12 de setembro de 2004

estou apática...

não sinto nada.
nem o múrmúrio do frio nem os gritos de sol por entre os rasgos de nuvens.

espero que voltes.

que o tempo volte atrás e eu me encontre sentada, no fim do dia, em frente a uma janela que me deixa voar. a música pela sala, uma voz cálida que me enche a noite e a madrugada.

conhecer-te.

falar contigo à janela, olhando o mar e a lua cheia por cima dele. dizer-te que, o que precisas é de cá vir, olhar o que eu estou a olhar. e chegares. e não ver mais que os teus olhos. mão no joelho.

reconhecer-te.

9 de setembro de 2004

os teus dedos entrançados nos meus pensamentos

dias que já passaram... manhãs bem cedo. neblina matinal.

apertar-te. segurar-te com estas duas mãos, com estes dois braços, com este corpo. apertar-te assim, com o olhar à flor da pele... a boca pedindo água e calor, e suor e sentidos. o que é nosso e de mais ninguém. isto tudo, assim tão sentido, tão estranhamente sentido.

e não há nada que me pertença que não tenhas.

se tu sabes, se eu sei...

qual é o passo à frente?
tipo, muito à frente...



mais fotos, aqui
há sempre uma maneira de recomeçar
... se se quiser...

29 de agosto de 2004

tudo isto...
tudo isto é muito mais que aquilo que eu algum dia pensei dizer...

28 de agosto de 2004

eis a razão...
eis o regresso à condição.



foto de manuel luis cochofel. mais fotos, aqui

quando falo de lugares cidades países
não são viagens não são imagens para ter à sobremesa ou vestidas de cão
à hora de fugir no saco com gavetas incerto voante por Sintra
de nada servirá sentares-te ao espelho no meio de tanto gado e porcelanas
sorridente amável satanás de província
abres os olhos sobre os teus olhos intemerato pensa-dor
e as coisas ardem por dentro alheias à tua memória
a terra imóvel apesar de toda a árdua astronomia E eis senão quando

as carruagens apressam o passo para o cais
cavalos pesarosos com coloridas grinaldas militares É altura de exclamares avidamente Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo! Como quem engole lorenine
antes da neve pedra cair por dentro como um coágulo de vozes
um pássaro cai na água adormecido por um tiro arriscando-se a uma morte prematura a cada passo tropeço em ti E este é um poema de amor encomendado de véspera embrulho-me nele acordo com a tua boca húmida nos cabelos
não direi que te amo
António Franco Alexandre

26 de agosto de 2004

I wonder if i ever let you down
did you keep on moving
I wonder, when i took my feet from off your ground
did you keep on going

If you ever need me, just remember
all the times when we wandered free
If you ever miss me, don't you know
that i feel the same way


Don't you know every sould must grow older
but our past belongs to you
and it should make you stronger
(...)
If you ever need me, just remember
and i'll always be there
If you ever miss me, don't you know
...don't you know...
...we will meet again

...we will meet again

Coldfinger, "Cover Sleeve" in "sweet moods and interludes"


nelson d'aires. mais fotos, aqui


peço água.
como se me faltasse ar para respirar.
limpeza do que fica para trás.

peço água.
como se me faltasse mar por onde navegar.
rasto de ondas brancas de espuma.

peço água.
como se ardesse.
incêndios de inverno alastrando no verão.


é sim de chegar às lágrimas...

25 de agosto de 2004

sometimes, i ask for grace. and i get it.

sometimes i see more i should see. i see it too soon. i listen what you do not say.

and i say the same

23 de agosto de 2004




Roubados "O Grito" e "Madona" de Edvard Munch

Os dois quadros mais conhecidos do pintor norueguês Edvard Munch, "O Grito"
e "Madona", foram roubados ontem de manhã do Museu Munch, em Oslo, Noruega.
(...)
Entre os visitantes, estava um produtor de rádio francês, François Castang,
que ainda ontem prestou declarações à rádio France Inter: "É estranho como neste
museu não havia nenhuns meios de protecção dos quadros, nem uma campainha de
alarme", disse. "Os quadros estavam simplesmente presos à parede com arames.
Bastava puxar com força para que se desprendessem, e foi isso que vi os ladrões
fazerem."
(...)
"O Grito" já tinha sido roubado
Esta não é a primeira vez que "O Grito"
é roubado. Das quatro versões conhecidas da obra, duas, entre as quais a
roubada, são propriedade do Museu Munch, uma terceira está em mãos privadas e a
quarta pertence à Galeria Nacional de Oslo. Foi esta última a protagonista de um
assalto feito em Fevereiro de 1994. Dessa vez, o quadro esteve desaparecido
durante três meses. Foi recuperado pela polícia num hotel de Asgardstrand, a 65
quilómetros a sul de Oslo, depois de três homens terem tentado pedir ao Governo
um resgate de um milhão de euros pela obra.
A versão que ontem foi roubada
do Museu Munch é uma têmpera e pastel sobre cartão datada de 1893.

in jornal "Público",
23 Agosto 2004


21 de agosto de 2004

frase do dia:

'aterrorizado outra vez de não amar, de amar e não seres tu, de ser amado e
não ser por ti - samuel beckett '


os meus happy endings... os meus "meant to be, supposed to be"...

três meses.

fim

20 de agosto de 2004

voltas. como se a minha vida sempre te tenha pertencido.

voltas, ao lado mais ocidental de mim.

de forma diferente, acordas e sorris.

sempre a tua gargalhada. sempre a tua gargalhada no início da noite.

como se o tempo e o espaço se entrelaçassem. como se o tempo não passasse. como se me compreendesses sem palavras.

passam rápidos os dias. as noites arrastam-se sem ti.

19 de agosto de 2004

voltei... depois de mais de dez dias de viagem...

Barcelona- Génova - Pisa/Florença - San Gimigniano - Roma - Veneza - Cortina d'Ampezzo - Salzburg - Praga.

maravilhoso.

hoje estou nostálgica. provavelmente ainda cansada. muitos dias de viagem, muita estrada feita, pouco sono, pouco descanso.

não sei que escrever... só para dizer que já voltei...

28 de julho de 2004

bem, como se o dia de ontem não estivesse a ser mau... caí das escadas abaixo. nada partido. muitos hematomas (e graves), perna imobilizada por três dias...

fantástico... aborrecimento ao fim do primeiro dia. é esse o balanço. nem conduzir posso e agora, até a mais simples deslocação, o mais simples movimento acarreta dores...

como se o meu dia não estivesse já estragado...

27 de julho de 2004

"This world is full, So full of crashing bores, And I must be one, ‘Cos no one ever turns to me to say Take me in your arms, Take me in your arms, And love me

(...)

This world, I am afraid, Is designed for crashing bores, I am not one, I am not one You don't understand, You don't understand, And yet you can"

Morrissey, in You Are The Quarry


encontrar-te esta manhã
na repetição dos gestos diários, rotineiros...
encontrar-te ao acordar, ainda com sono nos cantos dos olhos.

gostei do que disseste. e como, novamente, falaste por nós. como disseste as palavras que não te direi.

penso em ti subconscientemente... e em como me atrapalhas...

há portas que nunca se fecham.

26 de julho de 2004

desejo-te...


massajas-me o coração.

doem-me as costas, os olhos...

reflexos de outros faróis ainda na minha retina. tu ainda na minha retina.

140km/h...

a vida em fastforward... em rewind..

tenho a fita gasta... tudo em pause!

25 de julho de 2004

caminho pela casa suavemente. como algo se partisse ao mínimo barulho. céu azul lá fora.

mantenho as portadas da casa fechadas. restos de luz que passam pelas frinchas. céu azul lá fora. azul puro. mesmo de olhos fechados, eu sei que há um céu azul-puro lá fora.

não há barulho cá dentro. silêncio do calor do meio dia. a mesa no pátio, ainda com os restos do almoço. o jornal dobrado no banco do jardim.

restos de um domingo.
gostava de poder ligar-te. dizer-te que, esta noite, sonhei contigo. e com a tua cama.
gostava de poder ligar-te, sem qualquer tipo de restrições. contar-te a matéria de que são feitos os sonhos. dizer-te ainda que acordei e interroguei-me se não seria verdade, o sonho que tinha sonhado...


Segredo

Esta noite morri muitas vezes, à espera

de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma

enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
 
Fernando Pinto do Amaral
de Às Cegas




 

 
há segredos que ainda guardo.

últimas estrelas do que não quero que morra.

as recordações de ti.




24 de julho de 2004

começo este dia a ouvir o novo album do Rodrigo Leão, Cinema. absolutamente lindo.

o single de abertura conta com a participação de Ryuichi Sakamoto, ao piano,  e da cantora brasileira Rosa Passos. cantora desconhecida entre nós.  

rodrigo leão vai estar no Sudoeste este verão... se eu fosse, seria a segunda vez que o veria no sudoeste... nós os dois a bisar o festival... mas não vou. e ele vai ter de tocar sem mim... e eu vou ter de levar o "cinema" pra itália para colmatar a falta...

23 de julho de 2004

costumava andar sempre de joelhos esfolados. colants que caiam pelas pernas abaixo e camisolas que picavam na gola. brincava com os bonecos perguntando-me se eu própria não seria também um boneco nas mãos de alguém, se a minha vida não estaria a ser imaginada por alguém exterior a mim. se a minha existência dependeria directamente desse ser... como eu, que manipulava os bonecos, na borda da minha cama.

 
agora durmo todo o dia. desperdiço as horas de sol. murcho.

21 de julho de 2004



quase de férias... quase... quase... quase...


boas e más notícias... bons e maus sabores...

itália itália itália...

(estou a ficar sem ter que dizer...)