4 de setembro de 2015

welcome back

não consigo um diagnóstico preciso.

sondas pelo corpo dentro. desconforto e dor (apesar de nos dizerem sempre "relaxe" ou "descontraia"). caras preocupadas, reflectidas nos monitores. o corpo exposto (vista a bata com a abertura para trás, por favor) e, a esta luz, tão frágil, tão denso. todas as falhas expostas. é uma febre, não páro de explicar. uma febre que me toma o corpo, que me atira à cama. é uma fome sem fim.

e, novamente, as sondas. os resultados em envelopes fechados: "anomalia na amostra". é uma febre, repito, que me deixa acordada dias a fio. uma corrente eléctrica que passa pelo corpo (sem nunca descobrir onde é o ponto de entrada).

onze da noite, começa a subir pelo corpo. meia noite, o coração na garganta. uma da manhã, lençóis e cobertores no fundo da cama, nada contra a pele. duas da manhã. sair de casa, sentir a noite húmida contra mim. as ruas quietas e esta febre que me consome por dentro.

a pulsação a acelerar no pulso.

não vale a pena procurar mais. o seguro não cobre exames extra e tu estás sempre por perto apenas o tempo suficiente para o contágio.




take a chance

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