18 de novembro de 2010

purgar

v. tr.
1. Limpar, purificar pela eliminação das impurezas ou matérias estranhas.
2. Livrar das impurezas interiores por meio de purgantes ou outros medicamentos.
3. Administrar uma purga.
4. Fig. Livrar.
5. Tornar puro, desembaraçar.
6. Expiar.
v. intr.
7. Evacuar; deitar de si; lançar pus, humores, etc.
v. pron.
8. Tomar um purgante.

16 de novembro de 2010

foi totalmente inesperado. como são todos os choques.

o autocarro estava cheio. a dez metros do sítio onde era suposto parar. na paragem onde parei tantas vezes - para subir a rua inclinada que me levava a tua casa. uma pequena travagem e o choque. a surpresa. corpos projectados para a frente. um grito colectivo para, logo a seguir, dar lugar à indignação.
foi totalmente inesperado.

como são aliás, todos os choques.

horas mais tarde, no regresso a casa, foi como se nada ali se tivesse passado. o pavimento não guardava nenhuma memória do acidente. e, como sempre, surpreendi-me com a efemeridade.

como a minha imagem nos teus olhos.
surpreendentes os choques.
sempre.

23 de outubro de 2010

sinto-me definhar. não fossem estas pequenas alegrias, a lembrança de alguém que chegou de longe, as amizades que se vão firmando e pensaria que estava sozinha. Apesar de estar.

Sei que estou. E que essa é uma opção.

Deixo de me entender. de querer entender-me. de querer falar.

muito álcool no sangue, é esse o problema destas quase seis horas da manhã...

20 de outubro de 2010

hoje

A única resposta

Jantáramos os dois pela primeira vez:
amizade ou amor, pouco interessava
desde que alí estivesses. O meu mundo
ia mudando à medida do teu,
a cada gesto vão da vã conversa
antes que fôssemos pIo Bairro Alto
e enfim o Lumiar, a tua casa.
Eu podia contar uma história, dizer
como aquele rosto atravessava o meu -mas não,
«nada de narrativas, nunca mais».
Apenas a certeza de estar morto
há tanto tempo, que já não me lembro
de cor nenhuma dos teus olhos. Não,
já não existe o dia nem a noite
e este silêncio deve ser talvez
a única resposta. É bem melhor
ficar à espera de que não regresses.



Fernando Pinto do Amaral
in A Escada de Jacob
Assírio & Alvim

22 de agosto de 2010

weight

tenho pedras nos bolsos do casaco. sinto-as, não vale a pena negá-lo. e nem toda a corrida do mundo me fará perder o peso que me faz arrastar os pés...

pequenos ataques cardíacos. arritmias de um coração que bate demasiado devagar.


Discover the playlist invincible with Lilly Wood And The Prick
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23 de julho de 2010

a casa onde regresso mantém-se intacta. reconstruída que foi, tijolo a tijolo, enquanto o bulício do mundo nos mantinha distraídas.

o regresso era já esperado. os planos que deixámos feitos, em cima da mesa, não mudaram de lugar. traçavas então rectas limpas, sem necessidade de ensaio ou hesitação. havia então em nós a bruma da possibilidade e a nostalgia do futuro.

eu tinha mais palavras para dizer. pedaços de corpo que o tempo se encarregou de esquecer. as minhas palavras sempre pesaram na balança. formas exactas, massas pulsantes de sangue.

afastas a hera que cresceu no caminho de acesso à casa. o horizonte tingiu-se de verde, avançou ao alcance de duas mãos abertas.

se estenderes o braço, ainda conseguirás sentir o frio dos tijolos contra a pele

12 de julho de 2010

os nossos olhares cruzam-se por um breve instante e voltas atrás para ver melhor
quase te poderia nomear
mas o reconhecimento de ti é apenas uma memória que não tenho a certeza de estar intacta

os dias não me chegam para te reinventar.

28 de junho de 2010

memórias que irrompem por entre noites, corpos e o rio ali mesmo ao lado. histórias que merecem ser reescritas, revolvidas, revistas à escala apropriada. mesmo que as nossas mãos tenham crescido além do que seria de esperar.

ainda que eu não acredite em segundos encontros...


"Agosto

Rompem de novo aquelas mãos
a membrana da água
a mortalha do mar Cada braçada
agita o coração que pouco a pouco
atravessa o aquário do passado

Relâmpago do corpo - o que procuras
na voragem das ondas?"

in Pena Suspensa, Fernando Pinto do Amaral

14 de abril de 2010

equimoses

o correr da corda pelos dedos: queimaduras de terceiro grau.
mesmo quando a queda era já anunciada. ainda assim... como se prepara o corpo para cair? tenho a certeza de que os bailarinos têm truques para isso. mas nunca pratiquei dança na vida e nunca aprendi a preparar o corpo para as quedas.



23 de fevereiro de 2010

a caminho com a corrente (porque às vezes não é nada mau ir com a corrente...).

a cabeça pede descanso e conforto. o regresso às ruas por onde andava sozinha, inconsequentemente, inconscientemente, a meio da madrugada...

se pudéssemos estar apenas um pouco fora de tempo, em que tempo estaríamos?