23 de julho de 2010

a casa onde regresso mantém-se intacta. reconstruída que foi, tijolo a tijolo, enquanto o bulício do mundo nos mantinha distraídas.

o regresso era já esperado. os planos que deixámos feitos, em cima da mesa, não mudaram de lugar. traçavas então rectas limpas, sem necessidade de ensaio ou hesitação. havia então em nós a bruma da possibilidade e a nostalgia do futuro.

eu tinha mais palavras para dizer. pedaços de corpo que o tempo se encarregou de esquecer. as minhas palavras sempre pesaram na balança. formas exactas, massas pulsantes de sangue.

afastas a hera que cresceu no caminho de acesso à casa. o horizonte tingiu-se de verde, avançou ao alcance de duas mãos abertas.

se estenderes o braço, ainda conseguirás sentir o frio dos tijolos contra a pele

12 de julho de 2010

os nossos olhares cruzam-se por um breve instante e voltas atrás para ver melhor
quase te poderia nomear
mas o reconhecimento de ti é apenas uma memória que não tenho a certeza de estar intacta

os dias não me chegam para te reinventar.