15 de agosto de 2005

there's something unreal about all this...

como se se tratasse de um sonho. uma ilusão que custa a passar. como quando sonho acordada por dias e dias seguidos. sempre continuando as ilusões, completando-as com pequenos detalhes. explicações para o porque das cores saturadas, a luz, os planos.

só que agora não tenho cores saturadas. tudo me parece esbatido. esfumado. pouco nítido.
como quando fui operada. sem conseguir focar o mundo à minha volta. lágrimas que me magoavam e se embebiam no penso, por cima do meu olho. tuneis de luz, de sombras.

dias de calor. que passam céleres por mim. sem deixar marcas que não as que vêm de um normal dia de praia.

desço a rua sozinha. passo pelas casas antigas. os mesmos vizinhos que sempre ali viveram. por anos, desde o século passado, sempre os mesmos vizinhos. as mesmas famílias, as mesmas histórias, cobertas de pó e fotografias a preto e branco. sempre a mesma festa, por estes dias. os imigrantes, as pipocas e os bolos de açucar. os balões e a banda pimba, a tocar, noite após noite.

desço sozinha a rua. ninguém me conhece. nunca ninguém me conhece. nunca me cruzo com alguém conhecido...

há algo de irreal em tudo isto. por vezes, naquele momento, antes de abrirmos os olhos, em que ainda sonhamos mas damos conta do que se passa à nossa volta, acredito que, quando abrir os olhos, vou acordar no quarto onde cresci. na casa onde cresci. e, quando os abro, fico desorientada, desconhecendo, por alguns momentos, onde estou. mas sei que não estou na casa onde cresci. não na casa onde cresci. e há uma penumbra sobre os móveis, sobre a minha vida, uma penumbra de irrealidade... como se fosse acordar a qualquer momento....

talvez agora acorde.... espero só o despertador.... só mais cinco minutos....

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