23 de junho de 2004

"Age doesn't protect you from love.
But love, to some extent, protects you from age"
Jeanne Moreau (1928)


estive a ler umas coisas antigas guardadas nos arquivos do meu computador...

estive a limpar alguns cantos do meu sono.

a hugin recusou-me. nem devem ter aberto o quarto. aposto como a porta ainda está encostada, da maneira como a deixaste encostada. e, a atestar isso, as marcas de pó não me deixarão mentir.

22 de junho de 2004

não tenho fome.
tenho sono...

o quarto em chamas já seguiu pelo correio.... agora falta esperar.

o tempo está abafado. falta-me um pouco de ar fresco. falta-me vontade de trabalhar... falta-me...

não sei porque não consigo mostrar as minhas imagens aqui... alguém tem a explicação?

quem me dera ter net em casa...

21 de junho de 2004

"do your best
not to forget me"

ainda me custa a compreender como as coisas se processam.

linhas entrecruzadas
rotundas em oito do lado francês
do canal da mancha.
conduzir do lado errado
da estrada sempre me trouxe problemas
de visão.
100 km/h com o alcoól a correr
célere
pelas principais avenidas
lisboa num rasgo de olhar
peças de roupa perdidas
pelos cantos da solidão
interrompida.
sugestões de outras vidas
insinuadas no desapertar
de um botão de camisa.
se soubesses o meu
sabor de gelado favorito
a estrada não teria fim.



sabes joana,o carlos dizia, no outro dia, que pertencemos a uma espécie diferente... estranha... e pensei como são estranhas as pessoas à nossa volta. não essencialmente eu ou tu mas toda a gente que nos rodeia. como nos (re)conhecemos pelas special features de cada um... na naturalidade da nossa "estranheza"...

tenho dez moradas em cima da mesa... dez exemplares do quarto em chamas que me vão abandonar para poderem regressar... seja como fôr que regressem...

18 de junho de 2004

17 de junho de 2004



é disto que somos feitos
pequenas gotas de água
libertadas por um aspersor
que caem no braço de alguém que passa,
num dia de calor

pequenas coisas
a ordem tímida dos gestos
as sardas que se espalham
no teu rosto
a tua mão dentro de mim
no fim da garganta
junto à pequena covinha
do pescoço
a tua mão dentro de mim
puxando-me de desejo



as coisas não se repetem, não se vivem duas vezes... e a poesia ficou fora da porta, no seu devido lugar.

doem-me os olhos, está muito calor.
e não há motivos de preocupação. ainda aqui estou. ainda sou a mesma. sem precisar de provar algo a alguém.

12 de junho de 2004

ainda há muito que te quero mostrar... as ausências geram destas coisas... sentimentos prontos-a-usar... o verde com o azul, o amarelo, o laranja e o vermelho, as cores arrumadas em círculos cromáticos.

(hoje sinto-me bonita. como se uma luz brilhasse dentro de mim. como se me tivesses agarrado pela base do pescoço e apertasses o suficiente para que as tuas mãos falem de desejo, o suficiente para que os meus olhos se fechem na ansiedade de ti.

"i'm sleeping under the water line"

e sei que tu aí me esperas...

11 de junho de 2004

não tenho nada de mais a dizer (não tinha já dito que me faltam as palavras?)...


custa-me este silêncio... este vazio de palavras...

10 de junho de 2004

é como se... como se tudo o que eu tivesse a escrever já tenha sido escrito... sinto-me vazia... vazia há mais de um ano... vazia de palavras... como se já te tivesse dito tudo e tudo tivesses tu ouvido (ainda que tão pouco tenha passado pelos teus ouvidos)


estou profundamente triste e não tenho as palavras para te dizê-lo...

reencontro-me nas memórias de ti...


"(...)I can't believe this world is still turning(...)

And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

(...)Oh, when will this tired heart stop beating?, It's all a game, Existence is only a game
And I'm, Not sorry for, For the things I've done
And I'm, Not looking for, Just anyone

I'm, Slipping below the water line, I'm, Slipping below the water line
Reach for my hand, And, And the race is won
Reject my hand, And, The damage is done(...)"

Morrissey in You Are The Quarry



sinto-me deslizar para um quarto escuro...

e apetece-me fazer como o lynch fez para uma das suas curtas-metragens: pintar toda a casa de negro... plantar uma semente na minha cama... manter contigo uma relação auto-incestuosa, meu pedaço de mim...
caio na apatia dos gestos repetidos à exaustão na memória luminosa da tua presença... caio no facilitismo da memória do teu sorriso... e não te quero reencontrar, pedaço de mim... não te quero ver. não me quero cruzar contigo senão em inócuas conversas pela madrugada, para que, logo a seguir, se diluam na matéria febril dos sonhos...

curvo-me.

o meu peito dói-me.
a brancura da minha saia está manchada com finos bagos de romã...


há nódoas que não saem...

7 de junho de 2004

dói-me o colo...

como se te tivesses sentado e, agora que te levantaste, tivesses deixado nele (ainda) a tua presença...
devia pensar em coisas importantes... era suposto pensar... e, neste momento, é o que menos quero...

ocupar-me, assistir assiduamente a todas e quaisquer aulas, ler muito, estudar, procurar apontamentos, organizar informações, fazer arrumações, limpar tudo, cozinhar, ligar a televisão... pensar "que concursos tão simples, que perguntas tão óbvias"... ver um filme, tirar apontamentos, não pensar, não pensar, não pensar, não pensar...


ontem era agulhas, daquelas grossas, que as nossas mães usavam quando nos faziam camisolas de lã, que se espetavam nas minhas fontes... dores de cabeça insuportáveis, dores de cabeça, ardor nos olhos e no fundo do estômago, dorees de cabeça, dores de cabeça, não pensar, dores de cabeça, não pensar, dores de cabeça...


não consigo pensar em ti sem que os meus olhos se afoguem...

1 de junho de 2004




quando as imagens passam demasiado rápido no olhar há traços de luz no caminho.

como a tua passagem pelos meus dias. traços de luz fugidia por entre as pestanas...

Jorge Palma
"Meu Amor (Agora Não Fiques Para Aí A Dormir)


Meu amor,
Parece que agora vou seguir sem ti
Subir e descer,
Correr na lama e voar outra vez...

Sei muito bem onde quero chegar
E sei que não há tempo a perder
Que a tua voz me possa encorajar!

Meu amor,
Agora não fiques para ai a dormir...
Um fato de marinheiro
Não chega para se entender o mar.

Espero que aprendas bem a remar
E espero que a luz do teu farol
Te possa sempre iluminar! "

28 de maio de 2004

Jorge Palma
Eu estou bem

"Mãe
Vi-te sózinha ao meu lado
Não vi, mãe?

Mãe
Vi-te passar um mau bocado
Não foi, mãe?

Mãe
Tu querias ir a qualquer lado

Mãe
Tinhas o amor guardado
Não tinhas, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem


Mãe
Tu gostaste da viagem
Não gostaste, mãe?

Mãe
Precisaste de um pagem

Mãe
Para te ajudar a descolagem

Mãe
Depois ficou só a imagem
Não foi, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem

Mãe
Eu também estive sózinho
Não estive, mãe?

Mãe
Tu querias todo o meu carinho

Mãe
Eu tinha que deixar o ninho

Mãe
Fui-me embora devagarinho
Não fui, mãe?

Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem
Mãe
Eu estou bem, eu estou bem
Mãe
Eu estou bem"




desde que descobri esta música apetece-me gravá-la para a minha mãe. apercebi-me do quão pouco penso na minha mãe. e do quão pouco ela sabe de mim...

que a vida passa e que é tão rápida...


amanhã um outro dia...

27 de maio de 2004

o borras renasceu!

(já parece a fénix!)

birds all over.

festa nos aliados ontem à noite. loucura azul (e eu nem azul sou!)!


noite sem ti.

o dia que mal começa, o suspiro por dar. e a falta de algum calor próximo, de algum calor nocturno. o sair, o conhecer o movimento dos corpos...

25 de maio de 2004

o borras morreu...

longa vida ao borras...

(o melhor manifesto que já li, pró-borras aqui; .joana., fazia-te bem às gargalhadas passares por lá para o ler!)
Al Berto
in O Medo

"...
mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia"



estou apática.dormente nos sentidos. só uma forte cãibra ontem me acordou deste adormecimento.

pequenos momentos que se apagam no correr das horas...
insónias à margem do lento correr dos minutos no mostrador luminoso do rádio-despertador que, não tarda nada, me vai lembrar que o dia começa, no momento exacto em que o sono de mim se apropria...


devia ser um case-study. como é que, a partir das dez da manhã, tenho mais sono que durante toda a noite?

22 de maio de 2004

não sei da tua imagem. do som da tua voz e de ti.

não sei por onde andas e aonde pertences realmente.

por esta altura tu não sabes de mim. quando eu ainda sei tanto de ti.

intrínsecamente, as tuas mãos nunca se esqueceram do caminho até às minhas.

olhei-te pela primeira vez e foi como se te reconhecesse. como se te visse ao longo dos tempos. até muito à frente no calendário.



"ainda não manejei nenhuma arma que não desse ricochete
e a cicatriz sobrevive sempre à mais perfeita ligadura"

Jorge Palma

21 de maio de 2004

Jorge Palma
Ao Meu Encontro na Estrada

Disseste que vinhas
E não chegaste
Mudaste de planos, ok

Mas isso deitou-me tão abaixo
Espero que tenhas pensado bem
Estou triste que só eu sei
Preciso de alguém

(...)

Estou bem chateado

(...)

Pensei tanto em ti
Que não calculas
De manhã, à tarde e ao anoitecer

Andava louco de contente
Só com a ideia de te voltar a ver
Ahh, mas que grande idiota
Voltei a perder

(...)




estava a ouvir as músicas do palma...

achei piada a esta letra. e lembrei-me que disseste ontem que "não te ajudo"... e repito: eu tenho piadas novas, tu é que perdeste o sentido de humor! ;)

apetece-me rir às gargalhadas...

troveja e faz sol.
que fazes tu nesses fins de semana?

20 de maio de 2004

mudei de visual...
rendi-me aos verdes encantos... talvez porque todo o corredor cheire a verde, talvez porque a vista da janela ao fundo do corredor sejam as hortas e pequenos quintais escondidos entre os cubos habitacionais do porto... talvez porque me apete�a o cheiro a terra molhada e relva acabada de cortar...
não sei novas palavras.


a minha escrita está toda igual. preciso que venhas e me ensines as palavras que agora dizes... preciso que mas digas só pelo prazer da sonoridade da junção das letras, do arranhar das consoantes no céu da boca, no lugar onde a língua toca o sítio mais suave.


passo o tempo a começar poemas sem fim. pequenas notas à margem dos dias. o deleite das imagens repetidas na exaustão da noite mal dormida.


estou com insónias. espero que me ensines o que ainda não sei...

19 de maio de 2004

desde que descobri a doce voz de rosie thomas que as minhas noites (especialmente ao volante) se tornaram mais especiais.

sem nunca querer parar até chegar ao destino...

o meu quente dia... ainda vai chover. com muita trovoada. daquela chuva em que eu me sento fora de casa e me deixo molhar... em que ouço os trovões e espero os relâmpagos para que me iluminem a leitura...

está a formar-se uma tempestade neste lado do mundo tropical...