8 de dezembro de 2006

azul

tudo o que eu dizia era novidade. tudo o que eu dizia era feito de palavras, de frases, de construções novas.

mas tu não ouvias nada do que eu tinha para te dizer. nenhuma das minhas palavras novas, das minhas frases novas, das minhas novas construções.

olho o tecto do meu quarto e daqui consigo ver o céu. e apesar da chuva apesar do vento que faz lá fora, daqui consigo ver o azul do céu. a claridade do dia sem nuvens. talvez apenas uma ou duas. brancas. a vaguear no céu.
daqui consigo ver as casas e todas as ruas por onde moro e por onde quero morar. vejo o rio ao fim da rua e as pontes que o atravessam. o eléctrico que chia nos carris, na pressa de chegar a tempo à paragem. subo e desço as ruas de edifícios brancos, públicos, à disposição de quem lhes quiser pertencer.

das coisas que eu tenho para te contar e para te perguntar, nenhuma ficou no mundo.


é tempo de dizermos: sinto a tua falta.

2 comentários:

indigo des urtigues disse...

Para acompanhar esse azul, deixo-te um beijo indigo!:)

.joana. disse...

Não sei se o objectivo era escrever um post ou um poema, mas partindo do princípio que é um "poema-post", parabéns pelo resultado! É muito bonito. Mesmo e muito.