27 de dezembro de 2004

enquanto aqui estou, sentada à frente do computador, nesta noite tão, tão fria, ouvindo o "Clare de Lune", do Debussy, pegando no meu moleskine e lendo as palavras miudinhas que nele escrevi;
enquanto aqui estou, pensando em ti, e em como gostaria de ouvir a tua voz, neste exacto momento, em que o telefone poderia tocar, um fax chegar ou até uma mensagem aparecer no visor do telemóvel, enquanto aqui estou, no centro de todo o centro comunicacional da casa, nunca me senti tão periférica, afastada de tudo o que é comunicação.

enquanto aqui estou, enquanto não saio de casa para ver a minha "sobrinha", de quatro meses (que diz "ah" sem saber que diz "ah" e que "ah" pode ser mil palavras, mil sugestões; que nem minha sobrinha verdadeira é), passo em revista as palavras escritas no meu moleskine. e creio incrível que o tenha escrito numa só noite de insónia.

creio incrível a quantidade de gente que saíu de casa hoje para ir às compras, creio incrível como é que ninguém está em casa por estes dias... e como o ano passou tão depressa.

e como tu chegaste a casa tão depressa...

18 de dezembro de 2004

hoje ouço...


"the sadest songs are the happiest
the hardest truths are the easiest

put yourself to the test and tell me if you still need me"
e é esta a banda sonora do meu dia...

17 de dezembro de 2004

e porque o telefone não pára...

o meu telefone tem sido, nos últimos tempos, uma verdadeira central telefónica.

quer dizer, com verdadeira justiça, há que dizer, com verdade, daquela verdadinha, que tanto tem estado imparável, como num frenesim que só visto.

mensagens, telefonemas e erros de sistema (que me fazem ir à falência!)
como é que um objecto tão pequeno nos transfigura a vida. a .j. dizia que, desde que tem telemóvel, já não é feliz, mas eu sei, e ela também sabe, que as coisas não são, de todo, assim...

de qualquer forma, e voltando ao meu telemóvel... mensagens vindas de perto, de longe, dos confins do tempo, telefonemas de quem já não se vê há muito. tudo muito espontâneo. e eu gosto disso. de ouvir o telemóvel tocar, olhar o visor e surpreender-me com a origem de quem me liga, de quem me procura, de quem se lembrou por mim...




de quem se lembrou de mim, fui eu própria ontem à noite (por falar em lembrar...). e peguei no quarto em chamas... e apeteceu-me queimá-lo.

as coisas tornam-se agora mais reais e palpáveis... mais etéreas e importantes.

um novo livro se insurge e batalha pelo seu próprio lugar. morte às chamas.
incendiemos agora uma nova cidadela.

14 de dezembro de 2004

11 de dezembro de 2004

preciso das tuas mãos.

afastando-me o cabelo da cara. a sentir nas costas o roçar da tua pele.


"agora já está"
como eu costumava dizer quando ainda era tão pequena que ainda cabia dentro dum bolso (eu nunca coube num bolso. só nos meus bolsos cabem mãos, ainda que não as minhas)
e às vezes (mas só às vezes) encontram-se segredos nos bolsos das calças. como esta manhã, nos bolsos de trás das minhas calças (eu uso saia, mas não tantas vezes quanto gostaria...).

estes dois dias, o coração a bater forte no peito, enquanto falávamos no comboio. fotografias e brincadeiras com uma lomo velhinha (será que as fotos vão sair?)


ganchos em forma de boneca..


quem precisa agora de uns ganchos sou eu!

cortei o cabelo... o meu cabelo que, pela primeira vez na minha vida, estava longo longo longo longo e eu gostava!

mas cansei-me e quis cortar. cortar um bocadinho, para que ele ficasse um bocadinho diferente. comprido mas diferente... e o resultado...



pareço o gajo dos europe! sim, quem não se lembra do mitico "final countdown"!
dos penteados à anos 70/80 do rock, punk! bah! sei lá! pareço uma punk arrocalhada...
pareço deslocada no tempo...


eu quero o meu cabelo de volta...

8 de dezembro de 2004

rodopio em mim própria.

com o ano a acabar.
acabo de me aperceber como há coisas que se deixam para nunca acontecerem mais. e como o passado não se repete a si mesmo. melhora-se.

2 de dezembro de 2004

Here I am
still walking down

não sei mais a
forma de te chegar lume
não sei mais a forma
de te mostrar a
cor deste rio que
não é verde
como o teu

Acabámos sempre aqui.
Por mais países
para onde fujas
acabamos sempre aqui.
a dizer coisas fora de tempo
a querer histórias fora de ritmo

Aqui estou
por mais países
para onde fuja.
não sei mais a forma
de te dizer.
Acabamos sempre aqui.
De volta da mesma chave
sem nunca lhe tocar.

tenho um moleskine. aonde aponto os poucos pensamentos que me têm ocorrido. como o Van Gogh ou o Matisse.



longe de mim querer comparar-me a eles... até porque o meu jeito para pintar e desenhar é nulo.

mas tenho um moleskine. que cabe em qualquer bolso das calças. que percorreu comigo toda a europa e todo o verão.
aonde acabo por riscalhar tudo o que me vem à cabeça...
agora só faltam as palavras.