15 de fevereiro de 2015

Regresso ao lugar onde aprendi a andar. Faz parte da minha mitologia privada que um dia, me levantei e andei.

Não se vê nada à nossa volta. O nevoeiro é demasiado espesso. Não sabemos sequer se algum dia voltaremos a ver: o rio, no horizonte da janela; a cidade, que do topo do monte parece não ter fim; a lua sobre os telhados, as constelações a traçar o futuro. 

Volto a sentir a areia por debaixo dos pés. Não é que tenha desaprendido a andar. É que a ondulação das dunas ainda persiste na planta onde o corpo assenta. 


Nada temas das lágrimas que escorrem pelo meu rosto. É apenas o vento que me corta o olhar. 

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