31 de agosto de 2005

amplio fotografias tuas. o teu olhar nos momentos que ficaram.

e tento descobrir-te nos reflexos dos teus olhos.
nem sei como é que aqui estou com duas horas dormidas.
parece que todo o sono que devia ter se evaporou para parte incerta. não consigo dormir.
tenho insónias consecutivas. um bicho que me rói o peito por dentro e não me deixa dormir. lágrimas que me afagam o canto dos olhos. que não me deixam nunca. que me mantém acordada. exausta. e nem um grito meu corta a noite.

todos dormem. e eu levanto-me a horas impróprias. vejo o dia amanhecer da janela do meu quarto. resolvo mundanices. mantenho-me anestesiada. até à próxima noite de insónia. até me desiludires novamente.

cócegas



é ela e eu!

30 de agosto de 2005

i remember

i remember it well i was stood in your line
and your mouth your mouth your mouth your mind
i want you here tonight i want you here
'cause i can't believe what i found
i want you here tonight want you
‘cause nothing is taking me down
‘cept you my love..

come all ye lost
dive into moss
i hope that my sanity covers the cost
to remove the stain of my love
paper maché
come all ye reborn
blow off my horn
i'm driving real hard
this is love this is porn
god would forgive me
but i..
i whip myself scorn scorn
i wanna hear what you have to say about me
hear if you're gonna live without me
hear what you want

aqui


damien rice... novamente, damien rice...

há dias que preciso de encher de música para que fiquem cheios...

29 de agosto de 2005

"In a way I lost all I believed in
And I never found myself so low"

aqui

sem segredos em cima do armário. ou mesmo dentro dele. sem segredos nenhuns. como nuvens que se desfazem com o vento de terra.

sem segredos grandes nem pequenos no armário. eu hei-de saber... estou dentro dele.

que talvez aqui nada me consiga atingir. que talvez aqui não chegue o outono. nem mesmo o inverno...

26 de agosto de 2005

secret...

tenho um segredo edo edo....

e tá a ficar grande ande ande...

porque eu não sei guardar segredos!

hihihihihihihihihihihihi

(escondido ainda no topo do armário...)

24 de agosto de 2005

"One of us will die inside these arms"*

respirar-te.
não consigo ver mais nada.
acordar e ver-te ao meu lado. tocar-te e ver que és real, que tudo não é um sonho, como eu pensava, mas real.

as tuas costas são a planície que quero saber de cor. o teu peito o vale onde quero pernoitar e fazer nascer um rio, um mar, um sol...

beijar-te pescoço acima e sentir o que acontece...

15 de agosto de 2005

there's something unreal about all this...

como se se tratasse de um sonho. uma ilusão que custa a passar. como quando sonho acordada por dias e dias seguidos. sempre continuando as ilusões, completando-as com pequenos detalhes. explicações para o porque das cores saturadas, a luz, os planos.

só que agora não tenho cores saturadas. tudo me parece esbatido. esfumado. pouco nítido.
como quando fui operada. sem conseguir focar o mundo à minha volta. lágrimas que me magoavam e se embebiam no penso, por cima do meu olho. tuneis de luz, de sombras.

dias de calor. que passam céleres por mim. sem deixar marcas que não as que vêm de um normal dia de praia.

desço a rua sozinha. passo pelas casas antigas. os mesmos vizinhos que sempre ali viveram. por anos, desde o século passado, sempre os mesmos vizinhos. as mesmas famílias, as mesmas histórias, cobertas de pó e fotografias a preto e branco. sempre a mesma festa, por estes dias. os imigrantes, as pipocas e os bolos de açucar. os balões e a banda pimba, a tocar, noite após noite.

desço sozinha a rua. ninguém me conhece. nunca ninguém me conhece. nunca me cruzo com alguém conhecido...

há algo de irreal em tudo isto. por vezes, naquele momento, antes de abrirmos os olhos, em que ainda sonhamos mas damos conta do que se passa à nossa volta, acredito que, quando abrir os olhos, vou acordar no quarto onde cresci. na casa onde cresci. e, quando os abro, fico desorientada, desconhecendo, por alguns momentos, onde estou. mas sei que não estou na casa onde cresci. não na casa onde cresci. e há uma penumbra sobre os móveis, sobre a minha vida, uma penumbra de irrealidade... como se fosse acordar a qualquer momento....

talvez agora acorde.... espero só o despertador.... só mais cinco minutos....

11 de agosto de 2005

i know who you are

ever since i saw you
i want to hold you
like you were the one
(...)
and i love you
i love you

i want you
but i fear you

who are you?
who are you?
(...)

for how long
how strong do i still have to be?
and how come you mean so much to me?


mas eu sei quem tu és....
hold my hand. and i will fear nothing.
voltar
voltar para casa.
como se não conhecesse
outro destino
que o que me leva
novamente
ao útero materno.
A luz filtrada
pela espessura da pele
laranja-sangue
fechar os olhos
e carregar nas
pálpebras
como quando era criança.
caleidoscópios
nada mais que o
amarelo azul vermelho
laranja-sangue.
a luz sem filtração.
carregar nas pálpebras
é agora a única
maneira de ver cores...

9 de agosto de 2005

You got tears making tracks
I've got tears that are scared of the facts

aqui e estiveram aqui também

a sudoeste de tudo

música. muito calor. muito calor. muito calor. praia praia praia. a lembrança de ti. música e muito muito muito calor. ainda mais praia e a lembrança de ti.

sempre a tua presença.
dias difíceis em que tudo me recorda de ti. coisa pequenas, grandes, minusculas. incidentes, expressões. dou comigo a fazer as tuas piadas e perco a noção das coisas. onde estou.... ah sim, de volta, herdade da casa branca, zambujeira do mar...

abrir os olhos de manhã, no fim de um sonho contigo.
é tão estranho. não saber nada de ti. não acordar com a tua voz. não saber o que sentes, o que estás a fazer. o que queres fazer daqui a pouco ou daqui a muito tempo.

e a polícia atrás de nós e o meu estômago num nó, e o meu coração estilhaçado contra o peito. tudo isto é demais. não consigo sentir tudo de uma vez.

31 de julho de 2005

procuro-te

Mário Cesariny

de profundis amamus

Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes

O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim
durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te
importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o
presente

perfeito
corsários de olhos de gato
intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso



procuro-te durante o dia, noite dentro. espero pela tua gargalhada, as tuas caretas e brincadeiras. o teu 'lá, si, dó, a nota que for.

escrevo-te recados mentais, pequenas notas que deves esquecer. curiosidades desinteressantes do meu dia.
procuro verbos novos para esboçar contornos mais precisos para melhor definir o tempo real que vivemos. procuro não me afastar do tema central, dispersar a minha atenção, como, pelos vistos, tenho tendência a fazer nos exames (sim, que uma nota maior, ainda que negativa, é sempre um incentivo, não?)...

anseio o passar do tempo.


28 de julho de 2005

hallelujah

de férias... finalmente de férias neste ano para esquecer.

como quando os discos de vinil costumavam riscar e ficávamos sempre a ouvir o mesmo acorde.
finalmente o mundo volta a empurrar-me para a frente.

detesto esta semana. esta última semana de julho em que entro de férias. mas que ainda não me sinto de férias. ainda com o sentimento de uma rotina devida. ainda sem conseguir disfrutar de ter todo o dia para mim. para não fazer nada sem sentir um peso na consciência.

finalmente de férias e acordo sempre com a sensação de que algo me falta fazer...

nunca mais volta o calor...

25 de julho de 2005

i'm a fool

como se o mundo se desequilibrasse quando passasses.
ou quando mudas. de dois em dois dias, mais rápido que o ciclo da lua. dizes que mudas. que estás diferente. desafiando-me veladamente para que o comprove.
quando ainda nem sequer te apercebeste - e eu que tanto tenho tentado explicar - que já nada disso me importa. que já nada disso me move.
que o que tinha dentro de mim foi morrendo. como o manjerico que eu comprei e que morreu tão cedo, apesar de todos os meus cuidados para que sobrevivesse a este calor de incêndios...

in spite of all the damage (aqui)

ainda aqui estou, in spite of all the damage.
mudada. não como a lua, não como tu, em dois dias, mas em anos. mudada. já sem calções e joelhos esfolados.
mudada. com sorrisos que não conseguirias arrancar (não sabes dizer os "lá lá's" que me fazem sorrir com sorrisos de sol e claridade).

é tão estranho como os membros param de crescer e nós continuamos. vejo o corpo a alongar-se para além dos limites físicos onde se inscreve.

e é tão bom este sol. este claro dia onde me inscrevo como se fizesse parte integrante do céu azul.

obrigada

19 de julho de 2005

... changing...

a mudar... as coisas parecem ter dado a volta e estar a correr melhor... pelo menos, depois desta curva apertada que foi, que está a ser, este mês, já se consenguem distinguir alguns contornos. no fundo no fundo, alguma claridade.

quanto mais não seja, daquela que tu trazes sempre escondida nos bolsos do casaco (aquele que parece o vermelho mas não é vermelho) ou nas palmas das mãos. ou ainda nos olhos...

mas a mudar. como se os dias realmente tivessem alguma diferença entre si e não me parecesse tudo igual...

pelo menos as noites já são mais tranquilas. bem dormidas. sem pesadelos nem sonhos agitados....

changing....

30 de junho de 2005

muda de vida

ora nem mais. é só o que me apetece fazer. mudar de vida.

só que mudar de vida por aqui passa pela cadeira de públicos e audiências do professor jorge marinho


e não foi desta que mudei....

14 de junho de 2005

morreste-me....

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certezade que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.



Eugénio de Andrade