31 de outubro de 2008

pormenores de londres

o "olho"

render da guarda em Horse Guards Parade

mercado de notting hill

carros de gelados
jardins da tate modern

(a propósito, ontem à noite vi raposas aqui perto de casa)

28 de outubro de 2008

batem leve levemente

e foi mesmo assim que eu olhei para fora da janela e vi... que estava a NEVAR!!!! sim, já sei, tenho 25 anos e pareço uma miúda mas nunca tinha visto nevar. neve só na serra da estrela e no chão. mas aqui.... aqui que até nem costuma nevar.... olho para fora da janela quando deixo de ouvir a chuva e o que vejo? flocos brancos e flutuantes.

já fui meter o nariz na rua duas vezes, já escorreguei e liguei a toda a gente que o meu saldo permitiu.

tá a nevar.... :D


Discover Dean Martin!

27 de outubro de 2008

"não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro"

"Amo-te tanto que te não sei amar, amo tanto o teu corpo e o que em ti não é o teu corpo que não compreendo porque nos perdemos se a cada passo te encontro, se sempre ao beijar-te beijei mais do que a carne de que és feita, se o nosso casamento definhou de mocidade como outros de velhice, se depois de ti a minha solidão incha do teu cheiro, do entusiasmo dos teus projectos e do redondo das tuas nádegas, se sufoco da ternura de que não consigo falar, aqui neste momento, amor, me despeço e te chamo sabendo que não virás e desejando que venhas do mesmo modo que, como diz Molero, um cego espera os olhos que encomendou pelo correio."

* António Lobo Antunes,
in Memória de Elefante,
publicações Dom Quixote
leituras passadas que me surpreendem quando menos espero

24 de outubro de 2008

1984 (ou como o Orwell não era um gajo tão original quanto isso)*

*quem não está familiarizado com essa brilhante obra que é o 1984 , que o vá ler que só tem a ganhar!

ora comecemos por Orwell... sou uma fã confessa do 1984 (e do animal farm mas esse, para este post, não risca nada). sempre achei que era um livro emblemático e definitivamente progressista para a época em que foi publicado (1949).

mas, depois de um mês a viver no uk.... orwell, meu caro... já percebo de onde vieram as tuas ideias.

ora esta malta que não tem nem quer ter bilhetes de identidade (a rainha anunciou a introdução deste "método de controlo" em 2005 mas só vão começar a ser emitidos para o ano - decisão que levantou os ânimos e originou uma onda de protestos), tem câmaras em cada esquina, em cada rua, loja, transporte público, edifício, a plaquinha da CCTV lá está, a marcar a sua presença e a relembrar a tudo e todos que estão a ser observados (uma espécie de "sorria, estamos a vê-lo a comprar essa garrafa de rum e um pacote de pensos higiénicos").


e, estes tipos que não querem ser "controlados", têm umas formas geniais de o demonstrar. senão vejamos:

ocasião: tive de abrir uma conta no banco (depois de um mês de resistência)
cenário: depois de ter ido à sucursal errada ("sorry, international students accounts are only handdled in the branch X"), acerto com a sucursal e é-me dada para as mãos uma pasta com dois livrinhos que, segundo a senhora, tenho de preencher enquanto espero. e eis perguntas tão simples e "rotineiras" como "de onde vem o dinheiro com que vai abrir a conta?", "os próximos depósitos que proveniência terão?", "quanto dinheiro espera movimentar nesta conta durante o espaço de um ano?"... faltou apenas perguntarem-me se gostava de soutiens com ou sem almofadinhas e se quando era pequena a minha mãe me amamentou até ao primeiro ano.

mas lá preencho tudinho. sou chamada e comento com a gestora de conta que estava a tentar não abrir uma conta cá ao que ela se ri e diz "in the uk? impossible to live without an uk account". a senhora informa-me então dos meus deveres para com o banco e diz-me para voltar no dia seguinte, para me abrir então a conta.
e perguntam vocês, mas não foi na hora? não. não foi na hora. mais, sou ainda informada que, como sou estudante internacional, tenho de iniciar a conta com o dobro do dinheiro necessário do que se fosse inglesa. ou seja, por exemplo, em portugal precisamos de 100 euros para abrir uma conta... imaginem que eu aqui precisaria de 200 (que não é o valor... nem de perto nem de longe! lol) mas não preciso de dinheiro para abrir uma conta... apenas para a activar.

parece um contra-senso? parece. mas segundo os senhores não... ora vejamos.... eu abri uma conta sim senhora. já tenho um número atribuído e tudo. mas, para que esta esteja "activa", ou seja, para que possa fazer movimentações de dinheiro, preciso de lá por dinheiro E AINDA... de ligar/mandar sms/passar pela gestora a avisá-la de que o fiz. senão ela não me manda um cartão de débito.

ok... mas podiam ser só os bancos, certo? errado... senão vejamos: próxima paragem, british library.

ocasião: fazer-me "leitora" da biblioteca (vulgo arranjar o cartãozinho para entrar - sim que para entrar nas salas de leitura/chegar aos livros, é preciso um cartão)
cenário: british library, com 14 milhões de livros e muitos milhares doutras delícias do género (isto depois de ter aberto a minha carteira à entrada e ter deixado o senhor segurança olhar lá para dentro - para a próxima meto lá uma máscara sado-maso ou coisa do género)

ora chego e digo à menina que me quero fazer leitora. pergunta ela "para quê?" resposta óbvia "to see the books!". pergunta-me se tenho documentos comigo. respondo que sim. ok, diz ela, então vá ali para aqueles computadores e procure na nossa base de dados os livros que quer procurar. faça uma lista com os títulos e com os números das prateleiras e volte aqui.
ai o camandro, penso eu, então não vou poder ver tudo? então e se eu quiser livros diferentes!?
bom, mas lá fui pesquisar "uns três", como ela me disse.

volto à menina que me manda para outro pc fazer o registo como nova leitora. e o que me pergunta o pc? pois como me chamo, sim senhora, pergunta. mas também me pergunta quais os propósitos da minha visita (estive tentada a responder "quero aprender a fazer bombas caseiras"), qual a minha universidade, o que andava lá a fazer, quando começou e quando vai acabar o meu tempo por lá, etc etc etc... depois deu-me um número e mandou-me esperar.
um senhor chama-me, tira-me uma foto e pergunta-me pelos livros que eu queria ver. e lá percebi, aquilo é para guiarem as pessoas directamente aos departamentos que lhes interessam e explicarem os códigos que aparecem. menos mal!

explica-me ainda ele... "quando cá vier, tem de descer até ao bengaleiro e deixar os casacos lá. se vier com mochila ou carteira, tem uns cacifos onde pode deixar tudo. tem lápis?" pergunta idiota, pensam vocês... mas não! porque, explica-me ele, "na british library não podem entrar canetas! apenas lápis e computadores portáteis". devo ter feito uma cara assustada porque ele acrescentou logo em seguida "não se preocupe, temos uns sacos de plástico junto aos cacifos para que possa levar tudo consigo para cima!". ah bom, pensei eu, se têm sacos plásticos fico bem mais descansada!

portanto, só com estes exemplos... orwell meu caro... não foi precisa muita imaginação para a mania da perseguição/controlo/observação...

estes ingleses dão cabo de mim (e aposto que os gajos que vêm a cctv aqui da residência já sabem o meu tamanho de calças e tudo!)

16 de outubro de 2008

Hyde Park, esquilos e Outono




hoje foi dia de passeio (é o que dá ter visitas por perto). Hyde Park e os esquilos (confesso que, a primeira vez que vi um esquilo em Londres foi até perto da minha universidade e fiquei tão histérica que não sabia se havia de ir à aula se fotografar o esquilo - escolhi a aula... já estava atrasada e eles aqui não brincam em serviço!).

uma coisa que me maravilha aqui é o outono... e eu que nunca gostei de estações intermédias, descubro que gosto muito do outono aqui em londres (há quem diga que é porque antecipo um inverno gelado). mas aqui o outono é mesmo outono. está fresquinho mas não propriamente frio e as árvores têm tantas tonalidades quanto o espectro permite.
em portugal nunca gosto do outono... ainda está muito calor para casacos e a oportunidade de "chutar-folhas-pelo-chão-enquanto-caminho-despreocupadamente-pela-rua" verifica-se,no máximo, durante uma semana. aqui temos relvados de folhas caídas (podem-se até ver as folhas a cair calmamente) e passeios de folhas e ruas de folhas e isto apesar de haver senhores a recolhe-las quase todos os dias...


ainda não consegui que os senhores esquilos me viessem comer à mão mas da próxima vez levo uma noz a ver se seduzo algum... (as más línguas dizem que não são só os touros que têm aversão ao vermelho. eu digo que estava smashing!)

6 de outubro de 2008

nos ouvidos...

enquanto o domingo passa, cinzento e outonal, enquanto cheiro a roupa lavada e quente ainda...


Discover Cocoon!