento.

quero encontrar-te casualmente. numa esplanada cheia de luz
trocar algumas, breves palavras. perguntar-te se me achas diferente de há cinco minutos atrás. acompanhar-te a casa. violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que me abraçasses como me abraças. com um braço só. prendendo-me a respiração.





"i never expected you to love me,
the way i loved you"
azure ray - burns & shivers - trees keep growing


2 de outubro de 2004

i don't touch you the way i used to

but listen and think when i
say

who makes you feel the way i make you feel?



coisas do dia a dia.
como o acordar com o quarto cheio de música. melodia que se infiltra primeiramente nos músculos, depois no sorriso e, finalmente, nas pálpebras.
apertos no coração como se um fino cordel a ele se atasse e, ocasionalmente (no compasso do pensamento de ti), se apertasse ao coração como se dele dependesse.

deverias parar um pouco e ouvir o que tenho para te dizer. ver os filmes que listei para te mostrar e ouvir, ao nascer do dia, as músicas que escolhi. ainda que sejam muito longas (mais de 4 minutos cada!), ainda que já as conheças de cor, como se o teu e o meu dia fossem iguais.

coisas do dia a dia
parar para ver uma borboleta morrer na borda do passeio.


foto da .j.


30 de setembro de 2004

e assim se passam os meus dias...

we're a bit frengers, like the others would say... not quite friends but not quite strangers...

encho os meus dias de música. playlists que escolho a dedo, cuidadosamente ao longo do dia.

não pensando bem no assunto, somos frengers... agora que penso pouco no assunto...



There're no words to say
No words to convey
This feeling inside I have for you
(...)
Look at me losing control
Thinking I had a hold
But with feelings this strong
I'm no longer the master
Of my emotions

24 de setembro de 2004

speechless_ on air...

amanhã (25 de Set.),
a partir das 22h em 105 FM (região de Aveiro)
ou em emissão online, em http://www.terranova.pt

23 de setembro de 2004

diz-me quem és tu de novo...

para que eu possa perceber... como podes tu ainda levar-me ao deslumbre do que existe. como podes tu rasgar as janelas por onde entra a luz que me é vital à sobrevivência.

diz-me quem és tu de novo

para que eu possa perceber porque procuras a minha mão quando caminhas ao meu lado na rua.

diz-me quem és tu de novo

para que eu o possa recordar, nunca o possa esquecer, para que as janelas nunca se fechem... para que o meu olhar não se desvie mais do que tu és, quem és tu? quem és tu de novo?

que sabes tu que eu ainda não saiba? e porque o ignoras se o sabes, como eu sei quem és tu. de novo.

20 de setembro de 2004

de volta...

de volta à rotina do "não fazer nada".

reencontrar todas as caras que preenchem, desde há três anos, os meus dias... caras que gravo na memória, como numa fotografia inalterável.

perder-me, diluir-me neste calor de fim de verão.

encontrar-te.


"i bet you're hard to get over"

16 de setembro de 2004

Deixa-me só seguir o rumo de outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o
que nos ata
Nos pode prender

Porque há sempre
Uma maneira de
recomeçar

O que se quiser






foto por Ye Rin Mok. mais fotos, aqui

12 de setembro de 2004

estou apática...

não sinto nada.
nem o múrmúrio do frio nem os gritos de sol por entre os rasgos de nuvens.

espero que voltes.

que o tempo volte atrás e eu me encontre sentada, no fim do dia, em frente a uma janela que me deixa voar. a música pela sala, uma voz cálida que me enche a noite e a madrugada.

conhecer-te.

falar contigo à janela, olhando o mar e a lua cheia por cima dele. dizer-te que, o que precisas é de cá vir, olhar o que eu estou a olhar. e chegares. e não ver mais que os teus olhos. mão no joelho.

reconhecer-te.

9 de setembro de 2004

os teus dedos entrançados nos meus pensamentos

dias que já passaram... manhãs bem cedo. neblina matinal.

apertar-te. segurar-te com estas duas mãos, com estes dois braços, com este corpo. apertar-te assim, com o olhar à flor da pele... a boca pedindo água e calor, e suor e sentidos. o que é nosso e de mais ninguém. isto tudo, assim tão sentido, tão estranhamente sentido.

e não há nada que me pertença que não tenhas.

se tu sabes, se eu sei...

qual é o passo à frente?
tipo, muito à frente...



mais fotos, aqui
há sempre uma maneira de recomeçar
... se se quiser...

29 de agosto de 2004

tudo isto...
tudo isto é muito mais que aquilo que eu algum dia pensei dizer...

28 de agosto de 2004

eis a razão...
eis o regresso à condição.



foto de manuel luis cochofel. mais fotos, aqui

quando falo de lugares cidades países
não são viagens não são imagens para ter à sobremesa ou vestidas de cão
à hora de fugir no saco com gavetas incerto voante por Sintra
de nada servirá sentares-te ao espelho no meio de tanto gado e porcelanas
sorridente amável satanás de província
abres os olhos sobre os teus olhos intemerato pensa-dor
e as coisas ardem por dentro alheias à tua memória
a terra imóvel apesar de toda a árdua astronomia E eis senão quando

as carruagens apressam o passo para o cais
cavalos pesarosos com coloridas grinaldas militares É altura de exclamares avidamente Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo! Como quem engole lorenine
antes da neve pedra cair por dentro como um coágulo de vozes
um pássaro cai na água adormecido por um tiro arriscando-se a uma morte prematura a cada passo tropeço em ti E este é um poema de amor encomendado de véspera embrulho-me nele acordo com a tua boca húmida nos cabelos
não direi que te amo
António Franco Alexandre

26 de agosto de 2004

I wonder if i ever let you down
did you keep on moving
I wonder, when i took my feet from off your ground
did you keep on going

If you ever need me, just remember
all the times when we wandered free
If you ever miss me, don't you know
that i feel the same way


Don't you know every sould must grow older
but our past belongs to you
and it should make you stronger
(...)
If you ever need me, just remember
and i'll always be there
If you ever miss me, don't you know
...don't you know...
...we will meet again

...we will meet again

Coldfinger, "Cover Sleeve" in "sweet moods and interludes"


nelson d'aires. mais fotos, aqui


peço água.
como se me faltasse ar para respirar.
limpeza do que fica para trás.

peço água.
como se me faltasse mar por onde navegar.
rasto de ondas brancas de espuma.

peço água.
como se ardesse.
incêndios de inverno alastrando no verão.


é sim de chegar às lágrimas...

25 de agosto de 2004

sometimes, i ask for grace. and i get it.

sometimes i see more i should see. i see it too soon. i listen what you do not say.

and i say the same

23 de agosto de 2004




Roubados "O Grito" e "Madona" de Edvard Munch

Os dois quadros mais conhecidos do pintor norueguês Edvard Munch, "O Grito"
e "Madona", foram roubados ontem de manhã do Museu Munch, em Oslo, Noruega.
(...)
Entre os visitantes, estava um produtor de rádio francês, François Castang,
que ainda ontem prestou declarações à rádio France Inter: "É estranho como neste
museu não havia nenhuns meios de protecção dos quadros, nem uma campainha de
alarme", disse. "Os quadros estavam simplesmente presos à parede com arames.
Bastava puxar com força para que se desprendessem, e foi isso que vi os ladrões
fazerem."
(...)
"O Grito" já tinha sido roubado
Esta não é a primeira vez que "O Grito"
é roubado. Das quatro versões conhecidas da obra, duas, entre as quais a
roubada, são propriedade do Museu Munch, uma terceira está em mãos privadas e a
quarta pertence à Galeria Nacional de Oslo. Foi esta última a protagonista de um
assalto feito em Fevereiro de 1994. Dessa vez, o quadro esteve desaparecido
durante três meses. Foi recuperado pela polícia num hotel de Asgardstrand, a 65
quilómetros a sul de Oslo, depois de três homens terem tentado pedir ao Governo
um resgate de um milhão de euros pela obra.
A versão que ontem foi roubada
do Museu Munch é uma têmpera e pastel sobre cartão datada de 1893.

in jornal "Público",
23 Agosto 2004


21 de agosto de 2004

frase do dia:

'aterrorizado outra vez de não amar, de amar e não seres tu, de ser amado e
não ser por ti - samuel beckett '


os meus happy endings... os meus "meant to be, supposed to be"...

três meses.

fim

20 de agosto de 2004

voltas. como se a minha vida sempre te tenha pertencido.

voltas, ao lado mais ocidental de mim.

de forma diferente, acordas e sorris.

sempre a tua gargalhada. sempre a tua gargalhada no início da noite.

como se o tempo e o espaço se entrelaçassem. como se o tempo não passasse. como se me compreendesses sem palavras.

passam rápidos os dias. as noites arrastam-se sem ti.

19 de agosto de 2004

voltei... depois de mais de dez dias de viagem...

Barcelona- Génova - Pisa/Florença - San Gimigniano - Roma - Veneza - Cortina d'Ampezzo - Salzburg - Praga.

maravilhoso.

hoje estou nostálgica. provavelmente ainda cansada. muitos dias de viagem, muita estrada feita, pouco sono, pouco descanso.

não sei que escrever... só para dizer que já voltei...

28 de julho de 2004

bem, como se o dia de ontem não estivesse a ser mau... caí das escadas abaixo. nada partido. muitos hematomas (e graves), perna imobilizada por três dias...

fantástico... aborrecimento ao fim do primeiro dia. é esse o balanço. nem conduzir posso e agora, até a mais simples deslocação, o mais simples movimento acarreta dores...

como se o meu dia não estivesse já estragado...

27 de julho de 2004

"This world is full, So full of crashing bores, And I must be one, ‘Cos no one ever turns to me to say Take me in your arms, Take me in your arms, And love me

(...)

This world, I am afraid, Is designed for crashing bores, I am not one, I am not one You don't understand, You don't understand, And yet you can"

Morrissey, in You Are The Quarry


encontrar-te esta manhã
na repetição dos gestos diários, rotineiros...
encontrar-te ao acordar, ainda com sono nos cantos dos olhos.

gostei do que disseste. e como, novamente, falaste por nós. como disseste as palavras que não te direi.

penso em ti subconscientemente... e em como me atrapalhas...

há portas que nunca se fecham.

26 de julho de 2004

desejo-te...


massajas-me o coração.

doem-me as costas, os olhos...

reflexos de outros faróis ainda na minha retina. tu ainda na minha retina.

140km/h...

a vida em fastforward... em rewind..

tenho a fita gasta... tudo em pause!

25 de julho de 2004

caminho pela casa suavemente. como algo se partisse ao mínimo barulho. céu azul lá fora.

mantenho as portadas da casa fechadas. restos de luz que passam pelas frinchas. céu azul lá fora. azul puro. mesmo de olhos fechados, eu sei que há um céu azul-puro lá fora.

não há barulho cá dentro. silêncio do calor do meio dia. a mesa no pátio, ainda com os restos do almoço. o jornal dobrado no banco do jardim.

restos de um domingo.
gostava de poder ligar-te. dizer-te que, esta noite, sonhei contigo. e com a tua cama.
gostava de poder ligar-te, sem qualquer tipo de restrições. contar-te a matéria de que são feitos os sonhos. dizer-te ainda que acordei e interroguei-me se não seria verdade, o sonho que tinha sonhado...


Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera

de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma

enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
 
Fernando Pinto do Amaral
de Às Cegas




 

 
há segredos que ainda guardo.

últimas estrelas do que não quero que morra.

as recordações de ti.




24 de julho de 2004

começo este dia a ouvir o novo album do Rodrigo Leão, Cinema. absolutamente lindo.

o single de abertura conta com a participação de Ryuichi Sakamoto, ao piano,  e da cantora brasileira Rosa Passos. cantora desconhecida entre nós.  

rodrigo leão vai estar no Sudoeste este verão... se eu fosse, seria a segunda vez que o veria no sudoeste... nós os dois a bisar o festival... mas não vou. e ele vai ter de tocar sem mim... e eu vou ter de levar o "cinema" pra itália para colmatar a falta...

23 de julho de 2004

costumava andar sempre de joelhos esfolados. colants que caiam pelas pernas abaixo e camisolas que picavam na gola. brincava com os bonecos perguntando-me se eu própria não seria também um boneco nas mãos de alguém, se a minha vida não estaria a ser imaginada por alguém exterior a mim. se a minha existência dependeria directamente desse ser... como eu, que manipulava os bonecos, na borda da minha cama.

 
agora durmo todo o dia. desperdiço as horas de sol. murcho.

21 de julho de 2004



quase de férias... quase... quase... quase...


boas e más notícias... bons e maus sabores...

itália itália itália...

(estou a ficar sem ter que dizer...)

16 de julho de 2004

mais uma semana... mais uma semana de "esforço-final" (como diz a minha mãe).
 
últimos retoques na curta-metragem (que é como quem diz, mas porque é que esta porcaria dá erro cada vez que eu tento gravar!!!!)
 
estudar. estudar numa maratona contra-relógio. cartas de "apesar de seres muito boa (i.e., nem lemos nada do que enviaste mas toma lá a carta pró-forma), não obrigado, não estamos interessados"...
 
mais uma semana... sete dias sempre úteis...

15 de julho de 2004

mais uma... desta vez da quasi...

o que vale meus caros/caras, é que estou quase de férias... (é o quase que me mata!). daqui a pouco estarei a viajar, rumo a itália... uma road trip à moda antiga.
e o calor que está...

11 de julho de 2004

apetece-me levantar desta cadeira e correr contra a parede, do fundo da sala.

(estou farta de trabalhar!)
interrogo-me sobre as tuas partidas e chegadas.
a delicadeza obrigatória, intrínseca à tua derme.



a natureza dos teus gestos. interrogo-me sobre a cor do céu... sobre se borras se diz "bórras" ou "bôrras"... se deva emigrar por causa do novo primeiro ministro ou não. se deva abrir cartas que me vêm endereçadas ou temer o seu conteúdo.

interrogo-me sobre a maciez das tuas costas.

interrogo-me sobre a estrela que tens impressa na íris dos teus olhos.

interrogo-me sobre a verdade encerrada na velocidade da tua vida.

10 de julho de 2004

esta noite sonhei contigo...

e o dia amanheceu como tu. rasgos de sol e vento frio. calor e nuvens...

todo o dia, desencontros. as vidas que se julgam tão separadas, desconheciadas, afinal paralelas, próximas. à distância de um braço esticado, de uma mão estendida, aberta, de encontro às costas.

crostas de feridas antigas, salientes por sobre a pele.

desenhos. espirais intermináveis.
os caracóis do teu cabelo pousados no pescoço...



"e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão


(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
"


Al Berto

9 de julho de 2004

a nossa curta-metragem está quase acabada. a montagem, pelo menos, está pronta...


questiono-me sobre a sanidade mental, sobre desiquilibrios hormonais, deficiências de comportamentos, questiono-me sobre a fé dos homens e a minha...

questiono-me sobre as pequenas coisas da minha vida... sobre porque é que, sendo verão está frio, porque é que o despertador não tocou esta manhã...

sobre a fotografia que anseio tirar...

8 de julho de 2004

estes foram os dias mais felizes que me podias ter dado.

tudo está em aberto entre nós, a loucura e a cumplicidade. estes foram os dias mais felizes que me podias ter dado.




a tua cara ao amanhecer, ainda adormecida...
o teu cheiro na almofada...
a brincadeira das tuas mãos...

2 de julho de 2004

1 de julho de 2004

o país está louco. louco pela selecção, louco porque se aponta santana lopes para primeiro ministro. está tudo louco.


e a ti... só te posso dizer que releio as tuas mensagens, encontradas já no monte de papéis destinados à reciclagem. apenas te posso dizer que não sei de ti.

e não me custa (tanto)

23 de junho de 2004

"Age doesn't protect you from love.
But love, to some extent, protects you from age"
Jeanne Moreau (1928)


estive a ler umas coisas antigas guardadas nos arquivos do meu computador...

estive a limpar alguns cantos do meu sono.

a hugin recusou-me. nem devem ter aberto o quarto. aposto como a porta ainda está encostada, da maneira como a deixaste encostada. e, a atestar isso, as marcas de pó não me deixarão mentir.

22 de junho de 2004

não tenho fome.
tenho sono...

o quarto em chamas já seguiu pelo correio.... agora falta esperar.

o tempo está abafado. falta-me um pouco de ar fresco. falta-me vontade de trabalhar... falta-me...

não sei porque não consigo mostrar as minhas imagens aqui... alguém tem a explicação?

quem me dera ter net em casa...

21 de junho de 2004

"do your best
not to forget me"

ainda me custa a compreender como as coisas se processam.

linhas entrecruzadas
rotundas em oito do lado francês
do canal da mancha.
conduzir do lado errado
da estrada sempre me trouxe problemas
de visão.
100 km/h com o alcoól a correr
célere
pelas principais avenidas
lisboa num rasgo de olhar
peças de roupa perdidas
pelos cantos da solidão
interrompida.
sugestões de outras vidas
insinuadas no desapertar
de um botão de camisa.
se soubesses o meu
sabor de gelado favorito
a estrada não teria fim.



sabes joana,o carlos dizia, no outro dia, que pertencemos a uma espécie diferente... estranha... e pensei como são estranhas as pessoas à nossa volta. não essencialmente eu ou tu mas toda a gente que nos rodeia. como nos (re)conhecemos pelas special features de cada um... na naturalidade da nossa "estranheza"...

tenho dez moradas em cima da mesa... dez exemplares do quarto em chamas que me vão abandonar para poderem regressar... seja como fôr que regressem...

18 de junho de 2004

17 de junho de 2004



é disto que somos feitos
pequenas gotas de água
libertadas por um aspersor
que caem no braço de alguém que passa,
num dia de calor

pequenas coisas
a ordem tímida dos gestos
as sardas que se espalham
no teu rosto
a tua mão dentro de mim
no fim da garganta
junto à pequena covinha
do pescoço
a tua mão dentro de mim
puxando-me de desejo



as coisas não se repetem, não se vivem duas vezes... e a poesia ficou fora da porta, no seu devido lugar.

doem-me os olhos, está muito calor.
e não há motivos de preocupação. ainda aqui estou. ainda sou a mesma. sem precisar de provar algo a alguém.

12 de junho de 2004

ainda há muito que te quero mostrar... as ausências geram destas coisas... sentimentos prontos-a-usar... o verde com o azul, o amarelo, o laranja e o vermelho, as cores arrumadas em círculos cromáticos.

(hoje sinto-me bonita. como se uma luz brilhasse dentro de mim. como se me tivesses agarrado pela base do pescoço e apertasses o suficiente para que as tuas mãos falem de desejo, o suficiente para que os meus olhos se fechem na ansiedade de ti.

"i'm sleeping under the water line"

e sei que tu aí me esperas...

11 de junho de 2004

não tenho nada de mais a dizer (não tinha já dito que me faltam as palavras?)...


custa-me este silêncio... este vazio de palavras...

10 de junho de 2004

é como se... como se tudo o que eu tivesse a escrever já tenha sido escrito... sinto-me vazia... vazia há mais de um ano... vazia de palavras... como se já te tivesse dito tudo e tudo tivesses tu ouvido (ainda que tão pouco tenha passado pelos teus ouvidos)


estou profundamente triste e não tenho as palavras para te dizê-lo...

reencontro-me nas memórias de ti...


"(...)I can't believe this world is still turning(...)

And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

(...)Oh, when will this tired heart stop beating?, It's all a game, Existence is only a game
And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

I'm, Slipping below the water line, I'm, Slipping below the water line
Reach for my hand, And, And the race is won
Reject my hand, And, The damage is done(...)"

Morrissey in You Are The Quarry



sinto-me deslizar para um quarto escuro...

e apetece-me fazer como o lynch fez para uma das suas curtas-metragens: pintar toda a casa de negro... plantar uma semente na minha cama... manter contigo uma relação auto-incestuosa, meu pedaço de mim...
caio na apatia dos gestos repetidos à exaustão na memória luminosa da tua presença... caio no facilitismo da memória do teu sorriso... e não te quero reencontrar, pedaço de mim... não te quero ver. não me quero cruzar contigo senão em inócuas conversas pela madrugada, para que, logo a seguir, se diluam na matéria febril dos sonhos...

curvo-me.

o meu peito dói-me.
a brancura da minha saia está manchada com finos bagos de romã...


há nódoas que não saem...

7 de junho de 2004

dói-me o colo...

como se te tivesses sentado e, agora que te levantaste, tivesses deixado nele (ainda) a tua presença...
devia pensar em coisas importantes... era suposto pensar... e, neste momento, é o que menos quero...

ocupar-me, assistir assiduamente a todas e quaisquer aulas, ler muito, estudar, procurar apontamentos, organizar informações, fazer arrumações, limpar tudo, cozinhar, ligar a televisão... pensar "que concursos tão simples, que perguntas tão óbvias"... ver um filme, tirar apontamentos, não pensar, não pensar, não pensar, não pensar...


ontem era agulhas, daquelas grossas, que as nossas mães usavam quando nos faziam camisolas de lã, que se espetavam nas minhas fontes... dores de cabeça insuportáveis, dores de cabeça, ardor nos olhos e no fundo do estômago, dorees de cabeça, dores de cabeça, não pensar, dores de cabeça, não pensar, dores de cabeça...


não consigo pensar em ti sem que os meus olhos se afoguem...

1 de junho de 2004




quando as imagens passam demasiado rápido no olhar há traços de luz no caminho.

como a tua passagem pelos meus dias. traços de luz fugidia por entre as pestanas...

Jorge Palma
"Meu Amor (Agora Não Fiques Para Aí A Dormir)


Meu amor,
Parece que agora vou seguir sem ti
Subir e descer,
Correr na lama e voar outra vez...

Sei muito bem onde quero chegar
E sei que não há tempo a perder
Que a tua voz me possa encorajar!

Meu amor,
Agora não fiques para ai a dormir...
Um fato de marinheiro
Não chega para se entender o mar.

Espero que aprendas bem a remar
E espero que a luz do teu farol
Te possa sempre iluminar! "

28 de maio de 2004

Jorge Palma
Eu estou bem

"Mãe
Vi-te sózinha ao meu lado
Não vi, mãe?

Mãe
Vi-te passar um mau bocado
Não foi, mãe?

Mãe
Tu querias ir a qualquer lado

Mãe
Tinhas o amor guardado
Não tinhas, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem


Mãe
Tu gostaste da viagem
Não gostaste, mãe?

Mãe
Precisaste de um pagem

Mãe
Para te ajudar a descolagem

Mãe
Depois ficou só a imagem
Não foi, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem

Mãe
Eu também estive sózinho
Não estive, mãe?

Mãe
Tu querias todo o meu carinho

Mãe
Eu tinha que deixar o ninho

Mãe
Fui-me embora devagarinho
Não fui, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem"




desde que descobri esta música apetece-me gravá-la para a minha mãe. apercebi-me do quão pouco penso na minha mãe. e do quão pouco ela sabe de mim...

que a vida passa e que é tão rápida...


amanhã um outro dia...

27 de maio de 2004

o borras renasceu!

(já parece a fénix!)

birds all over.

festa nos aliados ontem à noite. loucura azul (e eu nem azul sou!)!


noite sem ti.

o dia que mal começa, o suspiro por dar. e a falta de algum calor próximo, de algum calor nocturno. o sair, o conhecer o movimento dos corpos...

25 de maio de 2004

o borras morreu...

longa vida ao borras...

(o melhor manifesto que já li, pró-borras aqui; .joana., fazia-te bem às gargalhadas passares por lá para o ler!)
Al Berto
in O Medo

"...
mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia"



estou apática.dormente nos sentidos. só uma forte cãibra ontem me acordou deste adormecimento.

pequenos momentos que se apagam no correr das horas...
insónias à margem do lento correr dos minutos no mostrador luminoso do rádio-despertador que, não tarda nada, me vai lembrar que o dia começa, no momento exacto em que o sono de mim se apropria...


devia ser um case-study. como é que, a partir das dez da manhã, tenho mais sono que durante toda a noite?

22 de maio de 2004

não sei da tua imagem. do som da tua voz e de ti.

não sei por onde andas e aonde pertences realmente.

por esta altura tu não sabes de mim. quando eu ainda sei tanto de ti.

intrínsecamente, as tuas mãos nunca se esqueceram do caminho até às minhas.

olhei-te pela primeira vez e foi como se te reconhecesse. como se te visse ao longo dos tempos. até muito à frente no calendário.



"ainda não manejei nenhuma arma que não desse ricochete
e a cicatriz sobrevive sempre à mais perfeita ligadura"

Jorge Palma

21 de maio de 2004

Jorge Palma
Ao Meu Encontro na Estrada

Disseste que vinhas
E não chegaste
Mudaste de planos, ok

Mas isso deitou-me tão abaixo
Espero que tenhas pensado bem
Estou triste que só eu sei
Preciso de alguém

(...)

Estou bem chateado

(...)

Pensei tanto em ti
Que não calculas
De manhã, à tarde e ao anoitecer

Andava louco de contente
Só com a ideia de te voltar a ver
Ahh, mas que grande idiota
Voltei a perder

(...)




estava a ouvir as músicas do palma...

achei piada a esta letra. e lembrei-me que disseste ontem que "não te ajudo"... e repito: eu tenho piadas novas, tu é que perdeste o sentido de humor! ;)

apetece-me rir às gargalhadas...

troveja e faz sol.
que fazes tu nesses fins de semana?

20 de maio de 2004

mudei de visual...
rendi-me aos verdes encantos... talvez porque todo o corredor cheire a verde, talvez porque a vista da janela ao fundo do corredor sejam as hortas e pequenos quintais escondidos entre os cubos habitacionais do porto... talvez porque me apete�a o cheiro a terra molhada e relva acabada de cortar...
não sei novas palavras.


a minha escrita está toda igual. preciso que venhas e me ensines as palavras que agora dizes... preciso que mas digas só pelo prazer da sonoridade da junção das letras, do arranhar das consoantes no céu da boca, no lugar onde a língua toca o sítio mais suave.


passo o tempo a começar poemas sem fim. pequenas notas à margem dos dias. o deleite das imagens repetidas na exaustão da noite mal dormida.


estou com insónias. espero que me ensines o que ainda não sei...

19 de maio de 2004

desde que descobri a doce voz de rosie thomas que as minhas noites (especialmente ao volante) se tornaram mais especiais.

sem nunca querer parar até chegar ao destino...

o meu quente dia... ainda vai chover. com muita trovoada. daquela chuva em que eu me sento fora de casa e me deixo molhar... em que ouço os trovões e espero os relâmpagos para que me iluminem a leitura...

está a formar-se uma tempestade neste lado do mundo tropical...

17 de maio de 2004

dia de muito calor. muito calor. como se fosse verão e as roupas ficassem no chão do quarto, abandonadas na expectativa da noite.

muito calor, dias impressos no calendário sem qualquer marca distintiva. dias que passam despercebidos no calor.

estou cansada. como se tivesse vindo de longe a memória mais doce de todos os meus dias. como se tivesses voltado ao meu dia de amanhã. como se o calor trouxesse a proximidade do teu corpo e o cheiro das tuas mãos.
como se os teus olhos ferissem solarmente os meus.


é um bom dia para escrever... seria um bom dia para te ter.

14 de maio de 2004

gosto do local onde tenho aulas. tem árvores e malmequeres que crescem, rebeldes entre as pedras e as junções dos edifícios.

gosto do cheiro de relva acabada de cortar e do cheiro que antecede a chuva.

gosto do teu cheiro quando sais do banho e do calor do sol na minha pele.


há tantas coisas que não ouço de ti...

27 de abril de 2004




o sol entra pelas frinchas do olhar...

dias quentes que aquecem a pele.

e tu a dizeres um olá luminoso.

26 de abril de 2004

não acredito que o país seja um mau país. se entrarmos pela discussão da linha governamental e do rumo que está a tomar, aí sim, poderíamos discutir isso. não acredito que, essencialmente (na essência) as coisas estejam podres e que este seja o pior lugar do mundo aonde se viver. não acredito na vitimização também nem no laxismo em que muita gente cai. pim pim pim. é tudo que tenho a dizer sobre isto.

25 de abril de 2004

música: five minutes of everything - the gift...

nem fui eu que escolhi a música mas não poderia ser mais apropriada ao meu estado de espírito.


sim, tou um bocado chateada... chateada porque tu não percebes que o dia de hoje é um dia importantíssimo. porque o teu desinteresse social me chateia. porque me chateiam aqueles que em nada acreditam, que se descartam de qualquer consciência social, que fogem às suas responsabilidades, que falham quando mais se precisa. estou negativa. vou entrar em modo automático senão chateio-me demais e digo coisas que não quero.

tou farta de gente que não tem iniciativa e se rende facilmente ao facilitismo e ao comodismo do sofá.


"And you go out of bed
Thinking in those days that you need
You used to talk and talk about
And everything that stops your attention
You used to talk, talk about
Everything"

16 de abril de 2004

gosto do meu blog.

é verdade. gosto muito do meu blog. e gosto muito desta coisa de "bloggar".

isto é o que tenho logo para dizer.


estou meio adoentada. dores de cabeça constantes, dores de garganta.

aulas às oito da manhã... já não me lembrava de madrugar assim... e já não me lembrava de me sentir assim, tão repentinamente, tão em baixo, tão doente...

10 de abril de 2004

mal ela sabia que, daí a cinco meses, alguém se apressaria para este mundo, com os punhos fechados, 2,050 gr. e quarenta e seis centímetros e meio.



mais um...

hoje começa outro ano...

9 de abril de 2004

sem carro... sim, é verdade. estou imobilizada. "alguém" perdeu os documentos do meu carro...


estou quase a fazer anos... hoje é já dia nove... (parabéns jorge reis-sá)... curioso fazeres anos no mesmo dia que a ana e o pedro...


a ana conheci-a devíamos ter dois anos... talvez menos. não me lembro da primeira vez que a vi mas lembro-me que foi a minha primeira amiga. que enchia as bochechas de comida, como fazem os hamsters e mastigava a tarde inteira. que, quando formos para o colégio, tinha um namorado chamado "pêpê", que andávamos num infantário que era o "caracol", que eu vivia no 4.ºesq. e ela no 9.ºdir. que ela e o irmão dela (três anos mais novo que nós) foram criados na minha casa. e eu na casa deles. que festejávamos os aniversários um a seguir ao outro. o dela sempre ao sábado (porque ela faz primeiro anos) e eu no domingo (que, não sendo no dia a seguir, é quase). partilhamos ainda segredos, apesar da vida nos ter afastado e de apenas nos falarmos uma vez por ano, nestes dias... as festas de aniversário estavam sempre cheias. muita gente sempre... muitos telefonemas de parentes e amigos distantes. as minhas não. nenhum telefonema, poucos amigos.

este ano não foge à regra. talvez nem os festeje em condições... o dia m que "calhou" não é muito propício para juntar amigos... festas de família... é o que dá...

não era suposto eu por estes dias. só me esperavam lá para meados de julho... mas eu estava farta "daquilo" e o que me interessava era o que estava mesmo cá fora.

apressada, como sempre. por (com) um impulso, cá vim eu para este mundo, com força suficiente para não me assustar à primeira golfada de oxigénio.





que pena não utilizares o serviços da fedex... (sabias que a fedex não faz serviços nacionais?, apenas internacionais?)...vai ser um aniversário despercebido, camuflado...

never mind... ainda não chegou...

6 de abril de 2004

estou de férias... a cuidar do meu afilhado. a ver-te diariamente como se vivessemos realmente pertinho... perto o suficiente para nos encontrarmos assim, quase casualmente, quase ao sabor dos dias que passam, deste calor quase de verão que nos invadiu, a rir e a gostar de estar assim...


como o tempo mudou...

1 de abril de 2004

estou, oficialmente, de férias...

e ainda bem. ando exausta. o corpo pede descanso e a mente acção.

estou de volta a casa... as coisas a mudarem, o meu cenário a modificar-se...
está frio, chuva, granizo esta tarde no porto... pouco alimento, dores nos músculos... ao que a paixão obriga...

o tempo que me escapa por entre os dedos...

30 de março de 2004

estraguei o meu computador. não me perguntem como... estou completamente, estupidamente furiosa... para acrescer a isso, conta astronómica da luz e perdi os meus óculos de sol... bom fim de semana este... momentos ons... comprei um leitor de dvd's... pena agora virem as férias da páscoa e eu não poder disfrutar mais dele...

24 de março de 2004

Zélia Duncan in Intimidades, 1996


Enquanto Durmo

Muitas perguntas que afundas de respostas
Não afastam minhas duvidas

Me afogo longe de mim
Não me salvo porque nao me acho
Não me acalmo porque nao me vejo
Percebo até, mas desaconselho

Espero a chuva cair
Na minha casa, no meu rosto
Nas minhas costas largas
Espero a chuva cair
Nas minhas costas largas
Que afagas enquanto durmo
,
Enquanto durmo, enquanto durmo...

De longe parece mais fácil,
Frágil é se aproximar

Mas eu chego, eu cobro
Eu dobro teus conselhos
Não me salvo porque nao me acho
Não me acalmo porque nao me vejo
Percebo até, mas desaconselho

Espero a chuva cair
Na minha casa, no meu rosto
Nas minhas costas largas
Espero a chuva cair
Nas minhas costas largas
Que afagas enquanto durmo,
Enquanto durmo, enquanto durmo...



há coisas que temos de fazer...

a joana dizia ontem que a vida é feita de traições... eu acrescentaria que a vida é feita de riscos e desafios...

e eu arrisquei (novamente) e aceito o desafio (novamente)... aliás, se há palavra que me causa reacções irracionais é o verbo "desafiar"... um desafio bem proposto torna-me totalmente irracional. mas este desafio aceite nada tem de irracional. tem até demasiadas coisas racionais, demasiadas posições racionais... ainda me dói um pouco o peito... mas há coisas que têm de ser feitas e riscos que têm de ser corridos...


sou capaz de mudar o look do speech...dream (sim, novamente!).... a mudança é saudável e aconselha-se! claro que só se deve mudar para melhor portanto... "mi aguardem"!

20 de março de 2004

Jorge Palma in O Bairro do Amor, 1989

Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão

Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem




já sei, já sei, ando numa de jorge palma...

fui com a vanessa à praia... passear com a minha grávida favorita... passear um pouco, desmanchar-me a rir com a única coisa que me faz rir nestes dias: a "feeling alive" dos gomo... ('cause i'm not really feeling alive...)

19 de março de 2004




o indefenidamente tornou-se, afinal num fecho rápido. quase virtual. tão imperceptível quanto as nuvens que passam no céu.

nunca pensei em fechar o speech...dream definitivamente... apenas fechá-lo um pouco, talvez fechar-me um pouco... talvez esse seja o melhor estado de definição... afinal de contas... as palavras são apenas palavras... e mudam-se como as folhas quando chega o outono.

finalmente, a liberdade de passar pela praia...

não me apetece estar com ninguém desconhecido. o conforto do conhecimento, o chão seguro debaixo dos meus pés... preciso de caras conhecidas...
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...........................:::FECHADO INDEFINIDAMENTE:::..............................
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18 de março de 2004

depois das tuas (poucas) palavras de ontem, esta música do palma....


Jorge Palma

A Gente Vai Continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar

Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar

Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar

Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar




apetece-me ir tomar um café e não tenho companhia... fim de semana (mais que) prolongado... detesto não ter que fazer...



acho que nunca te disse que gosto de klimt... que talvez seja o meu pintor favorito...

e que as "amigas" se encontram entre os meus quadros favoritos... e que n�o existe porque foi destruido num fogo...

e que gostava de ir a viena ver os quadros dele ao vivo... mostrar-te porque � que eu gosto tanto de klimt...

peões! picanços! aqui vou eu! mais um perigo nas estradas portuguesas! mas o que é que os tipos da dgv foram fazer! ó perigo! ó vertigem! ó multas! ó desgraça e velhinhas atropeladas! ó atentados às estradas!


sim, é verdade! consegui iludi-los a darem-me a carta! hehehehehe...

mais tranquila... de melhor humor e melhor da saúde... mais leve de repente!

17 de março de 2004

é verdade, eu e as minhas "mini-férias"... mas invejosos, regozigem! tou com uma enorme crise de gripe em cima, despoletada por não sei bem o quê e que me está a dar a volta à cabeça!

em dias tão bonitos de sol, eu cheia de frio e de calor, frio e calor, dores de cabeça como não me lembro de ter e espirros, nariz entupido, fragilidade do sistema imunitário... inacreditável como o estado de saúde nos debilita as emoções, a capacidade de reacção e de acção...


saudades saudades saudades. do ritmo, dos rituais antigos, da vida antes. antes de tudo...

estou extremamente cansada. dói-me a cabeça. doem-me os olhos... até depois...

12 de março de 2004

os computadores na faculdade andam meios malucos... ou então sou eu que pouco tenho andado por lá.

nada de especial a registar. saudades tuas.

jogo do porto. eu, sportinguista de coração, fui vibrar com os portistas. até me vieram lágrimas aos olhos quando, finalmente, o costinha marcou o golo...
acho que já não vibrava com um jogo há muito tempo. e depois, a companhia da anabela, do brasil, da joana, do joão (hehehe, ver-te sofrer foi divertido!)... um jogo e pêras! a seguir, chocolate quente, no gestos, companhia acrescida do carlos, que sofria pelo seu manchester (hey young lad, you win some, lose some!)...


a greve da dgv em que ninguém queria acreditar (até hoje ainda estou para saber o porquê da greve!)...

a minha casa que está tão despida desde que a joão voltou...


e a cidade do porto que acordou com o céu a chorar. alguém anda a despejar os canos porque ainda não;o parou de chover!

6 de março de 2004

ainda não saí hoje de casa... o que é, no mínimo estranho... deixaram-me dormir como já não dormia há muito (aparte do teu telefonema...). acabei por faltar a um café, uma tarde vazia por aveiro. em vez disso, estive por casa... estranho, no mínimo estranho.

estou a preparar-te uma surpresa...

4 de março de 2004

ok, o rios é capaz de se ter chateado um pouco. mas não devia
há que ter orgulho naquilo que somos. e eu sei que ele tem!


ontem à noite: poesia medieval no café-concerto da esmae.
bebida no pucaro's e resto da noite na cama! descanso bem merecido de todos nós que já andávamos a cair de sono (apesar do carlos e do brasil serem da opinião de que eu sou enérgica!?)

hoje: aula bem cedo, curtas-metragens, algumas ideias... reunião do up, trabalho para o up... regresso a casa, comidinha caseira, trabalho para o up... enfim...



só penso em quando estarei contigo...
eis o senhor chefe de redacção, exm.º sr. Pedro Rios


1 de março de 2004

(re)começo.


voltar. e descobrir que acordei (relativamente) cedo para nada. Para apenas estar por aqui, à espera que algo aconteça. ou à espera que a semana passe célere... ou qualquer coisa do género. Tenho modelo fotográfico para o quarto em chamas :)



sim, porque tu disseste que sim (só que ainda não sabes a certeza por detrás do primeiro "sim" a medo"). agora é que o quarto em chamas se vai incendiar totalmente.


no porto há sol. está um bonito dia para visitar lugares apetecíveis, ver umas exposições, fazer qualquer coisa que não ficar aqui à espera que algo aconteça ou à espera que a semana passe célere.

28 de fevereiro de 2004

não te posso dizer o que se passa comigo hoje.


há perguntas às quais nem eu tenho resposta.

27 de fevereiro de 2004

o que eu gostava de viver num país (não tropical) mas onde nevasse pela manhã e pela tarde (com o frio que tem estado, bem que podia nevar!)


mais um exame por fazer...


já sei que o look do speech...dream mudou. já toda a gente mo disse (como se não tivesse sido eu a fazer a mudança!)

que está mais "happy", mais "pink", que não combina comigo, que está bem, que está mal...

anyway

está diferente. eu estou diferente. hoje é dia de balanço (devia fechar pra balanço e tudo!)

primeiro semestre: desgraça em termos profissionais...

espero não ficar mais um ano...

26 de fevereiro de 2004

pânico...

daqui a trinta e cinco minutos, o terceiro round de psicossociologia da comunicção.

pânico,

não consegui estudar tudo.

bolas, vou chumbar novamente.

25 de fevereiro de 2004

ontem fomos (eu, a joana e o brasil), tomar café. e o que era um simples café no piolho, o mais famoso café de estudantes, acabou por ser uma conversa tardia, e surpreendente, íntima e divertida, à volta das mesas-com-coisas-dentro do pink, sentados em puffs, conversando como se aquela noite fosse decisiva para acertarmos ideias. para ensinarmos um pouco de nós a cada um.


falámos do "instalação", o nosso bar que eu baptizei num flash luminoso, falámos da decoração e do queríamos fazer. de chocolate quente e de dinheiros. de casa velhas e casas novas. de quartos pequenos e quartos grandes. de amores e discussões. de posições na vida e de segredos bem guardados. de lados luminosos e lados obscuros. da sociedade e de crianças. de educação e fobias.


falámos da música do super-homem (que ninguém se lembra qual, e canta, inevitávelmente, a do indiana jones ou do esquadrão classe a, essa série mítica!)


foi uma boa noite, em que os espíritos se elevaram e as consciências pesaram por não termos estudado nada...

logo à noite, bacalhau à brás em minha casa.

exame amanhã à tarde...

e seja o que fôr...

23 de fevereiro de 2004

repito:

"sem ti
as coisas são menos coisas
os dias são menos dias
as noites são menos noites
"


não me faças perguntas às quais eu não quero responder... não que não conseguisse adivinhar uma respostas mas porque essa resposta não me serve. como um par de calças que deixa de servir porque as pernas estão demasiado compridas.


os dentes a raspar no garfo
o "está bem" a qualquer ocasião
o "eu sei" da sabedoria (que é tão pouca)
o nariz impinado de quem não dá o braço a torcer
o "eu sei que tenho razão"

(será que me esqueci de alguma coisa?)



e, acima de tudo, os obstáculos que não o serão.

21 de fevereiro de 2004

apesar das notícias menos boas...


sim, a minha cara é de felicidade. e sim, estava feliz quando disseste "tens uma cara tão feliz". porque estava.

não tirei nenhuma fotografia (reparaste...). mas não foi preciso. tenho-te em mim. tão presente como os dias frios que estão. sinto já a falta de acordar contigo, os vinte minutos que antecedem o abrir os olhos. o teu corpo procurando o meu, adaptação à anatomia.

o beijo molhado de quem precisa ir... a cama vazia de quem fica à espera...

os dias esvaziam-se de ti.




o que sei: poucas verdades. como a tua barriga ser uma praia de areias brancas.

10 de fevereiro de 2004

bom, após vários dias de estudo, de um chumbo confirmado e de desistir de um exame (mesmo agora) acho que é oficial: estou desanimada...

as coisas não estão a correr pelo melhor e estou com algumas (muitas) dificuldades em me organizar e trabalhar afincadamente no que deveria.


tenho (muitas) saudades tuas e faltam-me imagens que consigam colorir os meus dias. preciso de algo bonito ante os meus olhos.



preciso de ti também...

1 de fevereiro de 2004

ok, é oficial... tou a dar em doida... com tanto trabalho para fazer... como é que eu me meto nestas coisas? aproxima-se o fatídico mega exame. será daqui a 24 horas precisamente...


ahhhhhhhhhhhhhhhhhh tou a entrar em pânico!

27 de janeiro de 2004

tenho um enorme desgosto... não tenho o mínimo jeito para tirar fotografias...

no entanto, as fotos mais bonitas que tenho são as fotos da maria, da sónia, da joana, da inês, dos cafés e dos chás em diversos cafés do porto...


as fotos mais bonitas que eu tenho são delas... são deles... dos amigos...
como poemas que guardamos no caderno de todos os dias, como os que guardamos nos nossos cadernos das coisas simples...


aqueles que escrevemos nas paredes dos quartos para lermos de manhã...

24 de janeiro de 2004

Música: Santa Chuva
Álbum: Maria Rita (2003)



(ele)


Vai chover de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...


(ela)


Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...





e, de repente, esta música brotou de mim... quem se confundir pelas paredes da minha rua vai poder ouvir-me cantá-la... (e eu não canto!)

23 de janeiro de 2004

eu preconizo:

a .joana. vai ser fotógrafa. daquelas às quais pedimos para expor numa galeria de arte, Às quais tentamos comprar fotografias de uma beleza e simplicidade (sim, que as duas andam pelos mesmos trilhos) que invejamos mas, ao memso tempo que chamamos a nós como nossa propriedade. a .joana. diz o que todos sabemos da maneira como poucos sabem. ela ainda não sabe. mas é verdade.




veio-me o passado visitar esta noite em sonhos.
medos antigos como quando éramos pequenas e tínhamos medo que, debaixo da minha cama se escondesse o lobishomem que víamos na novela da noite. ou que no prédio em frente se escondesse a bruxa da história que eu inventei para assustar o teu irmão - e que me valeu uma valente reprimenda dos teus pais.


não era o lobishomem nem a bruxa má (embora tivesse os cabelos vermelhos e fosse muito parecida), que me visitaram esta noite... embora fossem parecidos.... muito parecidos...



e aqui ando eu (com meia hora de atraso, é certo), às voltas com títulos e textos "rapioqueiros" (não me perguntem nada!), a escrever sobre o estado da nação num "artigo de opinião de 30/35 linhas, com "lead" dramático, titulado em duas linhas", enquanto espero para me atirar a uma entrevista (ficcionada) sobre a "tibieza das políticas culturais"...


isto enquanto ganho fôlego para apertar "o cinto de segurançaa narrativa" e levantar "voo para uma crónica, de preferência humorada, sobre um qualquer incidente, real ou virtual", que eu "guarde" na minha "bem arrumada gaveta de recordações de viagem - seja por terra, ar ou mar.", o que vale é que, no fim, me aconselham... "não enjoe antes de atingir as 30/40 milhas, isto é, linhas"....




* todas as citações deste parágrafo estão contidas em "prova de avaliação final para a área de imprensa", por frederico martins mendes, porto, 23 de janeiro de 2004.
para uma cópia do mesmo é favor contactar-me


21 de janeiro de 2004

não ando esquecida... o acesso aos computadores é que tem sido escasso...

15 de janeiro de 2004





pisar....

o chão que pisas. diferente do meu.

diferente do meu quer estejas a um país de distância, quer estejas a um oceano de distância. quer estejas a um continente de distância. o teu chão é diferente do meu. facto consumado.


não que isso torne de alguma forma diferente, dissemelhante, diverso, aquilo que sinto por ti.

o chão é apenas o que nos permite caminhar, conhecer outros pisos que não o nosso. e eu até gosto que o chão que pisas seja diferente do meu. assim podes-me ensinar a ver o teu chão, como eu te quero ensinar a ver o meu.

caminhos que se cruzam, pontos de convergência em movimento.

13 de janeiro de 2004

o corpo a avariar... como uma grande máquina à qual falta óleo para funcionar perfeitamente. o cérebro que parece quer arder... a descoordenação das ordens enviadas... a demora das informações recebidas...




anyway...
daniel faria na biblioteca almeida garret na semana passada: arrastei a joana, a anabela e o brasil no que foi uma inconsequente noite bem passada.



joana: prometo que para a próxima também eu digo alguns poemas...

5 de janeiro de 2004

voltar ao dia-a-dia. torrente de palavras por dizer, coisas por contar, conversas que se aceleram no fast-forward.

decisões, concretizações de planos agendados.

estou contente com a minha vida

and that's it.

2 de janeiro de 2004

nem sei bem porqê mas sinto-me um pouco triste... espero que isto n seja quilo que se costuma chamar "new year's blues"...

o último poema de 2003 foi este (hoje apetece-me revel´s-lo ao mundo, numa world premiere)


hipóteses que segredamos
em surdina 
à mesa do café
no terror de que sejam reais.
o sentir sem limites
emoldurado entre quatro paredes.
a medição do que não se mede.
o medo de que não se fala.o café frio da espera
sorvido numa concentração
de acção necessária.
hipóteses que segredamos
por meias palavras
num café público
de esperas.
a pressa da conversa
alongada
o adiar de uma conclusão
que se espera. 
à mesa do café
um sentir sem limites
na medição do que não se mede.






tenho demasiados cadernos em branco este ano. foi um ano agradável. ambíguo. que fazer de 2004?