23 de outubro de 2010

sinto-me definhar. não fossem estas pequenas alegrias, a lembrança de alguém que chegou de longe, as amizades que se vão firmando e pensaria que estava sozinha. Apesar de estar.

Sei que estou. E que essa é uma opção.

Deixo de me entender. de querer entender-me. de querer falar.

muito álcool no sangue, é esse o problema destas quase seis horas da manhã...

20 de outubro de 2010

hoje

A única resposta

Jantáramos os dois pela primeira vez:
amizade ou amor, pouco interessava
desde que alí estivesses. O meu mundo
ia mudando à medida do teu,
a cada gesto vão da vã conversa
antes que fôssemos pIo Bairro Alto
e enfim o Lumiar, a tua casa.
Eu podia contar uma história, dizer
como aquele rosto atravessava o meu -mas não,
«nada de narrativas, nunca mais».
Apenas a certeza de estar morto
há tanto tempo, que já não me lembro
de cor nenhuma dos teus olhos. Não,
já não existe o dia nem a noite
e este silêncio deve ser talvez
a única resposta. É bem melhor
ficar à espera de que não regresses.



Fernando Pinto do Amaral
in A Escada de Jacob
Assírio & Alvim