5 de julho de 2003

estive a entreter-me (ou seja, a arranjar deculpas para não trabalhar nem estudar) e resolvi vir até aqui, pôr umas fotos e organizar alfabéticamente os meus links (até parece que não tenho realmente mais nada pra fazer!) e gravar uns cds... acho que agora vou fazer uma pesquisa para o trabalho de jornalismo comparado...

4 de julho de 2003

agora:

Fernando Pinto do Amaral
in A escada de Jacob

Palavra

Às vezes é tão bom ver nascer uma estrela
ao fim da tarde, à hora em que declina
a alegria dos pássaros,
este verde sem alma nem corpo
talvez ainda à flor de uma canção.

De rumor em rumor
absorvo o que resta dos deuses
entre o cheiro da terra e o calor de uns lábios
- os teus, esses que nunca me beijaram.

Paisagem acabada de morrer,
aceita-me e ensina-me plo menos
uma simples palavra.

Só queria uma palavra que te amasse
pela primeira vez. Desisti de saber
onde mora o teu rosto, onde começa
a sua melodia - meu amor,
acredita,
às vezes é melhor ficar assim,
ver como o céu se despe ou se despede
de tudo o que foi luz e se transforma agora
na música das sombras.

ontem:

almoço no Hotel Cidade de Ílhavo (para quem não sabe, é o novo hotel em Ílhavo, todo chique, ou pretensamente...),
piscina toda a tarde, a estudar (o que resultou num valente escaldão - idiota!!!- na barriga das pernas e numas costas todas vermelhas),
café à noite com encontros imediatos de terceiro (de)grau com bruxas e gnomos,
muito sono e eu a estranhar uma cama que foi minha durante quatro anos.

hoje:

muito calor,
encontros imediatos de terceiro (de)grau com um dos casais mais... mais curiosos de Ílhavo (sempre esta terrinha...),
exame de ateliers multimédia (não sei bem como correu, espero que dê para positiva),
nota de semiótica da comunicação social (sem comentários. estou em blackout até digerir a nota)...

no more comments...

2 de julho de 2003

confesso-me culpada...

deveria estar, neste exacto momento, a iniciar um exame sobre a interessante matéria de indústrias culturais... mas a verdade é que não me apeteceu estudar ontem e, quando forçamos uma coisa, é lógico que não sai nada bem feito. portanto, decidi esta manhã, enquanto conferenciava com a minha cama, que não tinha estudado o suficiente e não sabia o necessário para obter uma brilhante classificação nesta cadeira e não valeria a pena desgastar-me a vir ao exame. portanto, hoje o programa promete ser bastante descansado, tirar fotocópias de apontamentos para o próximo exame, arrumar as tralhas e rumar para sul.

sim, que o calor voltou e eu vou alinhar numa praia. claro que contarei com a companhia indispensável dos meus mui caros apontamentos que têm sido protagonistas dos meus dias (e da maior parte das minhas noites)...


de quaqlquer forma, aqui vão as más notícias: estraguei o elevador ( e suspeito que o olho óptico também) do meu leitor de cd's do portátil... ó desgraça! ó vida minha! aquela porcaria (preconizo eu) vai levar um ror de tempo a ser arranjada e vai custar um dinheirão! (lá se vão as minhas férias particulares pra barcelona e a percorrer portugal por água abaixo!)...

mas esta semana ainda não pode ir ao arranjo... ainda tenho o trabalho de jornalismo comparado para acabar e preciso do resto do bicho... o que vale é que há outras formas de transmissão de dados que não os cd's... senão estava feita.. e, quanto a banda sonora, também não estou muito preocupada... confino-me aos mp3 que tenho "sacado" em massa da net...


bem, por agora acho que é tudo... vou aproveitar o sol desta tarde e adiantar trabalho... prometo: às quatro da tarde tenho tudo pronto pra ir!

1 de julho de 2003

ao navegar por estes blogs, encontei um blog bastante interessante, imagens bonitas e, qual não é o meu espanto quando, numa das fotos aparece um dos meus lugares favoritos no porto? o guernica... após a rua miguel bombarda, depois de encher os olhos com todas as cores do caminho, um chá e uma fatia de bolo de chocolate no guernica...:)


30 de junho de 2003

imagem explícita para mim... adivinhem lá porquê :P...


tanta ausência, é verdade...

a culpa foi do sr. professor jorge marinho que me faz perder o sossego e a tranquilidade....

é verdade, hoje, exame de semiótica da comunicação social, uma verdadeira estopada... acho que estou cá para recurso ou assim... na melhor das hipóteses, na próxima semana habilito-me a uma prova oral (quem me dera!)

tenho estado confinada à minha casa (coitadita de mim), mas não abdiquei da noite de quinta - fantástica! - e de sábado - horrível!.

quarta é dia de indústrias culturais, seja isso o que fôr, que ainda nem comecei a pensar nisso... mas não me apetece estudar mais, apetece-me ir dar um giro até barcelona (o convite já foi feito e aceite) ou até londres... pronto, fico por cá, que tal milfontes ou esposende? não tem nada a ver mas só me apetece fugir do porto....

tou muda para o mundo. estou sem dinheiro e o telele sem saldo. o que significa que não posso comunicar com ninguém... que tal ir até gaia ou lisboa, tirar umas fotos? este tempo de porcaria, em que ora chove, ora faz calor sem sol dá cabo da minha paciência...

e ainda não acabei o rolo a cores!!!!!!

26 de junho de 2003

que porcaria... isto internamente tem um novo visual mas, para mudar para isto fiquei sem bloggar ontem à noite....

25 de junho de 2003

joana, tás na lista de links do conversas de café! ó pró style!
tenho tanto pra contar....

finalmente, na quarta, o up saíu à rua, mostrou-se às gentes que andam por aí. foi um parto muito difícil mas já cá está, já se pode mostrar e justificar todas as reuniões e tempo que já se envolvia na sensação de perdido

o "modos de vida" ficou pronto. não sou tão optimista quanto tu joana. não acho que correu tão bem quanto o vidinha o classificou. acho que foi mais fruto da euforia geral de sentimento de "está pronto, acabou!". o modos correu como eu estava à espera que corresse: com erros e numa linha algo incoerente e desfazada da ideia original no que toca ao tom da discussão. mas tenho de (re)ver a gravação do programa para tirar as minhas conclusões finais.
quanto aos convidados, ainda não sei, com franqueza, as opiniões com que ficaram do programa. ainda não tive oportunidade de privar com eles....

acordei sobressaltada esta noite. quatro da manhã. lágrimas pela cara abaixo, dificuldade em respirar. e, desta vez, nada tinha a ver com o meu actual estado de saúde. sonhei que a tua morte vinha anunciada no público e que só por aí tinha conhecimento dela.sonhei com a tua mãe e com a mafalda que não tinha acabado de nascer mas sim três anos e corria num vestido azul claro, leve, de verão, com um avião na mão e um sorriso de inocência. sonhei com o teu irmão, sem que nunca o tenha conhecido, e que era tão parecido contigo, mas mais feliz, mais tranquilo, de olhos postos na mafalda. sonhei com as mãos da tua mãe, que era a minha e que pegava em mim como se eu tivesse dois anos e tivesse caído de um cavalo. sonhei com a tua morte. com o teu caixão mesmo, vi-te branco, mais branco que o teu tom natural de pele. e acordei em sobressalto, assustada com a realidade de tudo aquilo, com a fisicalidade do teu silêncio, da tua ausência. temo a resposta À pergunta se tudo isto passou de um sonho para a realidade. afinal de contas... era possível que tal acontecesse.... neste mundo tudo acontece...


e no silhuetas!

20 de junho de 2003

ainda não trouxe as fotos...

mas joana, continuo na ideia que tivémos a discutir...
há coisas assim...
o trabalho foi extremamente produtivo após uma discussão sobre a lógica e a coerência no ser humano...
se calhar não era bem sobre isso que eu queria falar mas mais na (des)necessidade de termos respostas às perguntas que fazemos. era mais isso que eu vos (a ti e à Teresa) queria dizer: que há perguntas que não devem ter resposta, que há respostas que não devem ser dadas. que há perguntas desnecessárias e que a procura de uma lógica nas acções humanas não passa de uma tentativa (frustrada e vã) de tornarmos o comportamento em algo de linear e simples.

mas parabéns joana... acho que devia ter começado assim o post de hoje...

então vou recomeçar....

parabéns joana, ainda que com um dia de atraso, parabéns.

temos um programa para gravar hoje à tarde e eu prometi a mim mesma que não vou falar "desse" trabalho aqui. vou antes falar dos meus convidados que me custaram tanto a dizer que sim... fizeram-se de difíceis mas vêm... quer dizer, eu espero que apareçam senão... senão não sei bem como será... vamos ter de improvisar e, se com tudo ensaiado não acredito muito no sucesso disto, quanto mais improvisado...

tenho descoberto demasiadas coisas sobre o que tens andado a fazer... sobretudo porque me têm perguntado se andas bem, o que se passa contigo, mesmo antes de me justificarem as questões... e é aí que me contam o que tens andado a fazer... depois daquela noite em que te agrediste gratuitamente, parece que perdeste o pudor de que eu saiba das coisas... e assim parece que eu te permito essas coisas, quando, na realidade, não permito. sei que não é para te entender. mas hã pudores que não se devem perder entre as pessoas... não quero mais saber sobre o que tens feito de errado, sobre o que não admites. quero antes saber aquilo que me permites saber. e o que eu sei agora ultrapassa, em larga escala, essa fronteira...

17 de junho de 2003

já é oficial: tou doente. com uma constipação monumental em cima... n que tenha frio ou calor desmedidos mas é uma autêntica chatice. dói-me todo o lado direito da cara, ouvido, tudo! estou completamente entupida e desagrada-me imenso. também não tenho quem me mime, o que causa uma mossa enorme, especialmente quando estou enroscadinha na cama e tenho fome ou sede...

ontem tomei café no rivoli. já lá tinha estado mas, aproveitei a "solitude" do momento para escrever (muito).

o trabalho já está acabado. só falta limar umas arestas (pequenas)...

e, desculpem os apaixonados que lêm este blog mas estou completamente farta de vos ouvir falar dos respectivos companheiros/companheiras... parece não haver mais tema de conversa nos apaixonados...

bem, vou até casa curar isto... depois mostro por aqui umas fotos engraçadas...

16 de junho de 2003

dia comprido este...

o calor voltou, após um fim de semana fresquinho... e eu devo ter apanhado um resfriado que estou aos "atchins"... é uma verdadeira porcaria, uma vez que era uma das resistentes às gripes e constipações que grassam por aí... e estou a ficar malzita da garganta, o que não é muito bom sinal... não ando a trabalhar nada.... o que é preocupante. especialmente porque, em algumas coisas, não ando a trabalhar sozinha. o que significa que, sim, a minha companheira de trabalho está a levar com tudo em cima. tenho um rolo a cores para acabar. alguma sugestão? preciso de corpos... algum/a voluntário/a? sem caras. apenas corpos não-identificados...

15 de junho de 2003

apesar da grande desilus�o que foi (tentar) ver maria jo�o e m�rio laginha, encontrei uma m�sica deles que n�o me sai da cabe�a. chama-se "from both sides now"(se puderem ou�am-na!)...
tamb�m, se tiverem o kazaa ou o soulseek em casa, n�o podem deixar de procurar ruychi sakamoto a tocar a solo uma m�sica (brilhante) de david sylvian - forbidden colors...
cheia de trabalho...

e as coisas v�o andando devagar... por vezes demasiado devagar...

10 de junho de 2003

Fernando Pinto do Amaral
in Ac�dia


7

N�o hei-de conseguir falar contigo, � sempre
dif�cil
. Uma imagem
cintila de repente e l� estou eu
nesse baile de m�scaras - revi-o
mais de dez vezes! Foi t�o bom
ficar preso a nenhumas esperan�as, sentir
o vento muito frio.

Percorri os desertos, o inverno
era a esta��o preferida e sobretudo
a noite. Viajava
entre corpos e alma, esse mundo
parecia n�o ter fim; o seu limite
era como um segredo, um olhar
desafiando a morte enquanto esperava por novas ilus�es.

Um telefonema � f�cil de fazer,
podemos encontrar-nos, conversar,
fingir que existe o amor ou qualquer outra
invis�vel certeza, mas n�o h�
lugar algum para fugir-me ainda,
ningu�m nas ruas cada vez mais longas,
e mal vislumbro sob o azul da n�voa
os fragmentos do meu cora��o.

6 de junho de 2003

n tenho nada para dizer. estou antisocial, anti tudo e daqui a meia hora fazes anos e eu vou-te ligar. a desilus�o ser� imensa se n�o te falar at� porque j� tenho a piada na ponta da lingua pra te fazer rir... n�o brinques assim comigo... deixa-me eu brincar um pouco desta vez...



p.s. sinto falta do cantar de passarinhos azuis na borda da noite...

5 de junho de 2003

poema de Fernando Pinto do Amaral
fotografia Jo�o Nunes da Silva
in Ego�sta, n.� 15


hoje sera importante nao perder...
(tou num computador com o teclado desconfigurado, tenham do e piedade...)

na feira do livro do porto, o recital de poesia "ha palavras que nos beijam", que vai contar com a participacao especial de ana luisa amaral e maria do rosario pedreira e com a intervencao musical de pedro tudela. parece que vai ser uma coisa em grande, com imagem e multimedia...

e, por falar em multimedia hoje, no excelso curso de jornalismo e ciencias da comunicacao da faculdade de letras da universidade do porto, que tenho o privilegio de frequentar (lol lol lol lol... n imaginam o gozo que me deu a escrever isto...!) vai haver uma sessao de esclarecimento sobre a componente multimedia do curso, presidido pelo prof. bruno giesteira, engenheira rita falcao e mais alguem que agora n recordo o nome...

e, por falar no excelso curso, hoje ainda, nas mesmas instalacoes, pelas 13.30 vai decorrer um reuniao, promovida pelos mui activos e interessados alunos do 1.o ano, afim de se discutirem e aprovarem os estatutos, por eles elaborados, para a comissao de curso.


como podem ver, hoje o dia e extremamente preenchido com actividades de interesse geral...


mas falemos de coisas melhores (ja parece a musica daqueles gajos...)

ontem, conferencia em letras, "terra berco, terra tumulo - reflexoes sobre o patrimonio historico da mesopotamia e sua destruicao" com intervencoes de pedro sousa pereira e rui do o (para os mais esquecidos, estes tipos estiveram recentemente no iraque), fernanda ribeiro (professora da flup) e vitor oliveira jorge (professor da flup e amigo do mitico jornal up, que teima em se esconder ao publico). o senhor vitor oliveira jorge e brutal... comecou a conferencia lendo um poema e a sua intervencao foi ouvida por um auditorio (algo composto) em total e assombrado silencio.pelo meio pudemos ouvir os jornalistas da sic falar da destruicao, nao so do patrimonio cultural do iraque mas tambem das suas vivencias em bagdade. foi um bom momento, se eu n me tivesse sentido mal e tivesse acabado a minha participacao mais cedo... bom, ao menos consegui aguentar-me ate ao fim da conferencia...

enfim... mais logo, se puder, ainda aqui passo pra contar como foi o dia...

3 de junho de 2003

Ju, lembrei-me logo de ti quando vi a not�cia!




The Lomographic Embassy Lisbon presents,

LOMOMANJERICO

Another LOMOweekend challenge in Lisbon at Bicaense caf� Rua da Bica de Duarte Belo 42( elevador da Bica ), from the 12th and 14th of June.

12th of June:
Hand in the Lomo kit (camera+film+map) at Bicaense caf� between 18H and 20H
Followed by a non-stop party and all night visuals. (as m�quinas s�o fornecidas pela organiza��o)

13th of June
Just shoot... don�t think

14th of June
All the material (films + cameras) will be returned between 19H and 21H at Bicaense caf�.

On the 21st of June everyone is invited for the Lomoparty, at the Bicaense caf� to award the best lomographers and to view a mural with all the lomos taken.
The exhibition will be on from the 21st of June to the 21st of July.

2 de junho de 2003

Adriana Calcanhotto
Cantada (depois de ter voc�)

Depois de ter voc�
pra qu� querer saber
que horas s�o?

se � noite ou faz calor
se estamos no ver�o
se o sol vir� ou n�o
ou pra que � que serve uma can��o
como essa?

Depois de ter voc�
Poetas para qu�?
Os deuses, as d�vidas?
Pra qu� amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas
Depois de ter voc�?


fim de semana preenchido. ruas molhadas no domingo, feira do livro aberta e eu ainda n�o a visitei... fim de semana preenchido, mudan�a de casa, habituar-me aos corredores, ao quarto, � cama, aos barulhos do pr�dio, da casa, da rua, ter experi�ncias paranormais (sim, � verdade, vi um vulto desenhado a electricidade!)... ou tomar caf� contigo, abrir o jornal, ouvir-te dizer que h� algu�m a ganhar contornos de maior import�ncia na tua vida, olhar para o mar, tirarmos fotografias, apitarmos aos pescadores, assustarmos os peixes, cumprimentar desconhecidos na rua, rir muito e ouvir-te dizer que... "seria t�o f�cil termos uma rela��o"... ouvir-te enumerar as raz�es do nosso entendimento e rir-me da sugest�o. n�o recus�-la mas rir-me dela, como se estivesse h� j� tanto tempo � espera que n�o acreditasse, agora que a ouvia... e logo esquec�-la. eu e tu, a esquecer as palavras proferidas, as sugest�es hipot�ticas de uma rela��o... fim de semana preenchido... n�o me lembro h� quanto tempo n�o pass�vamos tanto tempo a ver livros, a almo�ar, a jantar, a sair � noite, a dormir, a chatearmo-nos... a termos ci�mes e a rir das satisfa��es....

estou doente.

e esta afirma��o nada tem de metaf�rico ou metaf�sico. � real. estou doente e s� me apercebi este fim de semana (v� bem a coincid�ncia!!) e vou agora ao m�dico que n aguento mais... mais logo te ligarei... ou talvez n�o, j� te escrevi demasiado, no fim do dia de ontem, quando regressavas a casa, e antes mesmo de te pedir desculpas por ter estado insuport�vel todo o fim de semana... e sei que tenho de te deixar descansar durante uns tempos, para n�o pensar nessa hip�tese e acordar de manh� com as l�grimas a escorrer pelo rosto por ter sonhos de beleza insuport�vel, de beleza extrema como s� o mundo, paradigm�ticamente, me mostra...

31 de maio de 2003

Al Berto
O Esconderijo do Homem Triste


N�o sei o que me aconteceu para ficar t�o triste.
Lembro-me de ter percorrido meio mundo � procura de imagens. Tinham-
me dito: � no movimento incessante de quem viaja que encontrar�s a
imobilidade que desejas.

Mas eu n�o sabia para onde ir. Deambulei anos a fio, e nunca
encontrei as imagens que queria. Gastei as parcas for�as que tinha
neste trabalho, at� que um dia me perdi junto ao mar.

Resolvi construir, ali mesmo, uma casa.

Tencionava n�o sair mais daquele lugar onde me perdera. Imobilizar-
me, viver e envelhecer dentro de quatro paredes nuas erguidas pelas
minhas m�os. Morrer frente ao mar, sozinho, como num romance que lera
havia anos. Esperar que a casa se esboroasse e me servisse, por fim,
de t�mulo.

Assim n�o aconteceu. Algum tempo depois, a casa transformou-se
subitamente em pris�o. E talvez tenha sido isso que me p�s, assim,
triste para sempre. Custava-me a crer que aquilo que eu pr�prio
constru�ra acabasse de me atrai�oar.

Assustei-me e fugi nessa mesma noite. Ignoro o que se passou com a
casa. N�o sei se ainda existe... o que sei � que a meio daquela fuga
deseperada ocorreu-me o que me levaria, enfim, a encontrar o
esconderijo para a minha imobilidade.

� desse lugar iluminado que, hoje, vos falo.


Fui ter com um fot�grafo meu amigo e pedi-lhe para me retratar. Ele
acendeu um foco de luz. Sentei-me no centro dele. A m�quina disparou
sem cessar.

Gesticulei, abri os bra�os, mexi-me muito - como se soubesse que
nunca mais o voltaria a fazer.

Quando o meu amigo mergulhou o papel fotogr�fico no revelador, eu
tamb�m mergulhei. Mas devo ter desmaiado uns segundos, talvez
minutos, porque ao retomar consci�ncia se+nti as pernas e os bra�os
dormentes - e todo o meu corpo estava mole.

Um v�u de luz toldou-me a vis�o. Ceguei por instantes, mas n�o foi
uma sensa��o desagrad�vel. Depois, o corpo come�ou a ondear, a
impregnar-se no papel e a coincidir com o retrato que o meu amigo
fizera de mim.

Segundos mais tarde uma pin�a met�lica tirava-me do revelador. Senti,
ent�o, a frescura da �gua - e toda a superf�cie da folha de papel, o
meu novo corpo, brilhou. Em seguida deixei-me enteorpecer na
temperatura t�pida, voluptuosa, do fixador.

Tinha encontrado o esconderijo.


E aqui estou, diante de quem me visita e olha. Apesar de n�o ter
deixado de ser um homem triste, adquiri a vantagem de estar sentado,
e de j� n�o precisar de fugir ou desejar seja o que for.

Mas o pior momento do dia � aquele em que nos separamos. N�o consigo
dormir. Fico noite fora com a minha solid�o - e quem esteve a ver-me
parte com o susto de continuar a existir.

Nenhum de n�s � capaz de murmurar: fica comigo e toca-me. E a noite
cai, de certeza, mais escura para quem parte.

Eu sou apenas a imagem do que fui. N�o sinto nada.

Certa vez, um homem e uma mulher pararam diante de mim. Olharam-me
muito tempo.

Aproximaram-se, afastaram-se, voltaram a aproximar-se do vidro que me
protege. O nariz da mulher quase me tocou nos joelhos.

De repente, a mulher inclinou a cabe�a, sobressaltou-se e disse:

- Z�, perdi o vidro do rel�gio.

O homem baixou-se e procurou-o. Quando o encontrou, deu-lho. Mas ela
argumentou:

- A culpa foi tua. Eu n�o queria vir aqui.

O homem, muito s�rio, respondeu-lhe.

- Francamente, F�tima, n�o te toquei no pulso. N�o mexi no tempo.
Nunca mexo no tempo...

Outras vezes, quando n�o est� ningu�m olhar para mim, ponho-me a
cismar:

A luz � o meu t�mulo.

Em tempos, os meus gestos tiveram o rigor da abelha que rouba o p�len
� flor. Com esses gestos quis construir um espa�o para o sil�ncio.
Uma morada onde fosse poss�vel ignorar o mundo, ou esquec�- lo.

De vez em quando, aceito ainda o mist�rio das palavras que me cercam
e n�o coincidem, em nada, com a realidade.
Eu s� quis celebrar a
vida. Encontrar o esconderijo onde fosse poss�vel um derradeiro acto
de paix�o. O esconderijo onde pudesse, de novo, tocar teu rosto e
recusar a aridez da cal�nia.

Mas a luz � o meu t�mulo.

A pouco e pouco incendiaram-se os negros profundos, o c�rculo
luminoso aprisionou-me, e as m�os gesticularam sem sentido. O
interior das paisagens guardou a tua aus�ncia. E numa �ltima vis�o a
madrugada irrompeu do mar adormecido.

As m�os abriram-se novamente, quando o dia come�ou a devorar a nudez
do corpo.

Compovido, perdi a voz.

N�o podia chamar-te, lembro-me, por isso desatei a escrever o teu
nome nas paredes da cidade. Tempo perdido. J� n�o podias ouvir-me nem
ler-me.
Foi quando desejei, com ardor, este esconderijo.

Aqui, pelo menos, respiro ar condicionado, e um foco de luz simula a
eternidade dos dias.

H�o h� emo��es, nem palavras ditas em voz alta. N�o acontece nada,
nem se ouve respira��o alguma.


Quem me visita diz coisas fant�sticas a meu respeito. Nunca confirmo
nem desminto. Limito-me a ouvir e calo-me. Porque h� coisas que devem
correr com o tempo e, mais tarde ou mais cedo, nele se apagam.

� claro que tamb�m h� coisas guardadas na mionha mem�ria de papel.
Mas essas, j� n�o tenho a certeza de que algu�m as tenha dito ou eu
as tenha, de facto, ouvido.

Por vezes ponho-me a sorrir, mas ningu�m consegue ver que sorrio,
porque o retrato que me esconde - como eu - est� morto e desfocado.

E a luz � o nosso t�mulo.

30 de maio de 2003

mudei de visual no blog... finalmente, acho que acertei, ap�s dois dias conturbados em termos de design e de escolha de visual...

faltam-me as luzes de n�on, esta noite... e corpos, sexos iguais, uma boca para calar... faltam-me uma s�rie de (cumpli)cidades antigas, um bom livro para ler, ruas desertas depois de uma chuva de ver�o que se saborei na varanda � sombra de um cigarro mal fumado... faltas-me tu...

esta noite sem estrela alguma...
rever o quarto em chamas � sempre um prazer...

reentrar em casa, descobrir as divis�es, o cheiro a novo, a luz que falta por n�o haver l�mpadas.... o que vale � que a Joana me ofereceu uma vela que tem aspira��es a ciro pascal e vai dando para ver os contornos dos m�veis que se escondem na obscuridade da meia noite... a varanda que abre o quarto ao mundo, os vidros que percorrem a parede e deixam entrar as janelas vizinhas, os olhares indiscretos das ilhas que se escondem por detr�s das fachadas pobres dos bragas....

entrar numa casa desconhecida, conhecer os gatos dos telhados vizinhos, amanhecer pelas dez horas do dia que se enche de sol e n�o nos deixa mais pernoitar.... uma cama verde... por estrear... por deitar....

29 de maio de 2003

Ana Lu�sa Amaral - Poema que se desvia
O TEMPO DAS ESTRELAS

Um compasso de espera
t�o longo e musical
por estrelas destas
a tocar-me o rosto

E aprender a aceit�-las,
e eu ser um c�u imenso
onde elas se pudessem passear,
encontrar uma casa,
um pequeno sil�ncio
de folhas,
e poeiras, e cometas

Na desordem mais c�smica
das coisas,
organizar inteiro:
o cora��o


Porque, a tocar-me o rosto,
o tempo das estrelas
ser� sempre,
mesmo que tombem astros,
ou outras dimens�es se lancem
em vazio,
ou ra�zes de luz se precipitem
no nada mais at�nito

Ter� valido tudo
a desordem do sol,
ter� valido tudo
este lugar incandescente
e azul

Porque, a tocar-me o rosto,
agora,
e em sil�ncio t�o terreno:
para�so de fogo:
estas estrelas

Transportadas em luz
nas tuas m�os



era o tempo das estrelas que se vivia por aqui, o tempo da estrela que se desvia do poema...

come�ou a feira do livro do porto, edi��o de 2003.. homenageia, nesta edi��o agustina... � a maior de sempre e N�O conta com apoios financeiros por parte da c�mara municipal do porto...

confesso que, apesar deste ano a oferta ser maior, tenho saudades de deambular pelas imposs�veis avenidas do parque eduardo vii, com os seus stands de ver�o, a fazer lembrar os livros como gelados no pico do calor... de ver a ana maria magalh�es e a isabel al�ada (era pequenita, � l�gico que, na altura eram as minhas escritoras favoritas), de as procurar e pedir um aut�grafo... ver tantos livros quantos aqueles que gostaria de ler, de possuir para mim...

o porto, no entanto teve momentos inesquec�veis... como por exemplo, ouvir ant�nio "fganco" "alexandge" a "gecitar" poemas seus... (sim, o senhor troca os "rrrrr" por "gggg") ou a ad�lia lopes, o valter hugo-m�e, francisco jos� viegas, jorge reis-s�, jos� lu�s peixoto... ou sentir o teu corpo de encontro ao meu, no tempo das estrelas, quando era tempo da estrela que se desvia do poema, ouvindo

�Pudesse eu agora ingenuamente dizer �amo-te� e/ ser ouvido pelo ouvido humano da tua boca/ n�o como quem pede mas como quem traz /um desconhecido at� � mesa posta /para connosco celebrar a sa�da de egipto /voltaria a juventude de outrora /at� ao lume claro /do teu rosto; mas, desse lado da vida, v�s /somente a pele antiga que se dobra em rugas /e vai pelas ruas interrogando os passante /como um prov�rbio em l�nguas estrangeiras..."...

ou ouvindo uma qualquer outra coisa, seria o mesmo...


os meus cabelos eram ent�o bastante mais compridos....

26 de maio de 2003


David Sylvian - Dead Bees on a cake
I Surrender

I opened up the pathway of the heart
The flowers died embittered from the start

That night I crossed the bridge of sighs and I surrendered

I looked back and glimpsed the outline of a boy
His life of sorrows now collapsing into joy

And tonight the stars are all aligned and I surrender
My mother cries beneath a southern sky and I surrender

Recording angels and the poets of the night
Bring back the trophies of the battles that we fight

Searchlights fill the open skies and I surrender

Outrageous cries of love have called me back
Derailed the trains of thought, demolished wayward tracks

You tell me I've no need to wonder why I just surrender

I stand too close to see the sleight of hand
How she found this child inside the frightened man

Tonight I'm learning how to fly and I surrender

I've travelled all this way for your embrace
Enraptured by the recognition on your face

Hold me now while my old life dies tonight and I surrender
My mother cries beneath the open skies and I surrender

An ancient evening just before the fall
The light in your eyes, the meaning of it all

Birds fly and fill the summer skies and I surrender

She throws the burning books into the sea
"Come find the meaning of the word inside of me"

It's alright the stars are all aligned and I surrender
My mother cries beneath the moonlit skies and I surrender

My body turns to ashes in her hands
The disappearing world of footprints in the sand

Tell me now that this love will never die and I'll surrender
My mother cries beneath the open skies and I surrender



boa m�sica para se ouvir na solid�o do md... no sol abrasador das duas da tarde, quando o sol bate nas costas e queima. boa banda sonora para abafar todas as idiotices que ouvi no caloirinho, pela hora do almo�o... boa banda sonora para passear no porto e olhar o que ele tem para oferecer aos meus ouvidos... boa m�sica. apenas isso...

23 de maio de 2003

acordei bem disposta...
o teu corpo na minha cama, para que o pudesse ver toda a noite, em todos os momentos em que acordei por te ter a meu lado...
e n�o, n�o quero saber de nada mais.


David Mour�o Ferreira

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os bra�os que apertamos
nunca mais s�o os mesmos E por vezes

encontramos de n�s em poucos meses
o que a noite no fez em muitos anos

E por vezes fingimos que encontramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
s� o sarro das noites n�o dos meses
l� no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes oh por vezes
num segundo se evoluam tantos anos.

22 de maio de 2003

queria-te dizer que me t�m falado de ti... e que, tomar�amos pequeno-almo�o se aparecesses por c� de manh�...

poder-te-ei ainda dizer que vou aqui escrever, de uma vez por todas, tudo aquilo que n�o canso de lembrar e que ningu�m quer ouvir, pela extens�o de coisas que s�o... e ent�o vou aqui escrever...

Estas algumas horas

5
a conclus�o parece pr�xima, mas
poder� o gnomo recus�-la? estas quest�es
sujam indevidamente as douradas vidra�as
do envelhecer. como evitar
o que recordaremos, estas algumas horas?
and yet
these foolish things
remind me of you

tu que pousas os meus olhos e as minhas m�goas
e estes embrulhos transparentes, de ligeiras
asas na sapatilha azul.
� que estas algumas horas sentadas no choro
n�o quebrem a aniurada das am�veis
ch�venas!
assim as recordaremos, e o celofane amarrotado.

Ant�nio Franco Alexandre

21 de maio de 2003

ao que n�s cheg�mos.

ou melhor...
ao que eu cheguei.
conhecer de cor
o relevo do teu nome
sobre o papel
pensar-te sem
fechar os olhos nem
abrir as m�os.

ao que nos reduzimos...

dois cart�es de visita
sem endere�o de contacto.



tenho sonhado muito contigo. muito mesmo. (depois falo-te.... por enquanto fica aqui o poema...)

18 de maio de 2003

� oficial: adoro peter murphy... o homem � um g�nio...

consegui ligar (finalmente) o meu port�til � net... tarefa dif�cil... mas tenho apenas de agradecer ao marco que, avisou-me que t� tudo a precisar de uma formata��o no meu comp. bigadita... mas acho que vai ter de esperar...

padrinho, obg pelos conselhos de ontem no mirc... fui sacar algumas das coisas que tinhas apontado e gostei do que saquei... confesso que j� conhecia mas n gostava do que tinha ouvido anteriormente... ou ent�o era eu que estava com pouca aten��o na altura.

mas � oficial... gosto de peter murphy... muito mesmo.

e j� conhe�o a m�sica com o meu "nome" da dupla k&d (kruder & dorfmeister para quem n�o conhece). e gostei.

n�o sei do meu minidisc (algo grave!). algu�m o viu? � que j� tou a come�ar a ficar preocupada e a suspeitar que foi "desviado"...

tenho a "ego�sta" pra ler e ainda n�o me dediquei..queria uma esplanada junto ao mar, um dia morno e sol na cara para a poder ler... algu�m me arranja isso?

15 de maio de 2003

ontem � noite, manual da comunica��o qu�mica na maia, no tert�lia castelense

viagem de regresso atribulada, o carro "morreu" na boavista deixando-nos � merc� do famoso jo�o abrunhosa e seus malabarismos automobilisticos!

dia cheio de sol, temperaturas amenas, olhos doridos, corpo cansado...

estou bastante cansada do cinismo/hipocrisia/mentira em que me encontro...

sonhei com um vestido de princesa, um quarto em chamas e fotografias algo expl�citas do que quero dizer... era piazzolla que ouv�amos nos intervalos de nos conhecermos, t�o intuitivamente quanto a aproxima��o natural dos corpos, que se atraem e nunca se repelam... ainda me lembro do que gostas de ouvir e n�o, n�o pinto. as telas que costumo colorir est�o escondidas. e "colorir" nunca foi um verbo que soubesse conjugar...

14 de maio de 2003

mios�tis

hoje tocam na r�dio
todas as m�sicas da nossa
adolesc�ncia.
E eu lembrei os cravos vermelhos
por sobre a mesa.
Os beijos inocentes de m�os dadas
no meio de um campo
de mios�tis azuis
Dev�amos ter ent�o tr�s
ou sete
ou onze anos
os nossos olhos eram azuis
e eu tinha
mios�tis azuis
nos cabelos negros.
E, pela nesga azul da tua camisa
via
como vi
a pele branca do teu peito
E quando nele pousava a m�o
sentia um cora��o vermelho
Hoje tocam na r�dio
todas as m�sicas da nossa
adolesc�ncia.
E s� os mios�tis continuam azuis.


lembrei-me dos mios�tis azuis ontem � noite.... escrevi bastante e dormi como h� j� semanas n�o dormia........

13 de maio de 2003

descobri que o "6" d� a volta ao porto... e que, a sair em alguma paragem, gostaria de, um dia, sair nos mios�tis.

descobri ainda que as horas nunca me chegam para fazer o que quero... e que gosto de ouvir piazzolla no carro... e que estou farta de not�cias e jornais e jornalistas e potenciais e estudantes. e que quero desaparecer. e que quero dormir um pouco. e que retomei � inf�ncia, tenho um dente a nascer e pare�o as criancinhas a mastigar qualquer coisa, s� para satisfazer a gengiva... e que nunca encontramos uma caneta quando dela mais precisamos. e que o dinheiro nos condiciona a vida, tanto quanto os ponteiros do rel�gio e os cl�rigos que d�o as horas, e st.� cataina que tem um rel�gio que � um espect�culo e junta sempre imensa gente... que sei sempre das oportunidades tarde demais e que, por muito que tente, a frontalidade n�o � a minha especialidade, ao contr�rio da mentira/omiss�o/dissimula��o.


recomecei a escrever algo e precisava de dois meses s� a escrever, sem parar para comer domir estudar viver respirar para acabar o que tenho c� dentro e teima em sair...

29 de abril de 2003

noites que nunca mais chegam...

outra noite de poucas horas.



acabei finalmente o site sobre o al berto... vou p�-lo online mais tarde, quando tiver um pouco mais de tempo...
sinto falta de algum tempo para mim, para estar sozinha... escrevi um bocadinho hoje, por entre os intervalos do sono...

28 de abril de 2003

foi uma noite cansativa... dormi mal... sonhei muito. e continuei a sonhar, a caminho do Porto...

sonhei com o meu livro. foi um bom sonho. desejado... mas estou cansada... os olhos teimam em se fechar e ainda n�o posso. o dia mal come�ou e j� estou a viv�-lo h� demasiado tempo. e esta noite... uma directa pra trabalhar... mas porque � que eu sou sempre a mesma e deixo sempre tudo para a �ltima hora????

25 de abril de 2003

sempre te disse que nunca me convidarias para o teu casamento.

sempre me disseste que me convidarias.

era eu quem tinha raz�o.

24 de abril de 2003

parab�ns carlos............ mais um, n�o �?

estou em baixo.
tenho passado estes dois �ltimos dias num estado electrizante e hoje, devido a uma anestesia que me est� a ser bastante dolorosa, estou um bocado em baixo. espero que isto melhore at� logo � noite...

tem-me custado a adormecer, n�o sei bem o que se passa dentro da minha cabe�a... fiz um daqueles testes da net... lol sou obcessiva-compulsiva! lol... nada que j� n�o me tivessem dito!

vou lanchar... comer um gelado pra ver se esta dor passa...
ao que cheg�mos...

nomes escritos no �cran pixelizado, duas.moradas @sitios.diversos.um dom�nio comum

a face vincada pela noite, como a minha agora, vista no reflexo das costas da m�o.
ao que cheg�mos...
a vida muda depressa demais para que o pensamento se possa adaptar ao ritmo das situa��es.
embora o tempo nunca tenha existido, embora seja uma inven��o...
ningu�m morre por o querer muito.

23 de abril de 2003

n�o h� passos divergentes para quem se quer
encontrar


Jorge Palma

ele sim, sabe do que fala!
um arrepio pela espinha acima, puxando a cabe�a para tr�s e resultando num sorriso incontrol�vel... um sorriso no olhar, por debaixo das p�lpebras.

puseste-te nas minhas m�os. palavras que me vieram de longe, hoje. de muito longe. de h� seis meses atr�s, de uma outra vida, de outras vidas passadas, de outras mortes. de outros.... constrangimentos.

mas hoje.... hoje puseste-te nas minhas m�os, as tuas palavras, ainda que long�nquas, ainda que mais antigas que aquelas que hoje me surpreenderam, as de h� seis meses atr�s... porque as tuas s�o mais long�nquas... e t�o recentes ainda... mas puseste-te nas minhas m�os... e vais pagar essas palavras, vais pronuncia-las como se o quisesses... porque vais quere-las. as minhas m�os, onde te puseste, v�o fazer com que o digas, querendo-o realmente...

vais-me sussurrar ao ouvido a conjuga��o de um verbo que me vai enviar sensa��es diferentes, shivers

fecho os olhos e sorrio, de olhar perdido dentro das p�lpebras... imagens diversas, r�pidas, quentes...

emaranhar-me no mundo
e morrer por ser preciso.
nunca por chegar ao fim

21 de abril de 2003

(banda sonora deste blog : beth gibbons & rustin man - sand river)

ora bolas! a Teresa adiantou-se! :(

enfim... fartei-me de rir na mesma ;)) j� n se pode dizer nada, hem?

bem, fa�o-te companhia, parece que tamb�m sou uma ghandi!

hoje sonhei com uma pessoa me � muito querida. com quem n�o falo (ou melhor, que n�o me fala - h� consci�ncias muito pesadas que impedem as palavras de sair...) h� muito tempo. podemos considerar muitas pessoas como queridas para n�s sem que ocupemos o mesmo estatuto nas suas vidas.

no outro dia, um amigo meu dizia-me que os constrangimentos est�o, �nica e exclusivamente, na minha cabe�a... mas a "cabe�a" de algu�m cont�m sempre mist�rios insond�veis... e h� sempre aqueles que n�s adoradiamos desvendar... como os constrangimentos, as obcess�es... por exemplo... pra s� falar daquela que conhe�o melhor (se � que se pode conhecer bem uma cabe�a...)

ontem foi P�scoa (...quer dizer, por aqui ainda � no dia de hoje mas enfim...). depois do compasso, onde me engasguei e me esqueci de tirar o som � televis�o (o que fez com que a visita pascal fosse uma salsada de ora��o e de um programa da tarde da RTP1 que a minha av� estava a ver... o que vale � que n�o estava nenhum tipo a cantar!), aproveitei para arrumar uma das minhas mesinhas de cabeceira, que tinha andado a remexer na noite anterior at� horas impr�prias (de acordo com os meus pais j� ando, novamente, a trocar os dias pelas noites).

resultado: tr�s sacas de revistas antigas, bilhetes de comboio, metro, folhas com n�meros de telefone, caixas vazias, pap�is soltos com dedicat�rias, recados, poemas, enfim... n�o sei como consegui acumular tanto lixo numa mesinha t�o pequenina. mas encontrei uma oferta de paz para acabar com constrangimentos, encontrei tanta da minha vida que tinha esquecido...

voltei ent�o ao m�todo corrente: caixa, arruma��o por temas. cada coisa � sua caixa. e depois...

depois h� coisas que n�o se conseguem arrumar em caixas... porque, simplesmente, n�o existem materialmente.

bem, este post j� vai longo... agora n�o me apetece mais...

18 de abril de 2003

� verdade! j� acabei de ler o killing me softly
n�o sou uma pessoa carinhosa.
ali�s, sou uma pessoa rather cold.

se pudesse... tinha fugido durante os dias que come�am... sei bem o que queres dizer sobre estes dias
alegadamente, cristo morreu hoje. quando os rel�gios batiam as tr�s da tarde.
fui "arrastada" para uma via sacra. n�o hoje mas quarta-feira. o padre era meu conhecido. foi muito "bruto" naquilo que disse, apesar das coisas que proferiu serem necess�rias aos ouvidos. aquelas coisas que doem s� de ouvirmos... foi isso que ele disse. e os meus quase rebentavam a certo momento. o que vale (ou o que n�o valeu muito, pareceu-me um pouco de batota) era que eu o conhecia. veio-me dizer que estava irreconhec�vel. mal ele suspeita que n�o se deve �nica e exclusivamente ao corte de cabelo...

ain't this enough?

17 de abril de 2003

hoje refugiei-me... fico em casa, fujo um pouco de ti, das nossas noites.

esteve um tempo estranho por aqui. o sol envergonhado, o tempo quente, abafado...
apeteceu-me uma esplanada, ler o meu livro (sim, diminui a lista, j� estou a meio do killing me softly - Ju, tinhas raz�o, est� a ser bom e diferente do filme), uma companhia a ler o jornal na cadeira do lado, por entre um olhar, co(r)pos de caf� sujos com a espuma, restos de a�ucar no fundo da ch�vena quente ainda...

podemos come�ar a viver a partir do momento em que o nosso olhar se cruzou pela primeira vez?

12 de abril de 2003

n�o houve muito sol, o sono foi bastante, ap�s uma noitada meio "surpresa"...

fiz asneira, liguei-te, disse-te aquilo que pensava... foi efeito das velas acesas e de algum (pouco) alc�ol...

(Ju, j� esperimentei o vodka red bull!)

pelo segundo ano consecutivo, esqueceste-te, ou, neste ano, fazes-te de esquecido, ignoras as minhas palavras.
(as escritas, as ditas, as desejadas, as pensadas, ignoras qualquer forma discursiva proveniente de mim...)
e as imagens s�o c�leres em afirmar a tua aus�ncia.


de certa forma foi um perfect day... foi um dia como os outros... com a �nica diferen�a de que recebi muitos telefonemas e mensagens...

n�o pedi nada, refilei imenso... lol...

e um chupa agora? tou marota... vou praticar marotices e esconder-me no centro do palco.
:P

10 de abril de 2003

ver novamente o tejo, cheir�-lo, ouvi-lo respirar...

este � o �ltimo dia.

j� sinto saudades do sol e s� hoje choveu, o que me afecta o esp�rito directamente... apetece-me estar quentinha, ch� ao lado, com um bom livro para ler...

d�i-me a garganta mas deve-se ao epis�dio "coimbra" e n�o a outro qualquer acontecimento... n�o me apetece ir para casa, n�o me apetece festejar rigorosamente nada... n�o me apetece estar muito acordada durante estes dias... queria uma m�sica nos ouvidos, algo de bom para ler, um local confort�vel e um dia de muito sol...

ser� pedir muito? (e n�o �, alegadamente, nesta data que devemos pedir coisas???)

7 de abril de 2003

de volta....

Coimbra foi totalmente surreal...

o que vale � que aprendemos com os nossos erros...

a converg�ncia de loucuras tem o dom de nos fazer sentir acompanhados e de nos dar mais pares de olhos com os quais podemos delirar...

um recado deste fim de semana...



a queimar os �ltimos cartuchos esta semana... e ainda tenho de dar um salto at� � Castro...

3 de abril de 2003

curioso... agora s� tenho entradas em dias �mpares...

e n�o tenho dormido nada...
tr�s lugares que, apesar de tanto tempo a viver no porto, ainda n�o visitei e est�o por ver:
1. serralves
2. parque da cidade
3. topo dos cl�rigos

a m�sica que estou a tirar da net neste momento:
tom the model - beth gibbons
perfect day - do filme trainspotting

livros que tenho de comprar... quando tiver.... t$e$m$p$o
1. livro do desassossego de bernardo soares aka fernando pessoa
2. a montanha da alma de gao xingjian
3. cem anos de solid�o de gabriel garc�a marqu�z
4. killing me softly da nicci french
5. � espera de godot de samuel beckett (algu�m sabe onde p�ra a molly bloom????)
6. morte melanc�lica do rapaz ostra de tim burton

ando a pensar juntar dinheiro para...
1. um leitor/gravador de dvd's
2. um qualquer festival, embora o sudoeste esteja em larga vantagem
3. ir ao optimus.hyp@meco. a presen�a da bjork e do moby s�o tentadoras...
4. ir ver a castro antes que saia de cena...

1 de abril de 2003

quem quer vir comigo ver o tesouro que descobri?

quem quiser, diga.mo e venha, silenciosamente...

27 de março de 2003

26 de março de 2003

estou cansada...
tão cansada... parece que passaram o dia a bater-me...
sinto o corpo tão separadamente como entidades estranhas que se rejeitam...


e as imagens que nunca mais chegam até mim...

permaneço na escuridão da ignorância... ou na sua luz, ainda não decidi muito bem...
(curioso... ultimamente só tenho entradas em dias pares...)
ALERTA! MUDANÇA DE PREDICADO

fiquei toda a noite a pensar na tua voz no meu ouvido...

se me deixasses, abraçava-te com a vida toda...

24 de março de 2003

o dia está mesmo a começar... como a semana...

apetecem-me as pessoas...

que urgência do ser humano... até estranho...

22 de março de 2003

hoje voltei a dormir o dia inteiro. recebi uma preocupação que rezava "que se passa contigo ao fim de semana?"

a resposta é simples. não é este fim de semana. é este tempo, é o calor que se entranha em mim, sou eu a descobrir-me diferente, sou eu a mutar-me. a amputar-me.

não o lembro mais.

os países estrangeiros têm paladares que me apetece provar... depois conto-te a que sabem.
quem sabe, num destes fins de semana...

20 de março de 2003

hoje falou-se muito de irmãos. e família...


dei comigo com saudades da rita, sem que ninguém, afinal saiba quem ela foi. nem eu própria sei. e penso nas minhas outras irmãs, que não de sangue. e descobri que me deixaram todas elas, a começar pela rita.

talvez seja mais a potência do que a rita seria que me atrai mais. e, no entanto, tive hoje saudades dela, de deitar a minha cabeça no seu colo e contar-lhe porque perdi o sono há duas noites.
seria a ela que eu ligaria para me salvar e não a ti que não me salvaste. nem quiseste saber o perigo que corri... há duas noites atrás. nem queres saber o perigo que continuarei a correr nos próximos tempos, quando estiver frente-a-frente a imagens já vistas, que não as de há duas noites atrás, no (re)começo de tudo.

a aprendizagem de me resgatar, de me salvar sem que tenhas, em algum momento, esperado por mim na esquina de um prédio sujo, com uma flor nos cabelos.

seja como fôr, vou entrar de férias disto... vou para fora daqui para aprender a escrever o meu nome numa qualquer língua estrangeira que não compreendas.

19 de março de 2003

há encontros que se fazem aparte do mundo...

e há pessoas como tu, de quem se gosta com a vida toda, assim, com a vida toda a abra�ar-te de uma só vez, uma única vez.

hoje apeteceia-me ser tudo e não ser eu, estalar os dedos, acordar deste sonho (sim tenho a certeza de estar a sonhar), e dizer-te "bom dia, deixa-me beijar os teus altos olhos nesta manhã que nos pede calor e água"

ainda aqui virei dizer-te mais coisas durante o dia de hoje... mas não agora... agora ainda é muito cedo para te dizer o que tenho a dizer-te mais...

17 de março de 2003

esta porcaria t� toda marada... de qualquer maneira, aqui fica um novo blog, gatices (digo eu) e outras tramas... e um bixu a querer ter um blog... hehehehe (vejam nas novidades directamente...)

16 de março de 2003

est� um calor espl�ndido para sairmos, n�o est�? queres vir morder umas flores comigo?


aparece...

15 de março de 2003

j� tinha saudades disto...

do sol no c�u, um calor de ver�o, vir ver o mar, junto a uma banca de gelados e tripas e bolacha americana.
tinha saudades de voltar assim a casa.

voltei a escrever. voltei a olhar o meu reflexo no espelho.
por acaso, no fim de semana passado, fomos acordados c� em casa por um enorme estrondo, o c�o p�s-se a ladrar, arrancou os meus pais da cama.eu estava com dores de barriga, tive medo dos ladr�es ou coisa parecida, e ningu�m descobriu o que tinha acontecido. eu s� sabia que tinha sido no meu quarto e, por momentos, tive medo que aquele estrondo tivesse sido eu que tivesse morrido e n�o sabia ainda. mas doia-me a barriga, n�o podia ter sido isso...
n�o foi isso. acordei de manh�, realmente, ningu�m sabia ainda o que tinha sido. at� que olhei para o meu qarto e descobri: o espelho tinha caido no meio do ch�o. e n�o se tinha partido, estava intacto, como se algu�m o tivesse tirado e posto no ch�o, com a face que nos d� a imagem, virada para baixo. n�o se partiu... parece que n�o tenho sete anos de azar... tamb�m, s� me faltariam cumprir cinco para completar a senten�a...

mas n�o era nada disto que eu queria contar... o que eu queria contar era que voltei a escrever. escrevi tanto... e, ao olhar para o "arquivo" vi que, nem um poema por m�s fiz no ano que passou... pouca actividade, realmente, uma desaprendizagem daquilo que sou. mas voltei a escrever, a olhar o meu reflexo no espelho... nem que seja no espelho caido....


anabela, aqui est� o meu poema novo (sim, a pedido especial, que dizes que nunca l�s poemas meus...)

(Falei-te hoje)

Um retorno a mim mesma

Estou exausta
Como no fim de uma grande viagem
sem paragem no meio para descansar.
O corpo entorpecido
que volta agora a si.
Como se voltasse � casa da minha inf�ncia,
voltei.
N�o precisamos
N�o precisaremos de (voltar) a falar
sobre o que se passou.
Porque nada se passou.
Leio livros infinitos de um mesmo autor
que descreve
(linha sim-linha n�o)
a minha pouca vida contigo.
Compro artigos de papelaria.
Imensas folhas brancas pedindo.me
tinta e impress�es (digitais)
Talvez fa�a um retrato do
retorno a mim mesma...


eu sei que n�o � brilhante... mas n�o precisa de iluminar para eu gostar dele...
n�o sou nada brilhante...

dei comigo esta semana a ter saudades de pessoas...
por exemplo, de conversas informais em que parecemos estranhos ao exterior com as palavras...
pensar muito e falar contigo... um exerc�cio mental ao qual me dedico v�rias vezes, n�o tantas quantas as pretendidas, mas que ficam por dizer, na aus�ncia das tuas respostas...
deixa l�, tamb�m n�o poderias saber....


porque, simplesmente,


eu nunca to disse...

10 de março de 2003

aqui estou eu...

parece que, de novo, de volta a estas lides e afins...


tenho o sol a bater-me nos olhos, a sensa��o deste calor abrasador do dia que hoje (dis)correu por entre os vidros. primeiro os de um comboio cheio de gente. depois das salas de aula. cada vez que me levanto, uma tontura (ou ser� tortura?) apetecia mais um relvado e um bom livro que estar aqui... voar um bocado sem asas, ir fotografar a ponte dom luis, qualquer coisa assim...
n�o sei bem se a tontura me vem do sol intenso nos olhos, de me ter cruzado contigo e termos trocado meia d�zia (sim, foram seis...) de palavras ou ainda do estado de sa�de que ainda n�o � muito famoso...

talvez as coisas mudem este m�s...

9 de março de 2003

long time no see but wish.....

� verdade, sempre tiveste raz�o nisso: quem � vivo e desejado... sempre aparece. nem que seja nas p�ginas de um jornal, na �ltima coluna, numa rec�ndita e meaningless sec��o do mesmo... nem que seja num guardanapo, num recado escrito a tinta de pequenos almo�os fugidios...

"o tempo � um ch�o que ningu�m pisou"
e, no entanto, vejo tantas pegadas tuas � volta da minha casa...


lia a P�blica, um artigo qualquer enquanto esperava pelo final do download de uma m�sica, quando me lembrei da tua cara, no dia em que nos conhecemos, a moldura do teu sorriso, por debaixo daqueles �culos escuros (que eu detesto, embora sejam os que prefiras) e contra o c�u azul, o amarelo forte do bar de praia, o som das ondas ao fundo... e sim, eu a pagar a conta! soltei uma gargalhada e abstra�-me completamente do artigo sobre a fome no mundo. foi uma recorda��o engra�ada... tive vontade de te ligar, rir-me da praia contigo...

is anybody out there
i reach my hand

nobody.
(que � como quem diz)
ningu�m.

28 de fevereiro de 2003

and i wonder...

que como algu�m poderia (pretender) traduzir para portugu�s: e eu pergunto-me, e eu fantasio, eu utilizo hip�teses imagin�rias para inquirir, eu maravilho-me. porque wonder vai dar a wonderful e wonder independentemente � uma..... maravilha... e wonder tem um "w" de walk que � caminhar, um "o" de oooooooohhhhhh so good!, te um "n" de nothing que � um nada, um "d" de desire que � ardente, um "e" que explode na palavra quando menos damos por ela e um "r" de recome�ar d� for�a e faz crescer, e n�o faz mal �s crian�as tia Marta pq o podemos levar pr� lanche e tem muito leite pra crescermos fortes e saud�veis...

and i wonder...

se eu fosse diferente, como tu, olhar-me-ias de outra forma mais........ "desej�vel"?

ora responde l� a esta....

26 de fevereiro de 2003

se me tivessses dito antes, como agora mo dizes, e n�o te cansas de repetir, que a tua casa est� muito diferente daquela que conheceste em pequeno, ter-te-ia oferecido uma �rvore que pudesses plantar no teu jardim e nos seus ramos pendurar um baloi�o. porque um baloi�o � bastante importante na casa onde crescemos.

a minha escolha est� feita. as imagens que n�o conseguir�s descortinar pelos sentidos chegar-te-�o pela caixa do correio que tens em casa e � guardada longe do alcance do carteiro.

se me dissesses, como ainda n�o mo disseste claramente, que n�o queres que te pense, nem que te sonhe, nem que te toque os dias de uma forma ou outra, cumpririas finalmente o resto do caminho da minha vida sem mim. porque eu apear-me-ia na estalagem mais pr�xima e requisitaria outra montada para poder regressar a casa. e ao baloi�o que deixei balou�ando no ramo partido da �rvore do meu jardim.

25 de fevereiro de 2003

estou farta de ti

� em noites como esta que a aus�ncia me parece a alternativa mais vi�vel para a continua��o dos par�grafos do teu sil�ncio.

estou farta de mim.
j� n�o me consigo resgatar.
n�o h� esperan�a.
e a raz�o n�o fala pela novis.

24 de fevereiro de 2003

fdx
(será que aqui se podem escrever as asneiras por extenso?)

que conheces tu de mim, que pretensões pretendes tu tirar de umas quantas horas que passas comigo durante o mês?

as palavras que.se.pegam.umas.às.outras,sem.necessidade.de.espaços.entre.elas.que.tentas,noite.após.noite,sussurrar-me.ao.ouvido não são suficientes para que penses ter qualquer tipo de autoridade sobre aquilo que penso/sinto/faço. não te d� autoridade para me censurares e pensares que me conheces desde que nasci. não conheces. nem tu nem ninguém, que a minha vida não tem raizes em parte alguma.

para ti:
(com quem eu tenho sonhado, noites e noites a fio,
sem que to possa dizer,
porque nem imaginas que te penso,
quanto mais que te sonho noites e noites a fio...)

um segredo que encontrei no fundo da gaveta que tinha as fotografias antigas do pôr do sol:


Novamente a areia,
Novamente o mar,
Novamente a praia...
_____________E, quando olhei para trás,
_____________não vi as minhas pegadas.
___________________________________14012001


(acho que me esqueci que, nesse dia, tinha voado...)
(In The Nursery - Anatomy of a Poet)
Oscar Wilde.

The Harlot's House

We caught the tread of dancing feet,
We loitered down the moonlit street,
And stopped beneath the harlot's house.
Inside, above the din and fray,
We heard the loud musicians play
The "Treues Liebes Herz" of Strauss.

Like strange mechanical grotesques,
Making fantastic arabesques,
The shadows raced across the blind.

We watched the ghostly dancers spin
To sound of horn and violin,
Like black leaves wheeling in the wind.

Like wire-pulled automatons,
Slim silhouetted skeletons
Went sidling through the slow quadrille.

They took each other by the hand,
And danced a stately saraband;

Their laughter echoed thin and shrill.

Sometimes a clockwork puppet pressed
A phantom lover to her breast,
Sometimes they seemed to try to sing.

Sometimes a horrible marionette
Came out, and smoked its cigarette
Upon the steps like a living thing.

Then turning to my love, I said,
"The dead are dancing with the dead,
The dust is whirling with the dust."


But she - she heard the violin,
And left my side, and entered in:
Love passed into the house of lust.

Then suddenly the tune went false,
The dancers wearied of the waltz,
The shadows ceased to wheel and whirl.

And down the long and silent street,
The dawn, with silver-sandalled feet,
Crept like a frightened girl.



it was not the harlot's house onde te deixei. de qualquer maneira, deixaste o meu bra�o, a berma do passeio por onde te seduzia, e entraste "Love passed into the house of lust". talvez fossem os violinos ou talvez a cara alegre do arlequim que te mascarrara os l�bios-carmim.

h� j� dois dias que n�o durmo e amanhe�o com uma marca na m�o direita... um filete que atravessa as costas da m�o, paralelo ao pulso. h� j� dois dias que, � minha caixa de correio n�o chega nada sen�o publicidade. h� j� dois dias que a tua sombra se assustou, arrepiando caminho por entre os tojos do pinhal, junto � praia.

d�-me tr�s raz�es pelas quais n�o te deva ligar... talvez assim me conven�as finalmente.

19 de fevereiro de 2003

Peter Murphy
in Cascade

Wish

I wish it was spring
I wish it was your house
We'd invite the beggars
Hanging 'bout your front fence
Wish I was your tree
I wish I could bend and bow
Like the branch of ash
Bum idols for love

I wish we could dress
In only happy cloaks
And blow rave waves
To the lily pond
I wish I was your mirror
Give you up my wand
Wish I was your mirror
Be your fine shine
Wish I was a nomad
Living in your land
An Irish tinker
Drinking juice of rose
From your hand

Wish I was a beggar
Waiting at your door


I wish we could dress
In only happy cloaks
And blow rave waves
To the lily pond
I wish I was your mirror
Give you up my wand
Wish I was your mirror
Be your fine shine
I wish I could rush
To see the first sun
Rise to your call
Bum idols for love


desejo, mais que vontade, desejo de voltar àquela sensação de ver este senhor no palco... render.me completamente, como há muito não acontecia, render-me completamente à encenação sincera das suas palavras... abandonar-me a mim, deixar-me, dentro de mim... corropio de sentidos, um desmaio e a inconsciência...

perder.me...
i wish...
parabéns...
consegui não festejar o segundo aniversário da noite em que sussurraste ao meu ouvido a frase que me fez estremecer. "matar-te-ei quando menos esperares"
acreditei.

mas já o esperava quando aconteceu.

15 de fevereiro de 2003

parabéns meu kidito... hoje faz quatro anos (muitos, assim, com quatro dedinhos espetados e o polegar juntinho à palma da mão) o homem mais precioso para mim... a única pessoa, que me pediu, candidamente, nos últimos tempos "vem dormir comigo".. e desengane-se aquele que se prepara para me denunciar à polícia, não sigo as headlines da actualidade...


parabéns jaime.

faz hoje quatro anos aquele que me consegue fazer sorrir com actos tão simples como dois braços a pedir colo e um sorriso maroto a esconder-se na ombreira de uma porta.

parabéns jaime.
tenho saudades tuas.

14 de fevereiro de 2003

cinco coisas que queria fazer com alguém, sem meter coisas complicadas ao barulho,
pelo simples prazer de o fazer, pela simples falta que me fazem...

01. comer gelado de baunilha com cobertura de leite condensado, de canecas de leite
02. fazer o pino
03. deitar a cabeça no seu colo e brincar com a sua mão
04. escrever um poema, a tinta, no seu braço
05. espalmar a mão no seu peito.
ninguém.
surpresa

é a palavra que me ocorre...
surpresa pela positiva... tanta gente nova por aqui... olhando o mar ou em under_grounds, tanta gente que eu conheço a "bloggar"
e surpreendi-me contigo, fiel...
que te chamar?
sei apenas que me lês sempre...
e surpreendi-me contigo, surpreendi-me a pensar em ti...

vim a casa...
viagem de comboio, não chegava mais... e afligi-me, ao aperceber-me de que já não sabia escrever um poema... senti-me perdida, sinto-me perdida sem um poema...

incessantemente tenho a sensação de que procuras a minha mão por entre os nossos corpos, que se atraem e se reconhecem...
e eu não tenho nenhum poema para te amar...

vamos sacrificar ainda uma cama...
mas só o saberás quando no quarto(...) entrares...

chegar a casa é deixares-me chegar perto de ti.

13 de fevereiro de 2003

e aquelas palavras encostam-se a mim...
fazem-me crer na solidão dos meus próprios passos, confundem-se com o rumor do vento pelas esquinas vazias dos prédios desta cidade...

"(...) tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer."


estou só mas não solitária. tenho sonhado contigo todas as noites e os lugares estranhos onde te encontras são-me familiares nas minhas fantasias...

vamos incendiar a tua cidade.... mas isso tu ainda não sabes....

31 de janeiro de 2003

é-me igual se não me ouves...
é-me igual se dormes a estas tardias horas.

contento-me com tão pouco...
estar aqui, a teu lado, a tua mão por sobre os lençóis, tão perto do toque, à distância de uma carícia...
contento-me com tão pouco...
umas quantas letras escritas por sobre a derme,
a tinta que se entranha lentamente nos meus poros, o teu olhar pelas paredes do meu quarto...
uma fotografia desfocada...
contento-me com tão pouco...


é-me igual todo o tempo que passa, uniforme no exterior de mim... é-me igual, não me fere na pele.

queria saber que poemas mais gostas para to dedicar...
quem sabe... aqui, porque não? aqui sim, um poema, o teu poema favorito... escrever-me-ás a dizer-me qual é?...

29 de janeiro de 2003

Maria do Rosário Pedreira
de O Canto do Vento nos Ciprestes

Pudesse eu morrer como tu me morreste nessa noite -
e deitar-me na terra; e ter uma cama de pedra branca e
um cobertor de estrelas; e não ouvir senão o rumor das ervas
que despontam de noite, e os passos diminutos dos insectos,
e o canto do vento nos ciprestes; e não ter medo das sombras,
nem das aves negras nos meus braços de mármore,
nem de te ter perdido - e não ter medo de nada. Pudesse

eu fechar os olhos neste instante e esquecer-me de tudo -
das tuas mãos tão frias quando estendi as minhas nessa noite;
de não teres dito a única palavra que me faria salvar-te, mesmo
deixando que eu perguntasse tudo; de teres insultado a vida
e chamado pela morte para me mostrares que o teu corpo
já tinha desistido, que ias matar-te em mim e que era tarde
para eu pensar em devolver-te os dias que roubara. Pudesse

eu cair num sono gelado como o teu e deixar de sentir a dor,
a dor incomparável de te ver acordado em tudo o que escrevi -
porque foi pelo poema que me amaste, o poema foi sempre
o que valeu a pena (o mais eram os gestos que não cabiam
nas mãos, os morangos a que o verão obrigou); e pudesse

eu deixar de escrever nesta manhã, o dia treme na linha
dos telhados, a vida hesita tanto, e pudesse eu morrer,
mas ouço-te a respirar no meu poema.


pudesse eu morrer-me na tua boca... as minhas mãos estão gastas e velhas, grandes demais para o meu corpo, pequenas demais para albergar o teu nome... e se me mostrasses agora o teu corpo, com que mãos afagá-lo-ia eu? com que sorrisos te mostraria o chão dos meus dias? e como te explicar que és tu o poema que (ainda) me sustenta... como te dizer tanto daquilo que ficou por dizer? como te murmurar as conversas que tivémos apenas dentro de mim? como tudo isto fazer... se me morreste nessa noite... por entre a fímbria do lençol e o meu corpo...

20 de janeiro de 2003

Carlos Drummond de Andrade


A Um Ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o acto sem continuação, o acto em si,
o acto que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.



não tenho mais a escrever... é inútil....

15 de janeiro de 2003

Portishead, in Dummy
by Beth Gibbons


biscuit

I'm lost and found,
Stranger things have come your way,
Its just I'm scared,
Got hurt a long time ago,
Can't make myself hurt,
No matter how hard I scream

Oh sensation,
Its in slave of sensation,

Fully fed yet I still hunger,
Torn inside,
Haunted I tell myself yet I still wander,
Down inside,
Its tearing me apart

Oh sensation,
Its in slave of sensation,
I'll never fall in love again,
It's all over now

At last relief,
A mother's son has left me sheer,
The shores I seek,
Are crimson valley distant,
Can't make myself hurt,
No matter how hard I scream

Oh sensation,
Sin slave of sensation,
I'll never fall in love again,
It's over now



que mais dizer por entre as brancas linhas do blog? que mais acrescentar? não preciso de nada daquilo que me dás: a indiferença e as propositadas feridas abertas na carne ardem-me na pontas dos dedos frios....

perguntam-me por ti sem se referirem ao teu nome. por meu sincero e expresso pedido, é certo, mas, ainda assim, sem se referirem ao teu nome.... perguntam-me por ti. e a mera referência não me faz nem tremer... confundirei alguma vez, teu nome, numa lista telefónica? ou encontrar-te-ei, um dia, longe de tua casa, por acaso, nalguma rua suficientemente larga para poderes mudar de passeio sem que te veja?

no teu nome lia-se desejo naquela tarde e, por mais que o soletrasse, a conjunção de todas as letras continuava a ser "desejo"...

dentro de mim há algo que se parte, indiferentemente àquilo que deixei para trás... que foi tanto... e nada mais te tenho a dizer. nada mais a escrever... e ainda nada mais a actualizar...



30 de dezembro de 2002

R.I.P.
Rest In Peace....


e paz é o que hoje procuro por entre os escombros da minha escrita. o poema morreu em mim. era morte certa, eu sabia, tu sabias... aliás... tu sabía-lo.... muito antes de eu tomar conhecimento.... o poema morreu em mim. nem o teu nome mais consigo olhar por entre as nesgas de parede branca da minha casa. quem suspeita que tudo isto é real? quem sabe deveras que tudo isto vive? o poema morreu dentro de mim.... quando me interpelaste, pela primeira vez, deverias ter perguntado
"vamos subir um degrau na intimidade? deixas que plante um poema dentro de ti?"
e eu responderia sem palavras e deixaria que concebesses um poema do lado de dentro de mim. inverteríamos assim os papéis. e eu, sem palavras dir-te-ia sonhar o poema, quando, na realidade só o conceberia no momento frágil que vai do fechar os olhos ao adormecer.... e aí... o teu sorriso seria mais meu e o meu olhar no teu nome pelas nesgas brancas da parede seria agora tolerável, desejável mesmo... disseste-me que me visitarás quando fôr para longe, para verdadeiramente longe. e eu sei que não me virás ver enquanto estiver suficientemente perto para olhar a nesga branca da parede de minha casa. o poema morreu em mim e não em ti. não são tanto as coisas pequeninas que tenho medo de esquecer... essas... são as que se guardam no momento da perda. são as médias... aquelas coisas médias... sem importância. não o cheiro ou o sabor, o olhar, a maneira como passavas as tuas mãos pelos meus cabelos, a maneira que tinhas de procurar a minha mão, o carinho quando me acordavas... não essas coisas que revivo mas as coisas médias. as pequenas atenções... os pequenos presentes que caracterizavam o poema..............


ainda não decidi que sabor tem o poema que morreu...
posso fazer uma pergunta?
não vais fugir, gritar, acusar-me de te querer violar?
vamos subir um degrau na escada da intimidade?
trocamos de sabor?

25 de novembro de 2002

Manuel António Pina

AMOR COMO EM CASA

Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas que me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no amor como em casa.


há quanto tempo não vou a casa... estrangeira nesta cidade de múltiplos abrigos, todos umbrais de portas, portões fechados, medo de roubos, seguranças com chaves seguras de cadeados grossos de medos. ..... um dia terei atenção aos caminhos que trilho por entre os prédios e encontrarei, por fim, a tua casa............

21 de novembro de 2002

A. Ramos Rosa


Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em frios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol

Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol.

A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida.

Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde.




estou viva.... frenética esta noite que me pede chuva e vento e raios e suor e lágrimas e areia muita, molhada por debaixo dos pés, e o cabelo húmido da chuva que cai, incessante..... estou viva.... silenciosamente, dolorosamente viva. sobrevivente aos dias teus... a terrível constatação da ausência de mim em mim. a oferta de um corpo, o sacrificio a um dEUS tão menor quanto o seu olhar.... tão ausente quanto as suas mãos. o altar onde te escrevo partiu com o frio que se instalou no santuário do meu corpo. as entranhas que se definem agudamente entre os meus dedos, no esventramento que ocorreu quando o sol pelos vitrais se rasgou........ estou viva... frenéticamente, solitariamente viva. fazia-me tão bem hoje alcóol pelo sangue. escorridio..... cinicamente trilhando caminhos de fogo dentro de mim... as labaredas queimaram então as paredes (de)escritas. o fumo enegreceu os poemas pelo corredor..... estou viva, na maravilha de um espaço deserticamente horizontal, estou viva. nada a assinalar a sul.

30 de outubro de 2002

Paulo Leminski

1.

lembrem de mim
como de um
que ouvia a chuva
como quem assiste missa
como quem hesita, mestiça,
entre a pressa e a preguiça

2.

já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à
vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a
única coisa que me acalma




morri. no dia em que fechaste o teu corpo por sobre o meu. morri. a cidade que se encobria pela tarde dentro. deixámos o pássaro fugir pela janela. mas ficou no parapeito, fez companhia aos corvos quando estes apareceram. as aves alimentaram-se da nossa carne putrefacta. as órbitas esvaziaram-se com o tempo e os papéis amareleciam pelos cantos. a tinta descascou das paredes. faz-nos tão bem morrermos...

25 de outubro de 2002

vou ser algo previsível... al berto

Carta da Flor do Sol (excerto)
de Al Berto


"lembro-me que tínhamos fome havia três dias
encostado ao mármore da mesa-de-cabeceira dormia a fotografia
e o maço de português suave filtro
a escuridão não era só exterior
conhecíamo-nos pelo tacto e pelo olfacto
tornámo-nos murmurantes
e tu refulges ainda no escuro dos quartos que conhecemos
cruzámos olhares cúmplices
falámos muito não me recordo de quê
e no calor dos corpos crescia o desejo
caminhámos pela cidade
eu metia a mão nas algibeiras
onde tacteava tudo o que guardara e possuía
um lenço uma caixa de fósforos um bloco de notas
sentia-me feliz por quase nada possuir
a imagem azulada de tuas mãos flutuava diante de mim
gesticulavas para me dizer que estávamos vivos
e apaixonados"


lembro-me... as amuradas eram os corpos que refreavam a cama. nada possuía a não ser o teu sorriso, o teu olhar e as tuas mãos. nada possuo agora. nem o teu olhar, nem as tuas mãos, nem o teu sorriso. agora sim, estou verdadeiramente pobre. agora sim, estou verdadeiramente feliz. gesto nenhum entre nós. estamos mortos. e nada sei de ti.

22 de agosto de 2002

(por lapso...) aqui fica o contexto (para os mais interessados)...

Do Desejo
de Hilda Hilst

E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível

E o que eu desejo é luz e imaterial.

Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.


era o que gostaria de ouvir Aquele Outro dizer, na sua voz cálida..."Como te amar, sem nunca merecer?"
Hilda Hilst escreveu em 1992 "E por que haverias de querer minha alma/ Na tua cama?"... Se ela fosse minha, se um dia mo perguntassem, que diria eu? "E por que haverias de querer minha alma/ Na tua cama?"... a diferença entre um corpo numa cama e uma alma, desembrulhando.se por sobre a cama... a diferença entre o colorido de uma pele e o quente roçar de uma alma pelo áspero toque de um rosto. Hilda Hilst sabia o que queria perguntar... "E por que haverias de querer minha alma/ Na tua cama?". Além da questão mais habitual, aquela à qual eu já não quero saber a resposta, (porquê?) é esta a questão que, um dia, gostaria de colocar... "E por que haverias de querer minha alma/ Na tua cama?". Embora agora já nada signifique... Embora agora isso significasse um incesto fulguroso... Mas não acho que, algum dia alguém tenha querido a minha alma numa cama...