12 de novembro de 2004
talvez sair daqui. desta casa. que é demasiado grande, aonde o frio se instala para ficar.
talvez sair daqui. desta terra. que tem demasiada água por entre os braços de terra. ria e mar, aonde os barcos não atracam para ficar.
qualquer coisa. outra cidade, outro hemisfério. outro tipo de frio. outro tipo de calor.
aprender a cantar, aprender a pintar, aprender a fotografar, aprender a escrever.
cumprir objectivos trimestrais. como se fosse uma empresa. uma grande máquina, bem oleada.
rodas dentadas, passadeiras, ou o que quer que seja que as máquinas tenham no seu interior...
isto é o que eu lembro mais.
que devia ser tempo de frio. mas não havia frio. havia mais gente, que os nomes já esqueci.
havia o teu sorriso. o teu sorriso. o teu sorriso. num grito, havia o teu sorriso.
qualquer coisa. outra mão, outro corpo. outro tipo de imagem, outro tipo de toque.
outro tipo de sabor.
10 de novembro de 2004
não espero o teu telefonema. o teu nome é apenas um nome entre tantos na lista telefónica. não espero ouvir de ti tão cedo, agora que te ocupaste com minucidades do dia-a-dia e te lembraste que eu (ainda) não passo perto da tua rua, quando saio de casa.
doem-me os olhos por ter adormecido tão tarde (cinco e meia!) doem-me os olhos por ter acordado tão cedo... e parece-me que dormi uma noite de doze horas.
4 de novembro de 2004
lenços de papel à minha volta. amachucados pela repentina doença de inverno.
apetece-me falar-te baixinho, como falo quando tu dormes a meu lado. falar-te como falo para dentro de mim, contar-te histórias que só se passam cá dentro. contar-te imagens que tenho pendentes no olhar, mesmo que me sento à frente do computador para trabalhar, quando leio um jornal, quando me sento junto ao mar. apesar de, nesses momentos, não te ter comigo (que a companhia faz muito os lugares).
apetece-me falar-te baixinho. em português, em inglês, juntar palavras em francês, em alemão... dizer-te ni hau (que é a única coisa que a .j. me ensina em chinês). continuar mensagens com duas ou três semanas de antiguidade, continuar frases com um ou dois meses de atraso.
apetece-me encontrar-te por acaso para te poder falar baixinho, olhos nos olhos, forçando-te a chegar o teu corpo ao meu, procurando o correcto sentido das palavras.
o teu joelho a tocar o meu.
"sou pequenina e caio ao chão", como dirias tu numa oração nocturna. é isso que me apetece dizer porque o mundo anda às voltas na minha cabeça.
je suis malade, diria eu, se não tivesse faltado à aula de francês...
descrever sintomas ao telefone, o médico a dizer o que eu já sabia... virose. nada de agressivo para o estômago, cházinho, papas e cama. pouco frio (só se me emprestares os teus agasalhos para eu dormir, o teu corpo para vestir) e muita alienação em casa, sem nada de concreto para fazer.
quando me dói a cabeça por tudo, quando não posso visitar a minha sobrinha, quando nem sequer me deixam ir à praia, que hei-de fazer? sou uma péssima doente. detestarias ter-me em tua casa nestes dias. acredita. n poder andar pela rua ao frio e à chuva, dá comigo em doida.
estou doente. se apanho quem me contagiou, mato-o!
31 de outubro de 2004
mas vou-me esquecer disto. como me esqueço de coisas que escrevo e reencontro, meses mais tarde, no fundo das gavetas, entre papéis sem nenhuma importância, recibos e apontamentos de aulas que também não lembro. mas claro que me vou esquecer disto. disto e de muitas mais coisas que escreveste.
porque às vezes, escreves mais que aquilo que queres. escreves demasiado cedo, o que ainda não é para se dizer.
28 de outubro de 2004
construo mensagens que escrevo em post-its e espalho pelo quarto. esfrego os olhos de cansaço.
visito esplanadas habitadas pelo sol de fim-de-semana, pelo ócio do jornal e de um café. o mar ao lado. dunas reconstruídas pelas mãos dos homens. e tu de pernas cruzadas, a explicares-me porque é que as intimidades são assim. tão simples como uma troca de sabores.
22 de outubro de 2004
azure ray
ACROSS THE OCEAN
now i've travelled across the ocean
with the same shoes just longer hair
(...)
just give me some kind of sign
is this the right place
or the right time
doem-me os olhos. cansada. não me lembro da última vez que adormeci no torpor da viagem até casa. mas cheguei. cheguei apesar de não saber se é este o local ou o tempo certo para chegar.
passo pelos dias adormecida. arrastando-me pelas ruas, ao sabor do vento dos últimos dias, da chuva que só parou estes dois últimos dias.
emprestei os meus cds das azure ray... já me faziam faltas as suas vozes etéreas. não sei que música delas te mostrar. porque quase todas são de ir às lágrimas.
se adivinhasses aonde vou passar este fim de semana, poderias visitar o quarto em chamas...

15 de outubro de 2004
14 de outubro de 2004
por vezes apetecia-me violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que os fechasses com força. com a força com que me abraças o corpo. com um só braço. prendendo-me a respiração.
o nevoeiro na estrada. o caminho sinuoso. alta velocidade a 120 km/h (só?)
novas tecnologias. imagens em movimento.
quero encontrar-te casualmente. numa esplanada cheia de luz
trocar algumas, breves palavras. perguntar-te se me achas diferente de há cinco minutos atrás. acompanhar-te a casa. violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que me abraçasses como me abraças. com um braço só. prendendo-me a respiração.

2 de outubro de 2004
i don't touch you the way i used to
but listen and think when i
say
who makes you feel the way i make you feel?
coisas do dia a dia.
como o acordar com o quarto cheio de música. melodia que se infiltra primeiramente nos músculos, depois no sorriso e, finalmente, nas pálpebras.
apertos no coração como se um fino cordel a ele se atasse e, ocasionalmente (no compasso do pensamento de ti), se apertasse ao coração como se dele dependesse.
deverias parar um pouco e ouvir o que tenho para te dizer. ver os filmes que listei para te mostrar e ouvir, ao nascer do dia, as músicas que escolhi. ainda que sejam muito longas (mais de 4 minutos cada!), ainda que já as conheças de cor, como se o teu e o meu dia fossem iguais.
coisas do dia a dia
parar para ver uma borboleta morrer na borda do passeio.
30 de setembro de 2004
we're a bit frengers, like the others would say... not quite friends but not quite strangers...
encho os meus dias de música. playlists que escolho a dedo, cuidadosamente ao longo do dia.
não pensando bem no assunto, somos frengers... agora que penso pouco no assunto...
There're no words to say
No words to convey
This feeling inside I have for you
(...)
Look at me losing control
Thinking I had a hold
But with feelings this strong
I'm no longer the master
Of my emotions
24 de setembro de 2004
amanhã (25 de Set.),
a partir das 22h em 105 FM (região de Aveiro)
ou em emissão online, em http://www.terranova.pt
23 de setembro de 2004
para que eu possa perceber... como podes tu ainda levar-me ao deslumbre do que existe. como podes tu rasgar as janelas por onde entra a luz que me é vital à sobrevivência.
diz-me quem és tu de novo
para que eu possa perceber porque procuras a minha mão quando caminhas ao meu lado na rua.
diz-me quem és tu de novo
para que eu o possa recordar, nunca o possa esquecer, para que as janelas nunca se fechem... para que o meu olhar não se desvie mais do que tu és, quem és tu? quem és tu de novo?
que sabes tu que eu ainda não saiba? e porque o ignoras se o sabes, como eu sei quem és tu. de novo.
20 de setembro de 2004
16 de setembro de 2004
Deixa-me só seguir o rumo de outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o
que nos ata
Nos pode prender
Porque há sempre
Uma maneira de
recomeçar
O que se quiser
12 de setembro de 2004
não sinto nada.
nem o múrmúrio do frio nem os gritos de sol por entre os rasgos de nuvens.
espero que voltes.
que o tempo volte atrás e eu me encontre sentada, no fim do dia, em frente a uma janela que me deixa voar. a música pela sala, uma voz cálida que me enche a noite e a madrugada.
conhecer-te.
falar contigo à janela, olhando o mar e a lua cheia por cima dele. dizer-te que, o que precisas é de cá vir, olhar o que eu estou a olhar. e chegares. e não ver mais que os teus olhos. mão no joelho.
reconhecer-te.
9 de setembro de 2004
dias que já passaram... manhãs bem cedo. neblina matinal.
apertar-te. segurar-te com estas duas mãos, com estes dois braços, com este corpo. apertar-te assim, com o olhar à flor da pele... a boca pedindo água e calor, e suor e sentidos. o que é nosso e de mais ninguém. isto tudo, assim tão sentido, tão estranhamente sentido.
e não há nada que me pertença que não tenhas.
se tu sabes, se eu sei...
qual é o passo à frente?
tipo, muito à frente...
29 de agosto de 2004
28 de agosto de 2004
eis o regresso à condição.

quando falo de lugares cidades países
não são viagens não são imagens para ter à sobremesa ou vestidas de cão
à hora de fugir no saco com gavetas incerto voante por Sintra
de nada servirá sentares-te ao espelho no meio de tanto gado e porcelanas
sorridente amável satanás de província
abres os olhos sobre os teus olhos intemerato pensa-dor
e as coisas ardem por dentro alheias à tua memória
a terra imóvel apesar de toda a árdua astronomia E eis senão quando
as carruagens apressam o passo para o cais
cavalos pesarosos com coloridas grinaldas militares É altura de exclamares avidamente Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo! Como quem engole lorenine
antes da neve pedra cair por dentro como um coágulo de vozes
um pássaro cai na água adormecido por um tiro arriscando-se a uma morte prematura a cada passo tropeço em ti E este é um poema de amor encomendado de véspera embrulho-me nele acordo com a tua boca húmida nos cabelos
não direi que te amoAntónio Franco Alexandre