23 de novembro de 2011

Voltar a escrever II

descobrir: que ainda há música dentro de mim. e palavras indizíveis, sem forma definida ainda. palavras à espera de se encontrarem

13 de outubro de 2011

se bem te recordas...

houve um dia em que tudo desapareceu. não reconhecias mais o mundo porque nada nele te lembrava de ti. e voltaste a ver tudo pela primeira vez. lentamente, o sangue voltou a correr, urgentemente, pelas veias.

se bem te recordas...

não tens coração que consiga manter o ritmo durante muito tempo. afinal de contas, é um coração que bate devagar. muito devagar.

12 de outubro de 2011

I like to keep some things to myself


It's a shot in the dark and right at my throat

com duas pedras na mão

falou-me com duas pedras na mão
eu atirei-lhas de volta
por pouco não lhe rachei a cabeça
parti o vidro duma montra
ficou parecida com uma teia de aranha
chovesse, então, era uma maravilha
veio um polícia e levou-me
bem lhe expliquei a situação
visivelmente não compreendeu
que uma metáfora por vezes
tem consequências pouco legais
multou-me e aconselhou-me
a não reincidir
coisa que fiz logo de seguida

Bénédicte Houart in Aluimentos

24 de setembro de 2011

bird girls can fly

I am a bird girl now
I've got my heart
Here in my hands now
I've been searching
For my wings some time
I'm gonna be born
Into soon the sky
'Cause I'm a bird girl
And the bird girls go to heaven
I'm a bird girl
And the bird girls can fly
Bird girls can fly





resolução válida para o resto deste ano/início do próximo: ver Antony and the Johnsons em concerto...

17 de setembro de 2011

This is just an introduction

tentas arranjar-te porque sabes como são estas coisas.
passas os dedos pelo cabelo, já desalinhado pelo dia.
as mãos tentam dar a forma original à roupa já cansada do corpo, avalias-te ao espelho. cuidadosamente. sabes que trouxeste o perfume. aquele que está quase no fim, que a crise da carteira te obriga a racionares.

mas isto vai valer a pena.

apesar de ser apenas uma introdução. mas tu sabes como são estas coisas: momentos sempre melhores do que os do dia-a-dia. a adrenalina começa a correr. devagar ao princípio.
pressentes um arrepio, um pequeno tremor no lábio e é aí que sabes: "this is not just an introduction"

8 de setembro de 2011

Voltar a escrever I

Recomeçar é sempre difícil. Após tantos anos sem escrever, sem saber como abordar a pagina em branco, volto a tirar o caderno da mala, procuro a esferográfica e recomeço. Ao início são apenas pequenos arranques. Pequenas frases soltas que tentam traduzir as imagens que se projectam quando fecho os olhos. Pequenos flashes de informação que me relembram como aqui vim parar hoje. Arrepios que me acompanham e me fazem crer poder estar a ficar doente. Poderá ser apenas a memória intrínseca do corpo. O reconhecimento da aproximação. A mão bem aberta, de encontro ao chão desta cidade que tanto me deu para, mais tarde, reclamar para si. Um novo sabor na boca que me é familiar. E uma vontade enorme de regressar...

1 de junho de 2011

pontuação





nunca pensei ter este tipo de pontuação na minha vida mas diz que ser "tia" tem destas obrigações... pois é... parece que a vírgula vai passar uma temporada lá em casa e quem me conhece sabe que só mesmo por amor é que eu poderia conviver com um gato. quanto mais durante duas semanas!! mas pronto.... só porque ela é fotogénica, minha "sobrinha" e gosta de livros é que aceitei abrir uma excepção.





vamos ver como é que a coisa corre...

fotos de jbeleza

21 de março de 2011

pensamentos soltos:
- recomeçar a correr
- começar pilates
- acordar cedo diariamente (mesmo aos fins-de-semana!)
- encontrar rapidamente uma (boa) biblioteca pública
- encontrar tempo para ler mais
- encontrar tempo para escrever mais
- não permitir sapatos em casa além da sala
pensar mais em ti...

25 de fevereiro de 2011

Ao ouvir hoje Nuno Júdice veio-me à memória imagens e personagens adolescentes. Ideias, fantasias e ambições mas sobretudo paixões e ilusões e a aprendizagem de que, se não tomarmos a vida pelos colarinhos, ela toma rumos inesperados. Ou, pelo menos, rumos não esperados. Mas penso ainda em como tinha ganas de agarrar pessoas pelos colarinhos (ainda deitei a mão a alguns) mas aí residia o meu erro: querer agarrar colarinhos e não o pulso. Porque toda a gente sabe que, em caso de queda, se deve agarrar pelos pulsos o que quer que nos foge.