20 de julho de 2006

T r a n s p a r ê n c i a s

venho da praia de um verão em que as ondas rolam redondas e
lisas
sobre o mar sem formar espumas
e os olhos gulosos engolem glaucas e
mornas transparências
goles de azul e verde
fazendo inveja à língua aos
lábios e à goela.

por que me induzes por areias sem águas
ou zonas infestadas de
feras
ou paludes sombrios
ou friagens cíticas
ou mares coagulados

por que me queres nessa terra monstruosa e trágica
onde erram poetas
e mitógrafos
e nada é certo nada claro.

Antonio Cícero

(in o carioca - revista de arte e cultura nº 2/ julho e agosto 1996)

Sem comentários: