27 de julho de 2006

sono...



hoje custou-me a acordar. aliás, hoje recusei-me a acordar durante 20 minutos inteiros (era o limite suportável para não chegar atrasada). mas só me apetece férias, mesmo sabendo que, ao fim de dois dias não sei o que fazer com tanto tempo por minha conta... à vezes acho que corro sérios riscos de me tornar uma workaholic... meto a cara no trabalho e o mundo desaparece. e eu não sou eu. só de manhã, quando o sono me assalta irremediavelmente e eu quero mais um bocadinho (só mais cinco minutos) para dormir profundamente... só aí tenho tempo para me lembrar de mim.

26 de julho de 2006

QE

tive 95 no meu teste de Quociente Emocional... o máx é 100....

does that mean i'm handicaped?...

things i remember



quando este rapaz apareceu a cantar, apareceu-me assim... a preto e branco, a falar do que ele cantava, e do que eu gostava de cantar. apareceu-me assim, simplesmente assim. quando ainda ninguém o conhecia. quando eu ainda não te conhecia. quendo tu e eu éramos entidades diferentes.

nunca soube escrever letras de músicas e tenho pena. porque gostava de saber escrever para que alguém pudesse cantar...

Still a little bit of you laced with my doubt

Still a little hard to say what's going on

20 de julho de 2006

T r a n s p a r ê n c i a s

venho da praia de um verão em que as ondas rolam redondas e
lisas
sobre o mar sem formar espumas
e os olhos gulosos engolem glaucas e
mornas transparências
goles de azul e verde
fazendo inveja à língua aos
lábios e à goela.

por que me induzes por areias sem águas
ou zonas infestadas de
feras
ou paludes sombrios
ou friagens cíticas
ou mares coagulados

por que me queres nessa terra monstruosa e trágica
onde erram poetas
e mitógrafos
e nada é certo nada claro.

Antonio Cícero

(in o carioca - revista de arte e cultura nº 2/ julho e agosto 1996)

13 de julho de 2006

eu e tu costumávamos ser nós

hoje lembrei-me de ti. e de todas as coisas boas que me escapavam já da memória porque os dias passam na modorra da tua ausência sem que nunca os aviões deixem de passar na minha janela.
novamente escrevo como há muito não escrevia e ao reler-me não me reconheço. não me gosto.
e o inicio de tudo em três semanas, em contagem decrescente. e um frio no estômago... uma incerteza que dorme comigo...

quando eu e tu éramos nós... eu podia contar-te estas coisas...

11 de julho de 2006

maybe tomorrow...



Rosie Thomas "If songs could be held"

afinal....

afinal tenho escrito... curiosamente não tinha noção de que tenho andado a escrever, para além daquele que eu considerava o meu último poema...

e afinal, ao contrário do que eu pensava, tenho escrito umas coisas. como hoje, à vinda para casa, mais de uma página que me surgiu de repente, sem que eu esperasse...

e foi curioso como li uma entrevista (há tanto que a "ler" andava na minha mochila, de trás para a frente, entre viagens constantes sem tempo para ser lida) com o manuel antónio pina e, não consigo lembrar-me literalmente da frase mas a ideia era, a de nos surpreendermos connosco e com a nossa escrita. a escrita enquanto surpresa. e eu surpreendi-me. novamente, como há tanto não fazia, surpreendi-me. e vi que tenho poemas para te dizer que a vida não me permitiu...

há surpresas boas...

3 de julho de 2006

abraço

o braço por cima dos ombros.
entre-dedos memórias que nos vêm distantes. de quando eu passava os dedos pelo teu cabelo e tu inclinavas a cabeça para trás, de olhos fechados.
a exposição indefesa do teu pescoço...

a barreira ultrapassada da intimidade que nos deixa aninhar num carinho já antigo. com covinhas onde um corpo costumava descansar...

encosta-te a mim.
eu sei de todos os teus males a história. e sei das noites em que tudo é vertiginoso.

e por enquanto é só isto que posso fazer. é só isto que te posso dizer... encosta-te a mim. fecha os olhos. eu ficarei de guarda na escuridão da noite. a lua cheia ainda vai tardar...


Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.

Maria do Rosário Pedreira