17 de dezembro de 2014

dores de crescimento



“Sometimes I can feel my bones straining under the weight of all the lives I’m not living.”
—Jonathan Safran Foer, Extremely Loud and Incredibly Close

6 de dezembro de 2014

30 de setembro de 2014




And if you're still breathing, you're the lucky ones 
'Cause most of us are heaving through corrupted lungs

29 de setembro de 2014

Repenso e repiso. 

Todas as frases, todos os enredos que criaste, tentado retirar algum sentido. Talvez seja hábito de quem cria histórias, talvez queiras ter mesmo acreditado em tudo. Talvez tenha sido verdade. Talvez não. 

Repenso e respiro. 

Estou impedida de dar murros no ar, por indicação médica. Aprendo que há hemisférios onde as estações são apenas duas. Aprendo que há meridianos onde a vida se parece separar em duas e que o truque é nunca suster a respiração mas continuar a respirar normalmente. 

7 de setembro de 2014

Espreito a vida que poderia ser minha, com a discrição possível.

Apesar de tu suspeitares que eu estou sempre, do outro lado da porta. E raramente te enganas. 

15 de julho de 2014

So I hope you're listening right now
Cause I can barely hold my tongue
The sh*t we do could warm the sun



que é o mesmo que dizer que penso em ti.

13 de julho de 2014

Ninguém te diz mas tu sabes. A mão à volta do pescoço, o corpo em tensão. O ar que me falta, a tua mão a controlar a minha vida. E sentir-te dentro de mim, enquanto me sussurras ao ouvido "e agora, já te estou a magoar?"

27 de junho de 2014

o corpo sabe bem a quem pertence. braços e pernas na devida proporção. uma suspeita que vem debaixo da pele, impressa directamente na carne. porque é de carne que falamos. o corpo sabe a quem pertence. a identificação do outro, mesmo ao longe. os braços que se tocam, as pernas que se aproximam. o teu peito procurando o meu. a tua boca tão perto.

sabes bem onde me encontrar. só falta que me procures.

17 de junho de 2014

Help, head. Help heart.
Lydia Davis, Varieties of Disturbance

stop jumping

não há escrita que nos salve. não há tempo que cure tudo. tenho cicatrizes onde anteriormente descansavam as tuas mãos. procuro novas formas de rasgar o corpo, separá-lo em compartimentos estanques, facilmente geridos. torno-me na minha própria senhora, dando ordens a órgãos individuais para que trabalhem. concentro-me nesta tarefa, que me torna soberana de mim própria. ocupo o tempo com calendários, agendas ocupadas para quando o estômago pode ou não funcionar, para quando o fígado pode parar a produção diária de um litro, nem um centilitro a mais, nem um a menos. rasgo o corpo em diferentes partes para que ninguém, nem eu, as possa tocar todas ao mesmo tempo.

You don't think before you jump
é esse o problema...

23 de fevereiro de 2014

30 de janeiro de 2014

as coisas que nos dizemos para disfarçamos as verdade do que sabemos.

inícios de frases, repetidos à exaustão. sem nenhum ponto que as finalize. nenhum verbo nas tuas palavras.

no fim, os corpos que nos uniram, não nos servem de nada. nem sequer abrigo oferecem...

2 de janeiro de 2014

é algo que te atinge de repente. sobe espinha acima e pára na base da nuca para voltar a descer contra a garganta, pelo avesso do peito, com a mesma velocidade.



You're lucky, the bedroom's my runway
Slap me! I'm pinned to the doorway
Kiss, bite, foreplay