10 de junho de 2004

é como se... como se tudo o que eu tivesse a escrever já tenha sido escrito... sinto-me vazia... vazia há mais de um ano... vazia de palavras... como se já te tivesse dito tudo e tudo tivesses tu ouvido (ainda que tão pouco tenha passado pelos teus ouvidos)


estou profundamente triste e não tenho as palavras para te dizê-lo...

reencontro-me nas memórias de ti...


"(...)I can't believe this world is still turning(...)

And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

(...)Oh, when will this tired heart stop beating?, It's all a game, Existence is only a game
And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

I'm, Slipping below the water line, I'm, Slipping below the water line
Reach for my hand, And, And the race is won
Reject my hand, And, The damage is done(...)"

Morrissey in You Are The Quarry



sinto-me deslizar para um quarto escuro...

e apetece-me fazer como o lynch fez para uma das suas curtas-metragens: pintar toda a casa de negro... plantar uma semente na minha cama... manter contigo uma relação auto-incestuosa, meu pedaço de mim...
caio na apatia dos gestos repetidos à exaustão na memória luminosa da tua presença... caio no facilitismo da memória do teu sorriso... e não te quero reencontrar, pedaço de mim... não te quero ver. não me quero cruzar contigo senão em inócuas conversas pela madrugada, para que, logo a seguir, se diluam na matéria febril dos sonhos...

curvo-me.

o meu peito dói-me.
a brancura da minha saia está manchada com finos bagos de romã...


há nódoas que não saem...

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