20 de agosto de 2007

Lourdes de Castro, "sombra projectada de claudine bury"
o quadro aqui

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele.
E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão e a tua boca deixou um rasto de canções.
No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida - como um peixe respira na rede mais exausta.
Nem mesmo à despedida foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti é um poema.
Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem.
Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Maria do Rosário Pedreira.


quando remexemos em papéis e memórias há muito ocultadas pelo passar dos dias... há sempre poemas que nos esperam.

novamente, não é meu... mas não deixa de ser assim...

4 comentários:

Anónimo disse...

O r. já fez um trabalho sobre a sombra, dando particular atenção ao trabalho, muito interessante, dessa senhora.

:)

.j.

indigo des urtigues disse...

...memórias..latentes..ai como elas vêm..malditas às vezes, mais ainda assim, tenta-se sorrir!

beijo

lamia disse...

A intensidade e a força que ganham os fantasmas em dias assim. Fantasmas que nós mesmos alimentamos porque não somos capazes de deixar partir.

Rosa disse...

Quadro fantástico!

Por acaso não sabes onde posso encontrar mais informações sobre a autora/quadro (sem ser o site do museu Berardo)?