28 de julho de 2004

bem, como se o dia de ontem não estivesse a ser mau... caí das escadas abaixo. nada partido. muitos hematomas (e graves), perna imobilizada por três dias...

fantástico... aborrecimento ao fim do primeiro dia. é esse o balanço. nem conduzir posso e agora, até a mais simples deslocação, o mais simples movimento acarreta dores...

como se o meu dia não estivesse já estragado...

27 de julho de 2004

"This world is full, So full of crashing bores, And I must be one, ‘Cos no one ever turns to me to say Take me in your arms, Take me in your arms, And love me

(...)

This world, I am afraid, Is designed for crashing bores, I am not one, I am not one You don't understand, You don't understand, And yet you can"

Morrissey, in You Are The Quarry


encontrar-te esta manhã
na repetição dos gestos diários, rotineiros...
encontrar-te ao acordar, ainda com sono nos cantos dos olhos.

gostei do que disseste. e como, novamente, falaste por nós. como disseste as palavras que não te direi.

penso em ti subconscientemente... e em como me atrapalhas...

há portas que nunca se fecham.

26 de julho de 2004

desejo-te...


massajas-me o coração.

doem-me as costas, os olhos...

reflexos de outros faróis ainda na minha retina. tu ainda na minha retina.

140km/h...

a vida em fastforward... em rewind..

tenho a fita gasta... tudo em pause!

25 de julho de 2004

caminho pela casa suavemente. como algo se partisse ao mínimo barulho. céu azul lá fora.

mantenho as portadas da casa fechadas. restos de luz que passam pelas frinchas. céu azul lá fora. azul puro. mesmo de olhos fechados, eu sei que há um céu azul-puro lá fora.

não há barulho cá dentro. silêncio do calor do meio dia. a mesa no pátio, ainda com os restos do almoço. o jornal dobrado no banco do jardim.

restos de um domingo.
gostava de poder ligar-te. dizer-te que, esta noite, sonhei contigo. e com a tua cama.
gostava de poder ligar-te, sem qualquer tipo de restrições. contar-te a matéria de que são feitos os sonhos. dizer-te ainda que acordei e interroguei-me se não seria verdade, o sonho que tinha sonhado...


Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera

de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma

enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
 
Fernando Pinto do Amaral
de Às Cegas




 

 
há segredos que ainda guardo.

últimas estrelas do que não quero que morra.

as recordações de ti.




24 de julho de 2004

começo este dia a ouvir o novo album do Rodrigo Leão, Cinema. absolutamente lindo.

o single de abertura conta com a participação de Ryuichi Sakamoto, ao piano,  e da cantora brasileira Rosa Passos. cantora desconhecida entre nós.  

rodrigo leão vai estar no Sudoeste este verão... se eu fosse, seria a segunda vez que o veria no sudoeste... nós os dois a bisar o festival... mas não vou. e ele vai ter de tocar sem mim... e eu vou ter de levar o "cinema" pra itália para colmatar a falta...

23 de julho de 2004

costumava andar sempre de joelhos esfolados. colants que caiam pelas pernas abaixo e camisolas que picavam na gola. brincava com os bonecos perguntando-me se eu própria não seria também um boneco nas mãos de alguém, se a minha vida não estaria a ser imaginada por alguém exterior a mim. se a minha existência dependeria directamente desse ser... como eu, que manipulava os bonecos, na borda da minha cama.

 
agora durmo todo o dia. desperdiço as horas de sol. murcho.

21 de julho de 2004



quase de férias... quase... quase... quase...


boas e más notícias... bons e maus sabores...

itália itália itália...

(estou a ficar sem ter que dizer...)

16 de julho de 2004

mais uma semana... mais uma semana de "esforço-final" (como diz a minha mãe).
 
últimos retoques na curta-metragem (que é como quem diz, mas porque é que esta porcaria dá erro cada vez que eu tento gravar!!!!)
 
estudar. estudar numa maratona contra-relógio. cartas de "apesar de seres muito boa (i.e., nem lemos nada do que enviaste mas toma lá a carta pró-forma), não obrigado, não estamos interessados"...
 
mais uma semana... sete dias sempre úteis...

15 de julho de 2004

mais uma... desta vez da quasi...

o que vale meus caros/caras, é que estou quase de férias... (é o quase que me mata!). daqui a pouco estarei a viajar, rumo a itália... uma road trip à moda antiga.
e o calor que está...

11 de julho de 2004

apetece-me levantar desta cadeira e correr contra a parede, do fundo da sala.

(estou farta de trabalhar!)
interrogo-me sobre as tuas partidas e chegadas.
a delicadeza obrigatória, intrínseca à tua derme.



a natureza dos teus gestos. interrogo-me sobre a cor do céu... sobre se borras se diz "bórras" ou "bôrras"... se deva emigrar por causa do novo primeiro ministro ou não. se deva abrir cartas que me vêm endereçadas ou temer o seu conteúdo.

interrogo-me sobre a maciez das tuas costas.

interrogo-me sobre a estrela que tens impressa na íris dos teus olhos.

interrogo-me sobre a verdade encerrada na velocidade da tua vida.

10 de julho de 2004

esta noite sonhei contigo...

e o dia amanheceu como tu. rasgos de sol e vento frio. calor e nuvens...

todo o dia, desencontros. as vidas que se julgam tão separadas, desconheciadas, afinal paralelas, próximas. à distância de um braço esticado, de uma mão estendida, aberta, de encontro às costas.

crostas de feridas antigas, salientes por sobre a pele.

desenhos. espirais intermináveis.
os caracóis do teu cabelo pousados no pescoço...



"e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão


(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade
"


Al Berto

9 de julho de 2004

a nossa curta-metragem está quase acabada. a montagem, pelo menos, está pronta...


questiono-me sobre a sanidade mental, sobre desiquilibrios hormonais, deficiências de comportamentos, questiono-me sobre a fé dos homens e a minha...

questiono-me sobre as pequenas coisas da minha vida... sobre porque é que, sendo verão está frio, porque é que o despertador não tocou esta manhã...

sobre a fotografia que anseio tirar...

8 de julho de 2004

estes foram os dias mais felizes que me podias ter dado.

tudo está em aberto entre nós, a loucura e a cumplicidade. estes foram os dias mais felizes que me podias ter dado.




a tua cara ao amanhecer, ainda adormecida...
o teu cheiro na almofada...
a brincadeira das tuas mãos...

2 de julho de 2004

1 de julho de 2004

o país está louco. louco pela selecção, louco porque se aponta santana lopes para primeiro ministro. está tudo louco.


e a ti... só te posso dizer que releio as tuas mensagens, encontradas já no monte de papéis destinados à reciclagem. apenas te posso dizer que não sei de ti.

e não me custa (tanto)