25 de julho de 2015

primeiro beijo

Ah, mas aquele beijo... Aquele primeiro beijo... O puxar-te para mim. A surpresa, a consciência do que se está a passar, o teu braço a rodear-me a cintura, a eliminar entre nós a impossível distância. 

Mas o beijo. Aquele beijo. Não outro qualquer.
Aquele que se sente no fundo da barriga, no início do sexo. Todos esses músculos se contraem. E é assim que tu sabes. Essa sensação rara. Tão rara que, naquele instante, tens a certeza, sabes bem que não a voltarás encontrar. Tu sabes. Sabes sempre.

 O beijo. O teu beijo. Sempre, sempre, sempre o primeiro. Sempre inesperado e sempre incerto.


E, se como o José Mário Branco diz, só se pode ser salvo pelo amor, diz-me onde fica a salvação entre nós se isto não é amor, se isto é nada. Se isto é tudo. Balão de oxigénio, explosão de festa, um fôlego inteiro.

 Não é por acaso que nem todas as tempestades têm trovoada. E não é por isso que não deixam de enviar as gaivotas para terra,