2 de fevereiro de 2015

o chão a fugir-nos debaixo dos pés. ou talvez tenha sido apenas um passo em falso. talvez seja apenas um esticão do corpo, enquanto durmo - o mecanismo de defesa natural do organismo, para se certificar de que continua vivo. ou talvez tenha sido apenas um tropeção, no meio da rua. as saias espalhando-se pela calçada portuguesa. toda a gente sabe que a calçada nacional, os quadrados brancos e azuis escuros, são um perigo para as pernas nacionais, que se querem pequeninas, como a sardinha, toda a gente sabe.

sim, certamente terei sido eu. afinal de contas, as rótulas têm as ligações trocadas, os pés poucos pontos de apoio e a anca um defeito infligido à nascença que agora, especialmente agora, não me deixa avançar com a certeza necessária, rua abaixo.


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