30 de junho de 2005
muda de vida
só que mudar de vida por aqui passa pela cadeira de públicos e audiências do professor jorge marinho
e não foi desta que mudei....
14 de junho de 2005
morreste-me....
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Eugénio de Andrade
6 de junho de 2005
30 de maio de 2005
conversas...
da primeira vez em que te vi. que não conseguias falar e do modo como me olhaste, pela primeira vez.
falar-te da maneira como me olhaste depois. e depois e ainda depois.
falar-te de como gostei logo de ti. de como é tão fácil contar-te coisas que não contaria a ninguém
e acordar de manhã cedo sem que o sono me tivesse incomodado para acordar. acordar como se as quatro horas de sono que dormi fossem as suficientes. como se não precisasse de nada mais para poder passar o dia. nada mais que esta conversa pela madrugada dentro, (o espôntaneo entre nós) sussurrada numa intimidade crescente.
palavras que não se hão-de gastar por se dizerem tantas vezes. palavras que se fortalecem com o uso. como se se revestissem de algum material forte e sólido a cada repetição.
algumas lágrimas. mas, no fim, tu. e eu. e um sorriso interminável...
25 de maio de 2005
distância
com outras coisas como aprender de cor o teu cheiro e o teu sabor...
17 de maio de 2005
regressos
e ontem, ela voltou, fazendo-me uma surpresa que me deixou as pernas a tremer e as lágrimas de saudade, a quererem dar o ar de sua graça... (mas já sou quase uma mulher, como disseste tu, e aguentei-me à bonca ;))
lol lol lol
e, apesar das dores de garganta (vanda, acho k me pegaste qualquer coisa), foi um dia cheio de sol, dos teus miminhos luminosos, e da chegada da .j., que me veio, ainda mais, iluminar o dia...
se não fosse este frio e as dores de cabeça, era tudo perfeito!
15 de maio de 2005
You are Nate, prodigal son of the Fisher family.
You struck out on your own, moving to Seattle
to get away from the family business. Then, on
your flight back home for Christmas, you screw
a woman who will later become your fiancee and
then find out your dad got killed in a bus
crash. You're wild, innovative and quirky. Oh,
and you have a brain disorder that might kill
you.
Which Six Feet Under Character Are You?
brought to you by Quizilla
lol lol lol
e quem vou eu engravidar?!? lol
[by .j.]
13 de maio de 2005
Your #1 Match: INFP |
| The Idealist You are creative with a great imagination, living in your own inner world.Open minded and accepting, you strive for harmony in your important relationships.It takes a long time for people to get to know you. You are hesitant to let people get close.But once you care for someone, you do everything you can to help them grow and develop. You would make an excellent writer, psychologist, or artist. |
hehehehe... e não é k estes sacanas até acertaram?!
12 de maio de 2005
" Cheguei tarde, e os que sabiam de mim
notaram que o meu corpo ja
nao me
pertencia. E perguntaram. Porque ardia
a tua boca nos meus labios
mais do que
a fogueira do segredo, respondi-lhesque o ceu, afinal , era mesmo azul, e o
verao uma estaçao maior que o
tempo,
e o tempo nada se o teu corpo estava
junto desse corpo que todos
ja sabiam
que nao vinha comigo- e que Deus,
Deus fechava os olhos e
existia. Riramos que te tinham conhecido noutra noite
com outra pele vestida; os outros
foram
para muito mais longe que o seu rosto
magoado dizer ao proprio
ouvido que eu
mentia. Mas os que ainda queriam saberde mim pediram-me que lhes contasse
quem eras, o teu nome. E eu mordi
essa
boca vermelha que deixara contigo para
nao ter de dizer que nem o
perguntara."in " Nenhum nome depois", Maria do Rosário
Pedreira
se o tempo durasse tanto como a eternidade do teu sorriso...
9 de maio de 2005
"(...) Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos. (...)"
in "Quem morre?" de Pablo
Neruda
e eu também não a vou evitar...
17 de abril de 2005
"You don't need to be taught to cry. The soul presses a button"*
como o leite que azeda na porta do frigorífico quando eu vou de férias e o teimo em não o deitar fora, mesmo sabendo que não voltarei tão cedo. como se dissesse - talvez volte entretanto - como se dissesse - não é definitivo que vá.
estou seca.
como o ramo de flores que, há anos, está na jarra da mesa do sótão, sem água, e que ficaram iguais ao dia em que as apanhei, mas secas. quebradiças ao toque. como se desfizessem nas palmas das mãos.
se tivesse cordas seria uma má guitarra. apesar de oca, n se ouve nada cá dentro.
o som não se propaga no vácuo, não é?
não preciso que tomem a minha vida. afinal de contas, já estou habituada a estar sozinha. afinal de contas, é o que eu sei fazer melhor. é estar sozinha. e ser amiga. nisso sou muito boa. mas mesmo muito boa. podia até ser doutorada, pós-doutorada, catedrática no que toca ao assunto, "ser amiga" podia dar aulas até gratuitas com o saber ser amiga. é o que eu sei ser melhor. e as requisições são tantas que não sei como dou vazão a tanto "trabalho" que, no fundo, não é trabalho nenhum. que, no fundo, no fundo, é tão natural... é talvez o meu lado mais espontâneo. alguns diriam mesmo, o único lado espontâneo.
só não sei ser amante.
e pra isso preciso de uma ajuda. não sei ser amante.
e já não sei mais escrever...
só a perder qualidades...
e hoje que tou tão amarga...
o açucar nem se dissolve na minha boca. fica por ali, entre a língua e o céu da boca, seco. sinto os grãozinhos que procuram a saliva para se dissolverem. e nada acontece.
afinal de coisas, já devia estar habituada.
nunca nada acontece. algo sempre quase acontece. mas nunca nada acontece...
"- Há muito tempo que não choramos.Mergulhamos o rosto no escuro das mãos, as lágrimasirrompem, suavemente, sem convulsões nem gemidos. Sãoas piores lágrimas, aquelas que se assemelham a ilhasperdidas no meio da nossa própria noite."Al Berto in "O Anjo Mudo"
25 de março de 2005
Babe
Oh, dream about me
On the phone
You're talking quietly
passa quieto este dia. como se as horas se alongassem e eu admirando-me do vagar dos ponteiros no relógio de pulso.
deixa-me falar-te. falar-te de como os dias passam cinzentos e de como este ar do céu de estar prestes a rebentar me deixa inquieta. e de como eu não sou assim. não sou assim. não sou assim. e sim outra que não esta. diferente. deixa-me falar-te. simplesmente, sem complicações.
21 de março de 2005
Temptation
Heaven
A gateway to hope
Just like a feeling
I need, it's no joke
And though it hurts me
To see you this way
They traded by words
I'd never heard
To hard to say them
Up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone to find my soul desire to go home
Oh it's the last time, it's the last time
Oh it's the last time, it's the last time
Each way I turn
I know I'll always try
To break the circle
That has been placed round me
From time to time
I find our lost
Semeaning
That was urgent
To myself
I don't believe
Oh, up, down, turn around; please don't let me hit the ground
Tonight I think I walk alone to find my soul desire to go home
(...)
And I have never met anyone quite like you before
And I've never met anyone quite like you before
(...)
20 de março de 2005
como se pudesses ficar pelo caminho, ficaste ali. num momento intacto.
fizeste-me as perguntas mais difíceis que alguma vez me fizeram e eu nunca tive comigo a resposta certa. e tu ali ficaste. como se fosses uma coisa que pudesse ficar pelo caminho. deixaste-te ficar. como se ninguém te pudesse tocar. como se ninguém te pudesse deixar, a não ser tu.
e ficaste-me para trás. sem que eu pudesse arranjar uma resposta ou tempo sequer de te perguntar as perguntas mais difíceis que alguém te possa alguma vez, ter feito.
14 de março de 2005
it's a rainy day
cobre-se o céu de nuvens mas não chove
e a tua mão ali tão perto, à espera de ser agarrada
(ou será apenas uma ilusão minha?)
e a tua mão ali tão perto com tanta coisa a separar-nos...
9 de março de 2005
hoje, que o calor voltou...
aquecer a derme possível que me cobre. que quero arrancar.
carne viva para que me possas, realmente ver.
quero-me esconder. de ti e do mundo.
encolher-me e deixar-me estar.
hoje que o calor voltou, não tenho calor nenhum.
doem-me os olhos e caminhar basta-me para me esquecer da minha existência.
28 de fevereiro de 2005
um filme proibido na tailândia, por ter sido considerado pornográfico...
vai valer a pena ver...
(argumento)
Enquanto cresce numa vila remota da Tailândia, uma jovem aprende magia com a avó. Mas, quando a velha feiticeira adoece, a rapariga é forçada a procurar trabalho na cidade. Num bar de striptease vai precisar usar todos os seus especiais poderes para atrair homens.
23 de fevereiro de 2005
atchim
se não fosse
a) as dores de cabeça que eu tinha
b) o carro rebocado
c) o frio que se veio instalar em mim
tinha sido o perfeito dia de chuva, na ronha...
agora k me sinto um pouco melhor (que até já cá vim ver as notícias "desarrumadas"), sinto que a blogoesfera, que às vezes pára, se moveu a alta-velocidade nestes dias...
amanhã começo a trabalhar voluntariamente no fantasporto... sim, eu sei que já começou na segunda mas eu só pra lá vou amanhã...
apareçam! nem que seja pra me darem um cêgripe ou assim!
19 de fevereiro de 2005
a culpa sei eu de quem é
não sei bem o quê. só sei que estavas lá... (ou que ficaste lá)
e a culpa, sei eu bem de quem é!
7 de fevereiro de 2005
3 de fevereiro de 2005
música e muito mais
e eu gosto de antony & the johnsons... especialmente desta música...
e gostava de a ter levado agora há pouco, quando fui à praia, ver o mar.
estacionar o carro, beber um café e depois caminhar.
caminhar pela areia... escrever junto às pegadas que ninguém está na praia.
que estou só, como sempre, aqui, estou só.
não sei que música estás a ouvir agora. agora, neste momento. às 0:32 da noite, que música estás a ouvir?
novamente, sigo os conselhos da .j. e ouço lambchop.
não me apetece ir já para a cama...
apetecia-me ouvir a tua voz... sem a (re)conhecer, apetecia-me ouvir a tua voz,
ver de que material se constitui o teu nariz, as tuas costas, aquela covinha, atrás do tornozelo.
sentar-me na outra ponta do sofá e (re)conhecer-te de olhos fechados...
deixar-me-ias,
mesmo que não conhecesses a música?
1 de fevereiro de 2005
psico o quê?
nunca num exame tive as ideias tão claras, a mente sem ser numa enorme nebulosa...
se não for desta, não sei quando será.
fim do exame de psicossociologia da comunicação... jorge marinho, és o meu ídolo!
lol
;)
16 de janeiro de 2005
13 de janeiro de 2005
cinzento
nenhumas. nenhumas mesmo. só que hoje me sinto adoentado e a cabeça não pára de doer...
provavelmente é do tempo que, de repente deixou de estar tão frio para chover uma chuva miudinha, todo o dia, sem que o sol apareça.
o tempo anda cinzento e eu também.
7 de janeiro de 2005
falta-me uma palavra tua
não consigo escrever em cadernos grandes. pedem de mim um estilo, uma
organização, que me é exterior. estranha.
falta-me uma assinatura tua, a tua letra desenhada algures, uma foto
tua, algo de particular, individual. algo que me descreva um pouco de
ti.
falta-me algo teu. palpável. que eu possa tocar enquanto me falta uma
palavra tua.
falta-me uma composição tua. pensamentos espontâneos, um gesto frontal,
algo de impensável, algo de inevitável.falta-me um dia teu.201204
5 de janeiro de 2005
olá
esqueci-me de uma data de gente este ano, de dar os parabéns a muita muita gente. portanto, aqui ficam as minhas desculpas... foi de uma série de coisas... foi que ando com a cabeça em água, a esquecer-me de tudo, a precisar de um choque vitamínico... preciso de apontar tudo, desculpem... preciso de notas e post-its para tudo.
até para dizer: olá.
4 de janeiro de 2005
preciso da minha paisagem de mar e areia sem fim. preciso de sair daqui. fazer qualquer coisa. sair daqui.
e colo-me hoje às ruas, à calçada desta cidade, quase sem calçada portuguesa. coso-me aos passeios de cimento e esquadria quadrada.
coso-me ao Porto como se não tivesse (que não tenho mais) um porto seguro aonde regressar.
3 de janeiro de 2005
sdds
e o meu mundinho ficou um bocadinho mais pequenino.
há coisas que ficam sempre por dizer, entaladas na garganta. ou então,
não sabemos o que dizer e só mais tarde, muito ou pouco mais tarde, formulamos na nossa cabeça as palavras que gostaríamos ter dito. algo de memorável, algo de inesquecível, algo de marcante.
mas a .j. já é, por si só, marcante.
a primeira memória que tenho dela é a dizer "eu tenho sangue em casa!", numa ocasião em que planeávamos uma "actuação"...
a .j. ficou aí marcada como a mulher que tinha tudo. desde os adereços mais estapafurdios até às vestimentas mais antigas e engraçadas. se existia, a .j. tinha.
há episódios memoráveis das conversas da .j., com a .j..
e é por isso que eu vou ter, que tenho já assim, muitas muitas muitas saudades. das conversas, da companhia, dos sorrisos e das gargalhadas. de irmos a exposições, das fotos dela, dos chocolates quentes e das histórias dela. não que as notícias acabem, ou mesmo o contacto. mas a .j., por estes tempos (que se querem breves) não vai estar por cá para irmos ao chocolate, ao chá... e mesmo planearmos idas a lisboa...
por isso, nos próximos tempos... enquanto não vou eu aí, vou ter, tenho já, saudades tuas miúda...
2 de janeiro de 2005
2005
não me parece que já esteja num novo ano.
sonhei que estavamos ainda no dia 31 e que o ano ainda não tinha passado. e que não passava. e que ficávamos sempre no dia 31. mas não era aflitivo, não. era um dia normal. mas a data parava. nós continuávamos a viver mas, a data do calendário era sempre a mesma...
de facto, para mim a passagem de ano é só mais um dia, um número diferente no fim da data.
muitas mensagens neste fim de ano. algumas surpresas...
mas já estou de volta. de volta ao trabalho, ao dia que não te tem...
27 de dezembro de 2004
enquanto aqui estou, pensando em ti, e em como gostaria de ouvir a tua voz, neste exacto momento, em que o telefone poderia tocar, um fax chegar ou até uma mensagem aparecer no visor do telemóvel, enquanto aqui estou, no centro de todo o centro comunicacional da casa, nunca me senti tão periférica, afastada de tudo o que é comunicação.
enquanto aqui estou, enquanto não saio de casa para ver a minha "sobrinha", de quatro meses (que diz "ah" sem saber que diz "ah" e que "ah" pode ser mil palavras, mil sugestões; que nem minha sobrinha verdadeira é), passo em revista as palavras escritas no meu moleskine. e creio incrível que o tenha escrito numa só noite de insónia.
creio incrível a quantidade de gente que saíu de casa hoje para ir às compras, creio incrível como é que ninguém está em casa por estes dias... e como o ano passou tão depressa.
e como tu chegaste a casa tão depressa...
18 de dezembro de 2004
17 de dezembro de 2004
e porque o telefone não pára...
quer dizer, com verdadeira justiça, há que dizer, com verdade, daquela verdadinha, que tanto tem estado imparável, como num frenesim que só visto.
mensagens, telefonemas e erros de sistema (que me fazem ir à falência!)
como é que um objecto tão pequeno nos transfigura a vida. a .j. dizia que, desde que tem telemóvel, já não é feliz, mas eu sei, e ela também sabe, que as coisas não são, de todo, assim...
de qualquer forma, e voltando ao meu telemóvel... mensagens vindas de perto, de longe, dos confins do tempo, telefonemas de quem já não se vê há muito. tudo muito espontâneo. e eu gosto disso. de ouvir o telemóvel tocar, olhar o visor e surpreender-me com a origem de quem me liga, de quem me procura, de quem se lembrou por mim...
de quem se lembrou de mim, fui eu própria ontem à noite (por falar em lembrar...). e peguei no quarto em chamas... e apeteceu-me queimá-lo.
as coisas tornam-se agora mais reais e palpáveis... mais etéreas e importantes.
um novo livro se insurge e batalha pelo seu próprio lugar. morte às chamas.
incendiemos agora uma nova cidadela.
14 de dezembro de 2004
12 de dezembro de 2004
assusto-mequando penso ouvir tua voz de regressodevorando o humildesossego do coraçãoal berto
11 de dezembro de 2004
afastando-me o cabelo da cara. a sentir nas costas o roçar da tua pele.
"agora já está"
como eu costumava dizer quando ainda era tão pequena que ainda cabia dentro dum bolso (eu nunca coube num bolso. só nos meus bolsos cabem mãos, ainda que não as minhas)
e às vezes (mas só às vezes) encontram-se segredos nos bolsos das calças. como esta manhã, nos bolsos de trás das minhas calças (eu uso saia, mas não tantas vezes quanto gostaria...).
estes dois dias, o coração a bater forte no peito, enquanto falávamos no comboio. fotografias e brincadeiras com uma lomo já velhinha (será que as fotos vão sair?)
ganchos em forma de boneca..
quem precisa agora de uns ganchos sou eu!
cortei o cabelo... o meu cabelo que, pela primeira vez na minha vida, estava longo longo longo longo e eu gostava!
mas cansei-me e quis cortar. cortar um bocadinho, para que ele ficasse um bocadinho diferente. comprido mas diferente... e o resultado...
pareço o gajo dos europe! sim, quem não se lembra do mitico "final countdown"!
dos penteados à anos 70/80 do rock, punk! bah! sei lá! pareço uma punk arrocalhada...
pareço deslocada no tempo...
eu quero o meu cabelo de volta...
8 de dezembro de 2004
2 de dezembro de 2004
still walking down
não sei mais a
forma de te chegar lume
não sei mais a forma
de te mostrar a
cor deste rio que
não é verde
como o teu
Acabámos sempre aqui.
Por mais países
para onde fujas
acabamos sempre aqui.
a dizer coisas fora de tempo
a querer histórias fora de ritmo
Aqui estou
por mais países
para onde fuja.
não sei mais a forma
de te dizer.
Acabamos sempre aqui.
De volta da mesma chave
sem nunca lhe tocar.
tenho um moleskine. aonde aponto os poucos pensamentos que me têm ocorrido. como o Van Gogh ou o Matisse.
longe de mim querer comparar-me a eles... até porque o meu jeito para pintar e desenhar é nulo.
mas tenho um moleskine. que cabe em qualquer bolso das calças. que percorreu comigo toda a europa e todo o verão.
aonde acabo por riscalhar tudo o que me vem à cabeça...
agora só faltam as palavras.
25 de novembro de 2004
e eu vou ter saudades dela e das fotos e das conversas e dos chocolates quentes em dias de chuva e muito frio. e os chás à tarde e a malandrice dos trabalhos por fazer...
e eu vou querer um email todos os dias (todos mesmo!)
e não notícias de mês a mês, contactos mensais que mantenham um ténue vínculo...
um docinho de mês a mês...
pequenas coisas que ficam.
como as cartas no fundo da gaveta, fotografias (des)coloridas ao fim de tanto tempo...
18 de novembro de 2004
apesar de tudo!
e de toda a gente que proclama este país como mau, que o propagandeia como um lugar horrível e do qual se deve fugir...
deito a língua de fora a essa gente e continuo aqui. a percorrer os caminhos que me levam de ponta a ponta desta país que eu amo...
(tá-me a dar um acesso de invulgar patriotismo)
14 de novembro de 2004
é inevitável pensar em ti sem pensar nos chupa chups. e nos kinder, e em picanha, e em alcool, e... no guincho. e em comboios...
às vezes, quando os dias param um pouco, naquela hora mágica em que o sol faz um barulho fervilhante ao mergulhar no mar, apetece-me trocar de sabor...

12 de novembro de 2004
talvez sair daqui. desta casa. que é demasiado grande, aonde o frio se instala para ficar.
talvez sair daqui. desta terra. que tem demasiada água por entre os braços de terra. ria e mar, aonde os barcos não atracam para ficar.
qualquer coisa. outra cidade, outro hemisfério. outro tipo de frio. outro tipo de calor.
aprender a cantar, aprender a pintar, aprender a fotografar, aprender a escrever.
cumprir objectivos trimestrais. como se fosse uma empresa. uma grande máquina, bem oleada.
rodas dentadas, passadeiras, ou o que quer que seja que as máquinas tenham no seu interior...
isto é o que eu lembro mais.
que devia ser tempo de frio. mas não havia frio. havia mais gente, que os nomes já esqueci.
havia o teu sorriso. o teu sorriso. o teu sorriso. num grito, havia o teu sorriso.
qualquer coisa. outra mão, outro corpo. outro tipo de imagem, outro tipo de toque.
outro tipo de sabor.
10 de novembro de 2004
não espero o teu telefonema. o teu nome é apenas um nome entre tantos na lista telefónica. não espero ouvir de ti tão cedo, agora que te ocupaste com minucidades do dia-a-dia e te lembraste que eu (ainda) não passo perto da tua rua, quando saio de casa.
doem-me os olhos por ter adormecido tão tarde (cinco e meia!) doem-me os olhos por ter acordado tão cedo... e parece-me que dormi uma noite de doze horas.
4 de novembro de 2004
lenços de papel à minha volta. amachucados pela repentina doença de inverno.
apetece-me falar-te baixinho, como falo quando tu dormes a meu lado. falar-te como falo para dentro de mim, contar-te histórias que só se passam cá dentro. contar-te imagens que tenho pendentes no olhar, mesmo que me sento à frente do computador para trabalhar, quando leio um jornal, quando me sento junto ao mar. apesar de, nesses momentos, não te ter comigo (que a companhia faz muito os lugares).
apetece-me falar-te baixinho. em português, em inglês, juntar palavras em francês, em alemão... dizer-te ni hau (que é a única coisa que a .j. me ensina em chinês). continuar mensagens com duas ou três semanas de antiguidade, continuar frases com um ou dois meses de atraso.
apetece-me encontrar-te por acaso para te poder falar baixinho, olhos nos olhos, forçando-te a chegar o teu corpo ao meu, procurando o correcto sentido das palavras.
o teu joelho a tocar o meu.
"sou pequenina e caio ao chão", como dirias tu numa oração nocturna. é isso que me apetece dizer porque o mundo anda às voltas na minha cabeça.
je suis malade, diria eu, se não tivesse faltado à aula de francês...
descrever sintomas ao telefone, o médico a dizer o que eu já sabia... virose. nada de agressivo para o estômago, cházinho, papas e cama. pouco frio (só se me emprestares os teus agasalhos para eu dormir, o teu corpo para vestir) e muita alienação em casa, sem nada de concreto para fazer.
quando me dói a cabeça por tudo, quando não posso visitar a minha sobrinha, quando nem sequer me deixam ir à praia, que hei-de fazer? sou uma péssima doente. detestarias ter-me em tua casa nestes dias. acredita. n poder andar pela rua ao frio e à chuva, dá comigo em doida.
estou doente. se apanho quem me contagiou, mato-o!
31 de outubro de 2004
mas vou-me esquecer disto. como me esqueço de coisas que escrevo e reencontro, meses mais tarde, no fundo das gavetas, entre papéis sem nenhuma importância, recibos e apontamentos de aulas que também não lembro. mas claro que me vou esquecer disto. disto e de muitas mais coisas que escreveste.
porque às vezes, escreves mais que aquilo que queres. escreves demasiado cedo, o que ainda não é para se dizer.
28 de outubro de 2004
construo mensagens que escrevo em post-its e espalho pelo quarto. esfrego os olhos de cansaço.
visito esplanadas habitadas pelo sol de fim-de-semana, pelo ócio do jornal e de um café. o mar ao lado. dunas reconstruídas pelas mãos dos homens. e tu de pernas cruzadas, a explicares-me porque é que as intimidades são assim. tão simples como uma troca de sabores.
22 de outubro de 2004
azure ray
ACROSS THE OCEAN
now i've travelled across the ocean
with the same shoes just longer hair
(...)
just give me some kind of sign
is this the right place
or the right time
doem-me os olhos. cansada. não me lembro da última vez que adormeci no torpor da viagem até casa. mas cheguei. cheguei apesar de não saber se é este o local ou o tempo certo para chegar.
passo pelos dias adormecida. arrastando-me pelas ruas, ao sabor do vento dos últimos dias, da chuva que só parou estes dois últimos dias.
emprestei os meus cds das azure ray... já me faziam faltas as suas vozes etéreas. não sei que música delas te mostrar. porque quase todas são de ir às lágrimas.
se adivinhasses aonde vou passar este fim de semana, poderias visitar o quarto em chamas...

15 de outubro de 2004
14 de outubro de 2004
por vezes apetecia-me violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que os fechasses com força. com a força com que me abraças o corpo. com um só braço. prendendo-me a respiração.
o nevoeiro na estrada. o caminho sinuoso. alta velocidade a 120 km/h (só?)
novas tecnologias. imagens em movimento.
quero encontrar-te casualmente. numa esplanada cheia de luz
trocar algumas, breves palavras. perguntar-te se me achas diferente de há cinco minutos atrás. acompanhar-te a casa. violentar-te. sacudir-te os ombros e cansar-te os olhos. até que me abraçasses como me abraças. com um braço só. prendendo-me a respiração.

2 de outubro de 2004
i don't touch you the way i used to
but listen and think when i
say
who makes you feel the way i make you feel?
coisas do dia a dia.
como o acordar com o quarto cheio de música. melodia que se infiltra primeiramente nos músculos, depois no sorriso e, finalmente, nas pálpebras.
apertos no coração como se um fino cordel a ele se atasse e, ocasionalmente (no compasso do pensamento de ti), se apertasse ao coração como se dele dependesse.
deverias parar um pouco e ouvir o que tenho para te dizer. ver os filmes que listei para te mostrar e ouvir, ao nascer do dia, as músicas que escolhi. ainda que sejam muito longas (mais de 4 minutos cada!), ainda que já as conheças de cor, como se o teu e o meu dia fossem iguais.
coisas do dia a dia
parar para ver uma borboleta morrer na borda do passeio.
30 de setembro de 2004
we're a bit frengers, like the others would say... not quite friends but not quite strangers...
encho os meus dias de música. playlists que escolho a dedo, cuidadosamente ao longo do dia.
não pensando bem no assunto, somos frengers... agora que penso pouco no assunto...
There're no words to say
No words to convey
This feeling inside I have for you
(...)
Look at me losing control
Thinking I had a hold
But with feelings this strong
I'm no longer the master
Of my emotions
24 de setembro de 2004
amanhã (25 de Set.),
a partir das 22h em 105 FM (região de Aveiro)
ou em emissão online, em http://www.terranova.pt
23 de setembro de 2004
para que eu possa perceber... como podes tu ainda levar-me ao deslumbre do que existe. como podes tu rasgar as janelas por onde entra a luz que me é vital à sobrevivência.
diz-me quem és tu de novo
para que eu possa perceber porque procuras a minha mão quando caminhas ao meu lado na rua.
diz-me quem és tu de novo
para que eu o possa recordar, nunca o possa esquecer, para que as janelas nunca se fechem... para que o meu olhar não se desvie mais do que tu és, quem és tu? quem és tu de novo?
que sabes tu que eu ainda não saiba? e porque o ignoras se o sabes, como eu sei quem és tu. de novo.
20 de setembro de 2004
16 de setembro de 2004
Deixa-me só seguir o rumo de outro sentimento
Que acontecer
Nem tudo o
que nos ata
Nos pode prender
Porque há sempre
Uma maneira de
recomeçar
O que se quiser
12 de setembro de 2004
não sinto nada.
nem o múrmúrio do frio nem os gritos de sol por entre os rasgos de nuvens.
espero que voltes.
que o tempo volte atrás e eu me encontre sentada, no fim do dia, em frente a uma janela que me deixa voar. a música pela sala, uma voz cálida que me enche a noite e a madrugada.
conhecer-te.
falar contigo à janela, olhando o mar e a lua cheia por cima dele. dizer-te que, o que precisas é de cá vir, olhar o que eu estou a olhar. e chegares. e não ver mais que os teus olhos. mão no joelho.
reconhecer-te.
9 de setembro de 2004
dias que já passaram... manhãs bem cedo. neblina matinal.
apertar-te. segurar-te com estas duas mãos, com estes dois braços, com este corpo. apertar-te assim, com o olhar à flor da pele... a boca pedindo água e calor, e suor e sentidos. o que é nosso e de mais ninguém. isto tudo, assim tão sentido, tão estranhamente sentido.
e não há nada que me pertença que não tenhas.
se tu sabes, se eu sei...
qual é o passo à frente?
tipo, muito à frente...
29 de agosto de 2004
28 de agosto de 2004
eis o regresso à condição.

quando falo de lugares cidades países
não são viagens não são imagens para ter à sobremesa ou vestidas de cão
à hora de fugir no saco com gavetas incerto voante por Sintra
de nada servirá sentares-te ao espelho no meio de tanto gado e porcelanas
sorridente amável satanás de província
abres os olhos sobre os teus olhos intemerato pensa-dor
e as coisas ardem por dentro alheias à tua memória
a terra imóvel apesar de toda a árdua astronomia E eis senão quando
as carruagens apressam o passo para o cais
cavalos pesarosos com coloridas grinaldas militares É altura de exclamares avidamente Paris, Berlim, São Petersburgo, o Mundo! Como quem engole lorenine
antes da neve pedra cair por dentro como um coágulo de vozes
um pássaro cai na água adormecido por um tiro arriscando-se a uma morte prematura a cada passo tropeço em ti E este é um poema de amor encomendado de véspera embrulho-me nele acordo com a tua boca húmida nos cabelos
não direi que te amoAntónio Franco Alexandre
26 de agosto de 2004
I wonder if i ever let you down
did you keep on moving
I wonder, when i took my feet from off your ground
did you keep on going
If you ever need me, just remember
all the times when we wandered free
If you ever miss me, don't you know
that i feel the same way
Don't you know every sould must grow older
but our past belongs to you
and it should make you stronger
(...)
If you ever need me, just remember
and i'll always be there
If you ever miss me, don't you know
...don't you know...
...we will meet again
...we will meet again

peço água.
como se me faltasse ar para respirar.
limpeza do que fica para trás.
peço água.
como se me faltasse mar por onde navegar.
rasto de ondas brancas de espuma.
peço água.
como se ardesse.
incêndios de inverno alastrando no verão.
é sim de chegar às lágrimas...
25 de agosto de 2004
23 de agosto de 2004
Roubados "O Grito" e "Madona" de Edvard Munch
Os dois quadros mais conhecidos do pintor norueguês Edvard Munch, "O Grito"
e "Madona", foram roubados ontem de manhã do Museu Munch, em Oslo, Noruega.
(...)
Entre os visitantes, estava um produtor de rádio francês, François Castang,
que ainda ontem prestou declarações à rádio France Inter: "É estranho como neste
museu não havia nenhuns meios de protecção dos quadros, nem uma campainha de
alarme", disse. "Os quadros estavam simplesmente presos à parede com arames.
Bastava puxar com força para que se desprendessem, e foi isso que vi os ladrões
fazerem."
(...)
"O Grito" já tinha sido roubado
Esta não é a primeira vez que "O Grito"
é roubado. Das quatro versões conhecidas da obra, duas, entre as quais a
roubada, são propriedade do Museu Munch, uma terceira está em mãos privadas e a
quarta pertence à Galeria Nacional de Oslo. Foi esta última a protagonista de um
assalto feito em Fevereiro de 1994. Dessa vez, o quadro esteve desaparecido
durante três meses. Foi recuperado pela polícia num hotel de Asgardstrand, a 65
quilómetros a sul de Oslo, depois de três homens terem tentado pedir ao Governo
um resgate de um milhão de euros pela obra.
A versão que ontem foi roubada
do Museu Munch é uma têmpera e pastel sobre cartão datada de 1893.
in jornal "Público",
23 Agosto 2004
21 de agosto de 2004
20 de agosto de 2004
voltas, ao lado mais ocidental de mim.
de forma diferente, acordas e sorris.
sempre a tua gargalhada. sempre a tua gargalhada no início da noite.
como se o tempo e o espaço se entrelaçassem. como se o tempo não passasse. como se me compreendesses sem palavras.
passam rápidos os dias. as noites arrastam-se sem ti.
19 de agosto de 2004
Barcelona- Génova - Pisa/Florença - San Gimigniano - Roma - Veneza - Cortina d'Ampezzo - Salzburg - Praga.
maravilhoso.
hoje estou nostálgica. provavelmente ainda cansada. muitos dias de viagem, muita estrada feita, pouco sono, pouco descanso.
não sei que escrever... só para dizer que já voltei...
28 de julho de 2004
fantástico... aborrecimento ao fim do primeiro dia. é esse o balanço. nem conduzir posso e agora, até a mais simples deslocação, o mais simples movimento acarreta dores...
como se o meu dia não estivesse já estragado...
27 de julho de 2004
"This world is full, So full of crashing bores, And I must be one, ‘Cos no one ever turns to me to say Take me in your arms, Take me in your arms, And love me
(...)
This world, I am afraid, Is designed for crashing bores, I am not one, I am not one You don't understand, You don't understand, And yet you can"
Morrissey, in You Are The Quarry
encontrar-te esta manhã
na repetição dos gestos diários, rotineiros...
encontrar-te ao acordar, ainda com sono nos cantos dos olhos.
gostei do que disseste. e como, novamente, falaste por nós. como disseste as palavras que não te direi.
penso em ti subconscientemente... e em como me atrapalhas...
há portas que nunca se fecham.
26 de julho de 2004
25 de julho de 2004
mantenho as portadas da casa fechadas. restos de luz que passam pelas frinchas. céu azul lá fora. azul puro. mesmo de olhos fechados, eu sei que há um céu azul-puro lá fora.
não há barulho cá dentro. silêncio do calor do meio dia. a mesa no pátio, ainda com os restos do almoço. o jornal dobrado no banco do jardim.
restos de um domingo.
gostava de poder ligar-te, sem qualquer tipo de restrições. contar-te a matéria de que são feitos os sonhos. dizer-te ainda que acordei e interroguei-me se não seria verdade, o sonho que tinha sonhado...
Segredo
Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome - essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração.
Fernando Pinto do Amaral
de Às Cegas
há segredos que ainda guardo.últimas estrelas do que não quero que morra.
as recordações de ti.
24 de julho de 2004
o single de abertura conta com a participação de Ryuichi Sakamoto, ao piano, e da cantora brasileira Rosa Passos. cantora desconhecida entre nós.
rodrigo leão vai estar no Sudoeste este verão... se eu fosse, seria a segunda vez que o veria no sudoeste... nós os dois a bisar o festival... mas não vou. e ele vai ter de tocar sem mim... e eu vou ter de levar o "cinema" pra itália para colmatar a falta...
23 de julho de 2004
agora durmo todo o dia. desperdiço as horas de sol. murcho.
21 de julho de 2004
16 de julho de 2004
últimos retoques na curta-metragem (que é como quem diz, mas porque é que esta porcaria dá erro cada vez que eu tento gravar!!!!)
estudar. estudar numa maratona contra-relógio. cartas de "apesar de seres muito boa (i.e., nem lemos nada do que enviaste mas toma lá a carta pró-forma), não obrigado, não estamos interessados"...
mais uma semana... sete dias sempre úteis...
15 de julho de 2004
o que vale meus caros/caras, é que estou quase de férias... (é o quase que me mata!). daqui a pouco estarei a viajar, rumo a itália... uma road trip à moda antiga.
e o calor que está...
11 de julho de 2004
a delicadeza obrigatória, intrínseca à tua derme.
a natureza dos teus gestos. interrogo-me sobre a cor do céu... sobre se borras se diz "bórras" ou "bôrras"... se deva emigrar por causa do novo primeiro ministro ou não. se deva abrir cartas que me vêm endereçadas ou temer o seu conteúdo.
interrogo-me sobre a maciez das tuas costas.
interrogo-me sobre a estrela que tens impressa na íris dos teus olhos.
interrogo-me sobre a verdade encerrada na velocidade da tua vida.
10 de julho de 2004
e o dia amanheceu como tu. rasgos de sol e vento frio. calor e nuvens...
todo o dia, desencontros. as vidas que se julgam tão separadas, desconheciadas, afinal paralelas, próximas. à distância de um braço esticado, de uma mão estendida, aberta, de encontro às costas.
crostas de feridas antigas, salientes por sobre a pele.
desenhos. espirais intermináveis.
os caracóis do teu cabelo pousados no pescoço...
"e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade "
Al Berto
9 de julho de 2004
questiono-me sobre a sanidade mental, sobre desiquilibrios hormonais, deficiências de comportamentos, questiono-me sobre a fé dos homens e a minha...
questiono-me sobre as pequenas coisas da minha vida... sobre porque é que, sendo verão está frio, porque é que o despertador não tocou esta manhã...
sobre a fotografia que anseio tirar...
8 de julho de 2004
1 de julho de 2004
23 de junho de 2004
"Age doesn't protect you from love.
But love, to some extent, protects you from age"
Jeanne Moreau (1928)
estive a ler umas coisas antigas guardadas nos arquivos do meu computador...
estive a limpar alguns cantos do meu sono.
a hugin recusou-me. nem devem ter aberto o quarto. aposto como a porta ainda está encostada, da maneira como a deixaste encostada. e, a atestar isso, as marcas de pó não me deixarão mentir.
22 de junho de 2004
tenho sono...
o quarto em chamas já seguiu pelo correio.... agora falta esperar.
o tempo está abafado. falta-me um pouco de ar fresco. falta-me vontade de trabalhar... falta-me...
não sei porque não consigo mostrar as minhas imagens aqui... alguém tem a explicação?
quem me dera ter net em casa...
21 de junho de 2004
not to forget me"
ainda me custa a compreender como as coisas se processam.
linhas entrecruzadas
rotundas em oito do lado francês
do canal da mancha.
conduzir do lado errado
da estrada sempre me trouxe problemas
de visão.
100 km/h com o alcoól a correr
célere
pelas principais avenidas
lisboa num rasgo de olhar
peças de roupa perdidas
pelos cantos da solidão
interrompida.
sugestões de outras vidas
insinuadas no desapertar
de um botão de camisa.
se soubesses o meu
sabor de gelado favorito
a estrada não teria fim.
sabes joana,o carlos dizia, no outro dia, que pertencemos a uma espécie diferente... estranha... e pensei como são estranhas as pessoas à nossa volta. não essencialmente eu ou tu mas toda a gente que nos rodeia. como nos (re)conhecemos pelas special features de cada um... na naturalidade da nossa "estranheza"...
tenho dez moradas em cima da mesa... dez exemplares do quarto em chamas que me vão abandonar para poderem regressar... seja como fôr que regressem...
17 de junho de 2004
é disto que somos feitos
pequenas gotas de água
libertadas por um aspersor
que caem no braço de alguém que passa,
num dia de calor
pequenas coisas
a ordem tímida dos gestos
as sardas que se espalham
no teu rosto
a tua mão dentro de mim
no fim da garganta
junto à pequena covinha
do pescoço
a tua mão dentro de mim
puxando-me de desejo
as coisas não se repetem, não se vivem duas vezes... e a poesia ficou fora da porta, no seu devido lugar.
doem-me os olhos, está muito calor.
e não há motivos de preocupação. ainda aqui estou. ainda sou a mesma. sem precisar de provar algo a alguém.
12 de junho de 2004
(hoje sinto-me bonita. como se uma luz brilhasse dentro de mim. como se me tivesses agarrado pela base do pescoço e apertasses o suficiente para que as tuas mãos falem de desejo, o suficiente para que os meus olhos se fechem na ansiedade de ti.
"i'm sleeping under the water line"
e sei que tu aí me esperas...




