28 de novembro de 2006

mário



estação

Esperar ou vir esperar querer ou vir querer-te
vou perdendo
a noção desta subtileza.
Aqui chegado até eu venho ver se me apareço
e o fato com que virei preocupa-me, pois chove miudinho

Muita vez vim
esperar-te e não houve chegada
De outras, esperei-me eu e não apareci
embora bem procurado entre os mais que passavam.
Se algum de nós vier
hoje é já bastante
como comboio e como subtileza
Que dê o nome e espere.
Talvez apareça

Mário Cesariny


morreu ponto
e como tantos outros vírgula não o conheci vírgula a não ser por tudo aquilo que li dele parêntesis e sobre ele fechar parêntesis e por tudo que vi dele vírgula e por tudo que ouvi dele ponto
não estive como o gato vírgula enroscada à porta do cemitério ponto
mas daqui do alto te chamo dois pontos Cesariny exclamação
e tu ainda mais do alto espreitas ponto e sorris-me da vigia ponto

22 de novembro de 2006

taras e manias

disseram-me a palavra proibida que não me deixa resistir...

e pronto, vejo-me "apanhada" neste spam... então as regras são:

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."


hummm... confesso que tive de pensar muito e muito e muito.... 5 manias?... não sei se consigo 5 mas vamos lá ver...


1) o abre-e-fecha da porta do frigorífico. sim, tinha esse hábito de abrir a porta do frigorífico milhares de vezes ao dia, só para olhar para lá. lol. qual o fascinio? não sei. mas tinha esse hábito! não sei explicar mas era completamente irracional e já o corrigi (sim ni! já não abro e fecho a porta do frigorífico muitas vezes! nem quando estou a cozinhar!)... passo a explicar: abrir a porta do frigorífico era a primeira coisa que fazia mal entrava em casa... não sei de onde veio o hábito mas pegou e ficou... agora, felizmente para a conta da electricidade e para o ambiente, já "despegou"...

2) tenho um bocado a mania de que tudo o me sai das mãos tem de ser o melhor possível. e depois fico irritada quando as coisas não me saem bem... saiam-me da frente quando isso acontece senão... levam com o meu mau humor (e não aconselho a ninguém! ;))

3) tenho a mania de ser paternalista (vá... agora há umas quantas pessoas que me vão "cair em cima" a confirmar isto). mas é verdade. tou a tentar corrigir! mas sou paternalista... é terrível e já me trouxe muitos dissabores mas sou terrivelmente assombrosamente e muitos mais "mentes", paternalista (vá, nesta caso, maternalista :p).

4) tenho a mania de que não sei desenhar e fotografar. mas a verdade é que, não sei desenhar. nem fotografar! lol.

5) tenho a mania de pôr os garfos com os dentes para baixo, quando ponho a mesa e as facas com o bico para baixo quando as ponho no cesto da máquina de lavar... pronto, são manias mesmo! daquelas em que uma pessoa até fica irritada se não vai tudo assim e perde tempo a corrigir as coisas pra ficarem.... "manientas" ;) geralmente, num jantar em casa de amigos, rodeio a mesa, pondo os garfos nessa posição... ou quando me sento num restaurante, é das primeiras coisas (e das mais inconscientes) que faço: ponho o garfo com o dentes virados para baixo.

pronto... foram tiradas a saca-rolhas mas cá estão as manias que me lembro assim de repente....

quem é que vou desafiar? hummmm

o borras de café (a quem quiser pegar no desafio)
a caliypso
o blog das meninas
a rainha das cores (anda lá, actualiza isso)
e a indigo!

tá passada a batata quente!

20 de novembro de 2006

a vida curta nas mangas*

fim de semana lisboeta com portuenses... uma mistura bombástica. tão bombástica que me arruinou a voz. afonia quase total (então à noite é ver-me caladinha que nem um rato).

saudades das amizades. do quotidiano. das gargalhadas às lágrimas...
mostrar-te a cidade, mostrar-me a cidade.

e agora tou aqui, quase sem voz... pareço um miúdo a quem a adolescência apanhou desprevenido...

olho por cima do ombro... talvez estejas aí e eu nao te esteja a ver bem. ou talvez te tenhas realmente cruzado comigo sem que me tenha, desta vez, apercebido.
há coisas que é tão difícil aprender...
a esperar...

*

16 de novembro de 2006

autch

sim, autch. autch porque me queimei a fazer café e agora estou de cinco em cinco minutos a correr para o wc para molhar a mão...

e enquanto ando às voltas com textos para refazer, textos para fazer, peças de tv para planear, storyboards para desenhar (que eu desenho tããããão bem!), enquanto ando às voltas com o livro 101 histórias zen (sim, é verdade, leram bem!) de onde tem de sair qualquer coisa (zen obviamente) sobre a longevidade,
enquanto ando às voltas com tudo isto...
passa-se mais uma semana cujas noites me têm custado tanto a passar.
falta-me tranquilidade, falta-me qualquer coisa como paciência. como alguém por perto. como alguém para quem voltar ao fim do dia.

15 de novembro de 2006

entre nós

You are welcome to Elsinore

Entre nós e as palavras há metal
fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos
morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre
nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças
sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras
de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que
deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens,
palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de
Elsenor
E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem
ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras
impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem
todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes
escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras
maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

Mário Cesariny



tenho-me emparedado de palavras por dizer e de palavras por escrever e de palavras por sentir.
e vi-te. reconheci-te. e tudo brota de mim como se aprendesse agora que tudo se pode dizer e escrever e sentir.

11 de novembro de 2006

everything's perfect from there

want to tell you "i love you" 'cause i really do. want to give you the answers if you ask me to. want to leave your door for the last time, want to leave the floor for the first time. leave the boys, leave the girls, leave it all behind... trust your dreams, your thoughts it's a matter of time. run right, run left, just don't look back... take this trip as your first step. because the tears that we wastes only make us blow, why we keep in repeat this antony song "...forgive me ...forgive me"
you know why i tried to be simple, i tried a lie... everything's perfect from there, and you know i need you there.
the gift - 645


as emoções todas à flor da pele. e é sempre assim. começa por um aperto no coração, depois fica tudo quieto, como se os poros se dilatassem para ouvir, para ver, para absorver. e depois é como uma avalanche. sempre crescente. sempre maior cuja presença é impossível de ignorar, de prever.
saltar e gritar e cantar ao som da tua voz e saber tudo de cor, como se de mim brotasse a música.

não tenho escrito nada a que chamar meu. e ontem tu disseste-mo sem nunca me teres dirigido a palavra: (escreve-me). ainda não consegui parar. e sentar-me. e escrever(-te).

mas tu cantaste-me.

ver-te ontem foi como uma demolição.
be strong, be weak, be aware