4 de novembro de 2008

cadernos antigos

pedaços de corpos
mãos e pernas
ombros
o suor salgado
ácido na língua
sem que consiga saber
qual destes é o teu e o meu sabor
o teu pé (perfeito)
junto à minha boca quando viro a cabeça
o calcanhar vermelho
a pequena ferida de sapatos novos
o sangue na ponta da língua
o corpo que estremece num ardor
a inspiração entre dentes
espreitas-me entre o amontoado de corpos
mãos e pernas
ombros
sexos
com o teu e o meu sabor
confundíveis
o teu olhar sobre a pele
sobre as curvas de uma cidade
inteira que nos separa
e nos come enquanto respiramos
o calor dos prédios
pintados em cores vivas
o teu calor que não sei
se não será antes o meu
por pernas e braços
e mãos
e ombros.
morde-me aqui
para que me sinta qual destes corpos
é o meu
morde-me com mais força
para que saibas qual destes ombros
é afinal o meu
magoa-me. prende-me.
sussurra-me obscenidades ao ouvido
mostra-me qual destas vidas é afinal a minha.

1 comentário:

Anónimo disse...

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