29 de maio de 2015



esta história não tem espaço para crescer. nasceu deficitária. demasiado grande para o espaço que ocupa. sobra dos limites que tem. e eu não sei o que fazer com aquilo que fica. com pequenos pedaços de histórias, fragmentos da vida que nunca irei ter.

espreitamo-nos mutuamente, por cima do ombro. reconhecemo-nos, pelo canto do olho. pelo cheiro. pelo toque. fazemos pinturas de guerra e os gritos que damos servem apenas para provocar medo no outro. vigiamo-nos, como se vigia um predador. porque sabemos, afinal de contas, que o único final para esta história é este. destruirmo-nos numa noite como esta em que a lua mente, em que há uma janela aberta, onde uma cortina ondula, o homem passa, em direcção ao camião, olhando-nos desconfiado e o calor cola-se à pele, o sabor do sexo, no fundo da garganta. é o fim. nós sabemos que sim. nunca será o fim. nós sabemos que não.

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