28 de maio de 2012

um arrepio que me percorre. iluminar-te por dentro com a surpresa que é a minha pele. os dedos que me percorrem. o contraste entre as duas peles. e o mistério que é o teu sentir. como fechas os olhos e jogas a cabeça para trás quando te toco aqui. e aqui. as mãos que agarram os lençóis. cerras os dentes. mordo-te aqui para que ainda saibas amanhã por onde estive. 

traço no teu corpo um mapa exacto, marco o norte para que saiba sempre o sentido certo da migração dos pássaros.




descobrir de novo aquele sítio secreto que é o fim do teu pescoço, o início dos teus ombros...

10 de maio de 2012

3 de maio de 2012

sensorial overload




tudo está bem


Eduardo Carranza 
in Um país que sonha (cem anos de poesia colombiana)

the first time

a primeira vez que te escrevi não sabia que te ia escrever sempre. que, a partir do momento em que pus no papel o teu nome, te inscrevi em todas as páginas que li e todas aquelas que viria a ler. que, cada vez que pegaria numa caneta, as letras do teu nome se desenhariam no ar, antes da tinta tocar o papel.

também não sabia que, se te tocasse, o que há de humano em mim morreria e que te tornarias num animal que me habita. que não me deixarias mais dormir nem sossegar. que os meus dias deixariam de ter noites e que a luz constante passaria a torturar-me o sono.

que as palavras voltariam a transbordar como se nunca me tivessem deixado.