27 de janeiro de 2004

tenho um enorme desgosto... não tenho o mínimo jeito para tirar fotografias...

no entanto, as fotos mais bonitas que tenho são as fotos da maria, da sónia, da joana, da inês, dos cafés e dos chás em diversos cafés do porto...


as fotos mais bonitas que eu tenho são delas... são deles... dos amigos...
como poemas que guardamos no caderno de todos os dias, como os que guardamos nos nossos cadernos das coisas simples...


aqueles que escrevemos nas paredes dos quartos para lermos de manhã...

24 de janeiro de 2004

Música: Santa Chuva
Álbum: Maria Rita (2003)



(ele)


Vai chover de novo
Deu na TV
Que o povo já se cansou
De tanto o céu desabar
E pede a um santo daqui
Que reza a ajuda de Deus
Mas nada pode fazer
Se a chuva quer é trazer você pra mim
Vem cá, que tá me dando uma vontade de chorar
Não faz assim
Não vá pra lá
Meu coração vai se entregar
À tempestade...


(ela)


Quem é você pra me chamar aqui
Se nada aconteceu?
Me diz?
Foi só amor? Ou medo de ficar
Sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher?
Você me parecia tão bem...
A chuva já passou por aqui
Eu mesma que cuidei de secar
Quem foi que te ensinou a rezar?
Que santo vai brigar por você?
Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV
Que eu vou de vez
Não há porque chorar
Por um amor que já morreu
Deixa pra lá
Eu vou, adeus
Meu coração já se cansou de falsidade...





e, de repente, esta música brotou de mim... quem se confundir pelas paredes da minha rua vai poder ouvir-me cantá-la... (e eu não canto!)

23 de janeiro de 2004

eu preconizo:

a .joana. vai ser fotógrafa. daquelas às quais pedimos para expor numa galeria de arte, Às quais tentamos comprar fotografias de uma beleza e simplicidade (sim, que as duas andam pelos mesmos trilhos) que invejamos mas, ao memso tempo que chamamos a nós como nossa propriedade. a .joana. diz o que todos sabemos da maneira como poucos sabem. ela ainda não sabe. mas é verdade.




veio-me o passado visitar esta noite em sonhos.
medos antigos como quando éramos pequenas e tínhamos medo que, debaixo da minha cama se escondesse o lobishomem que víamos na novela da noite. ou que no prédio em frente se escondesse a bruxa da história que eu inventei para assustar o teu irmão - e que me valeu uma valente reprimenda dos teus pais.


não era o lobishomem nem a bruxa má (embora tivesse os cabelos vermelhos e fosse muito parecida), que me visitaram esta noite... embora fossem parecidos.... muito parecidos...



e aqui ando eu (com meia hora de atraso, é certo), às voltas com títulos e textos "rapioqueiros" (não me perguntem nada!), a escrever sobre o estado da nação num "artigo de opinião de 30/35 linhas, com "lead" dramático, titulado em duas linhas", enquanto espero para me atirar a uma entrevista (ficcionada) sobre a "tibieza das políticas culturais"...


isto enquanto ganho fôlego para apertar "o cinto de segurançaa narrativa" e levantar "voo para uma crónica, de preferência humorada, sobre um qualquer incidente, real ou virtual", que eu "guarde" na minha "bem arrumada gaveta de recordações de viagem - seja por terra, ar ou mar.", o que vale é que, no fim, me aconselham... "não enjoe antes de atingir as 30/40 milhas, isto é, linhas"....




* todas as citações deste parágrafo estão contidas em "prova de avaliação final para a área de imprensa", por frederico martins mendes, porto, 23 de janeiro de 2004.
para uma cópia do mesmo é favor contactar-me


21 de janeiro de 2004

não ando esquecida... o acesso aos computadores é que tem sido escasso...

15 de janeiro de 2004





pisar....

o chão que pisas. diferente do meu.

diferente do meu quer estejas a um país de distância, quer estejas a um oceano de distância. quer estejas a um continente de distância. o teu chão é diferente do meu. facto consumado.


não que isso torne de alguma forma diferente, dissemelhante, diverso, aquilo que sinto por ti.

o chão é apenas o que nos permite caminhar, conhecer outros pisos que não o nosso. e eu até gosto que o chão que pisas seja diferente do meu. assim podes-me ensinar a ver o teu chão, como eu te quero ensinar a ver o meu.

caminhos que se cruzam, pontos de convergência em movimento.

13 de janeiro de 2004

o corpo a avariar... como uma grande máquina à qual falta óleo para funcionar perfeitamente. o cérebro que parece quer arder... a descoordenação das ordens enviadas... a demora das informações recebidas...




anyway...
daniel faria na biblioteca almeida garret na semana passada: arrastei a joana, a anabela e o brasil no que foi uma inconsequente noite bem passada.



joana: prometo que para a próxima também eu digo alguns poemas...

5 de janeiro de 2004

voltar ao dia-a-dia. torrente de palavras por dizer, coisas por contar, conversas que se aceleram no fast-forward.

decisões, concretizações de planos agendados.

estou contente com a minha vida

and that's it.

2 de janeiro de 2004

nem sei bem porqê mas sinto-me um pouco triste... espero que isto n seja quilo que se costuma chamar "new year's blues"...

o último poema de 2003 foi este (hoje apetece-me revel´s-lo ao mundo, numa world premiere)


hipóteses que segredamos
em surdina 
à mesa do café
no terror de que sejam reais.
o sentir sem limites
emoldurado entre quatro paredes.
a medição do que não se mede.
o medo de que não se fala.o café frio da espera
sorvido numa concentração
de acção necessária.
hipóteses que segredamos
por meias palavras
num café público
de esperas.
a pressa da conversa
alongada
o adiar de uma conclusão
que se espera. 
à mesa do café
um sentir sem limites
na medição do que não se mede.






tenho demasiados cadernos em branco este ano. foi um ano agradável. ambíguo. que fazer de 2004?