29 de dezembro de 2006

waiting time.

esperar-te. sentar-me tranquilamente enquanto leio um dos livros que trouxe comigo. e esperar-te.

não trouxe relógio comigo portanto não sei se te terás atrasado. confio que não. que a espera que me infliges não é propositada mas sim pura coincidência, um acaso.

ouço ao longe a igreja que descobri ter perto de casa, apenas há uns dias e que se parece tanto com o outro sino nortenho que ouvi anos seguidos no silêncio da noite (tantas coincidências que descubro no meu dia-a-dia).

e sei que te atrasaste. o livro acaba, página após página (como este ano que se gasta). e, no fundo, eu sei que não virás. que a minha espera (ainda que não anunciada) é em vão.
que todas as minhas esperas me trouxeram até aqui. até ao dia de hoje e até este lugar.

no meio da cidade, aguardando o sinal verde para os peões. carros que aceleram, que ultrapassam todos os limites.

as ruas que não se esvaziam de gente.

21 de dezembro de 2006

reach

estico a mão.
a tua voz do outro lado. o riso no fundo da garganta, atado num laço daqueles que fazias quando atavas as sapatilhas.

não neva aqui. mas faz frio. por estes dias faz bastante frio. procuro uma música, um cd. e encontro exactamente a música que te quero mostrar. e não existe em mais lado nenhum senão aqui. uma melodia que toca baixinho, a letra quase trauteada a duas vozes.

trauteio as letras que decorei contigo. uma banda sonora que me dá cor ao dia.

está muito frio por aí. mas aqui, quando estico a mão, é verão novamente.

18 de dezembro de 2006

dinner time

as palavras dolorosas arrumadas na prateleira de cima que as perguntas difíceis desarrumam...

e que, no fundo, estavam a precisar de uma "limpeza".

o pó que se acumula nos bibelôs que herdamos de quem nos passa pelos dias. as recordações de dias e viagens. de situações e de olhares. do que tu disseste e do que disse. e de como me olhaste.

o jantar que puxa a palavra na confusão de pratos e comida. de petisco e risos. a sobremesa que puxa a palavra na confissão do que se bebeu e de como se pretende seguir para casa.

e, no fundo, o alívio no peito por ter desarrumado o que estava tão lá atrás, no fundo da prateleira e que se precisava de chegar à frente....

it's dinner time.

14 de dezembro de 2006

9 crimes


damien rice, 9 crimes

olho por cima do ombro. constantemente por cima do ombro...
um par de olhos que se crava nas minhas costas sem que eu os consiga identificar no meio da rua vazia.

e se os meus olhos brilham quando olham nos teus não é mais que um reconhecimento do tempo que faz lá fora.

12 de dezembro de 2006

stop

tudo aquilo que fica sempre por dizer. stop. como num telegrama. stop. tudo o que fica embargado aqui, no fundo da garganta. stop. tu sabes do que estou a falar. stop.

enviar-te uma missiva
algo mais que um telegrama ou um telefonema onde a voz dissimula aquilo que não se pode dizer, onde a cabeça manda mais que os olhos.
enviar-te uma missiva que não tenha suporte físico nem restrições, onde possas saber tudo o que fica aqui, no fundo da garganta e que não pode ser dito.

stop.

sem saber parar ao sinal (foi por isso que chumbei no primeiro exame de condução!).
o vermelho sempre me lembrou paixão. nunca restrição.


mas stop.
alguma coisa há-de acontecer. alguma coisa se presta a acontecer.....

9 de dezembro de 2006

isto não é o que parece

isto não é o que parece.
é bem mais simples do que possas pensar. é o fim de uma era. pura e simplesmente, é o fim de uma era.

não tenho em minha casa prateleiras suficientes para me poder desarrumar casa fora. encosto os sacos junto à parede. ladeio o caminho com tarefas inacabadas.
saio na procura do inverno que teima em não chegar este ano.

o vento que se levanta frio.
os cabelos brancos em desalinho por cima do quente robe de veludo vermelho-carne.
a tua vida que se cruza comigo no arrastar dos chinelos rosa de felpo. gastos nas pedras que se levantam da calçada e se perdem no meio da rua. o frio que entra pelas fibras do casaco, da camisola, pelos poros de todo o meu corpo, num arrepio braços acima, peito acima.

o teu olhar que não se cruza com o meu. daqui só vejo a insónia cinza de ti, num gesto de protecção que fazes, abraçando o corpo, que se curva no frio que de repente se faz sentir.

está já aí o inverno.

8 de dezembro de 2006

azul

tudo o que eu dizia era novidade. tudo o que eu dizia era feito de palavras, de frases, de construções novas.

mas tu não ouvias nada do que eu tinha para te dizer. nenhuma das minhas palavras novas, das minhas frases novas, das minhas novas construções.

olho o tecto do meu quarto e daqui consigo ver o céu. e apesar da chuva apesar do vento que faz lá fora, daqui consigo ver o azul do céu. a claridade do dia sem nuvens. talvez apenas uma ou duas. brancas. a vaguear no céu.
daqui consigo ver as casas e todas as ruas por onde moro e por onde quero morar. vejo o rio ao fim da rua e as pontes que o atravessam. o eléctrico que chia nos carris, na pressa de chegar a tempo à paragem. subo e desço as ruas de edifícios brancos, públicos, à disposição de quem lhes quiser pertencer.

das coisas que eu tenho para te contar e para te perguntar, nenhuma ficou no mundo.


é tempo de dizermos: sinto a tua falta.

2 de dezembro de 2006

ah e tal... sou amarela...

YELLOW

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