29 de setembro de 2005

like papercuts

não te saberei responder se me perguntares o que se passa comigo.

aliás, os olhos que viste ontem não são os meus olhos (obrigada por teres reparado) mas não te saberei responder o que ser passa comigo numa só frase. em palavras e conjunções de letras.

poder-te-ia mostrar se o que se passa fosse desenhável, ou fotografável, possível de descrição exacta, restrito em contornos firmes de tinta.

visto devagar e novamente este sobretudo de malha de aço, como antigo cavaleiro, uma cota de malha que me proteja dos golpes do aço...

ponho um pé em frente ao outro... um ensaio de andar no arame...

Esta manhã comecei a esquecer-me de ti.
Acordei mais cedo que nos outros dias
e com o mesmo sono.
A tua boca dizia-me "bom dia" mas não:
não o teu corpo todo como nos outros dias.
As sombras por aqui são lentas e hoje não
comprei o jornal: o mundo que se ocupe da
sua própria melancolia.
ontem. há uma semana. há muitos meses.
um ano ensina ao coração o novo ofício:
a vida toda eu hei-de esquecer-me de ti.

* Rui Costa, in A Nuvem Prateada das Pessoas Graves,
Prémio Daniel Faria 2005 (o primeiro a ser atribuído),
Edições Quasi



ainda não... ainda não digo isto...

24 de setembro de 2005

if it was this simple...

"It's not in the stars
It's all in the proof
The chances the odds
The one you love will love
And fall for you
And fall for you"

tracy chapman, "Love's Proof"

23 de setembro de 2005

(de)vagar

"You touched my heart you touched my soul
You changed my life and all my goals.
And love is blind and that I knew when,
My heart was blinded by you.
I've kissed your lips and held your head.
Shared your dreams and shared your bed.
I know you well, I know your smell.
I've been addicted to you."

james blunt, "goodbye my lover"



há dias que não passam.... que se imprimem contra mim e não passam. o calor húmido do tempo que pede chuva. o início do outono. já folhas secas no chão. e dias que me trazem sono e sono e sono. aquele que não dormi nestes dias...
hoje podia ter ficado todo o dia na cama, a dormir. e, afinal, dormi todo o dia, sem olhos fechados nem cama desfeita. vagueando pela casa. do écran do computador para o écran do televisor... nunca o écran pequeno, reduto do telemóvel...

e há dias vazios que me prendem. como o dia de hoje. que não passa...... durmo sem nada sonhar...
há dias que me trazem vividamente hipóteses que quero negar...................................................


19 de setembro de 2005

my nick stands for...

speechless:
Status is important to you and your ability to achieve success and earn money. You have a need to be noticed and seek status. You have a talent for working with people on a one to one basis. You can be quite inventive and quite curious. You need to learn to be expressive. You are a person who cannot tolerate being misunderstood. You are clever, inventive, imaginative and youthful. You enjoy socializing. You work hard to achieve material success through your own efforts. You have a diplomatic flair to your nature. Equality and fairness are important to you. You need to learn to be expressive. You are a person who cannot tolerate being misunderstood. You have a need to earn money to prove your success to society and must learn the true value of material gains and status. You have a need to earn money to prove your success to society and must learn the true value of material gains and status.



bom... até que não é mentira... mas como é que eu não consigo resistir a estas porcarias! :) lol

17 de setembro de 2005

ecos

If you think of me
If you miss me once in awhile
Then I'll return to you
I'll return and fill that space in your heart

(...)

Together again
It would feel so good to be
In your arms
Where all my journeys end
If you can make a promise
If it's one that you can keep
I vow to come for you
If you wait for me


tracy chapman,
"The Promisse" in "New Beginning"


frio. tenho frio. fisicamente. por dentro. como se dentro de mim tivesse um frigorífico em refrigeração máxima.
ao menos há música ambiente... como refrões, repetidos à exaustão. pequenos versos que ecoam em mim, mesmo enquanto te ouço.


it's hard to explain...
she moves in secret ways...

12 de setembro de 2005

angels that walk

Polly Paulusma
I Was Made To Love You

In the sky I see angels
Flying all over town
they've got names in their pockets
Of lovers lost and found
If I send you my angel
Would you send yours to me
If our angels collide in the sky
You'll say it was meant to be

And days blank like they bleached them
And nights outline air like static on the phone
And you say that you feel them
But the words you picked so carefully keep coming out all wrong
So I'll write them in light
And I'll carve them in stone
I was made for loving you
I was put on this sweet earth too
I was made to love you

In the air I hear gunfire, going off in the hills
Clocks are ticking, the battle is nearing
I'm fending them off with these pills
If you're stuck in the front line
Would you charm your way out
You might like the idea of the kill
But you don't know what dying's about

In the sky I see angels
Flying all over town
They've got drugs in their pockets
To keep us all on the ground
I won't send you my angel
Angels only deceive
Spit the pills out
Feed fuel to your fear
And fly away with me




vozes que não me vêm do ar mas do cabo que me traz o mundo, outras cidades, à superfície do écran... e novas cores que se pintam por aqui, como vozes que regressam, devorando o "humilde sossego do coração"... ou que sempre tinham faltado na palete e, agora que as encontrámos, parece quase impossível que algum dia, pudessemos ter pintado sem aquela cor...
dias que passam no compasso vagaroso do fim de verão...


my angel won't fly. but he'll walk to you...
even if he has to walk to the nearest city to catch a train to be with you...

5 de setembro de 2005

7 coisas que nunca tive tempo de te dizer que, um dia, gostaria de fazer contigo...

  1. ir à grécia
  2. pintar a minha casa
  3. levar-te a todos os meus lugares especiais
  4. abraçar-te numa praia deserta, num dia invernal
  5. escrever no chão da rua onde moras que te amo (e fugir do segurança que, provavelmente me tentaria deter, e evitar a abordagem dos carros k abrandassem na rua...)
  6. dizer-te que o meu gelado preferido já foi rum com passas mas que agora me apetece banana com chocolate
  7. puxar-te pelo braço, a meio da rua e, quando te virasses interrogativamente, ver nos teus olhos aquilo que me fizesse esquecer o mundo à volta, e ver que tu também o esquecerias...

2 de setembro de 2005

listening closely

" And your arm felt nice wrapped 'round my shoulder
And I had a feeling that I belonged
And I had a feeling that I could be someone"

aqui


tinha-me esquecido das letras da tracy chapman... (e por causa disso ia tendo dois acidentes num espaço de dez minutos...)

e elas disseram-me tantas coisas... coisas que eu queria ouvir. ainda que não na voz rouca da tracy chapman.

mas há uma enorme diferença entre o que gostariamos de ouvir e o que realmente ouvimos... ou não ouvimos...

31 de agosto de 2005

amplio fotografias tuas. o teu olhar nos momentos que ficaram.

e tento descobrir-te nos reflexos dos teus olhos.
nem sei como é que aqui estou com duas horas dormidas.
parece que todo o sono que devia ter se evaporou para parte incerta. não consigo dormir.
tenho insónias consecutivas. um bicho que me rói o peito por dentro e não me deixa dormir. lágrimas que me afagam o canto dos olhos. que não me deixam nunca. que me mantém acordada. exausta. e nem um grito meu corta a noite.

todos dormem. e eu levanto-me a horas impróprias. vejo o dia amanhecer da janela do meu quarto. resolvo mundanices. mantenho-me anestesiada. até à próxima noite de insónia. até me desiludires novamente.

cócegas



é ela e eu!

30 de agosto de 2005

i remember

i remember it well i was stood in your line
and your mouth your mouth your mouth your mind
i want you here tonight i want you here
'cause i can't believe what i found
i want you here tonight want you
‘cause nothing is taking me down
‘cept you my love..

come all ye lost
dive into moss
i hope that my sanity covers the cost
to remove the stain of my love
paper maché
come all ye reborn
blow off my horn
i'm driving real hard
this is love this is porn
god would forgive me
but i..
i whip myself scorn scorn
i wanna hear what you have to say about me
hear if you're gonna live without me
hear what you want

aqui


damien rice... novamente, damien rice...

há dias que preciso de encher de música para que fiquem cheios...

29 de agosto de 2005

"In a way I lost all I believed in
And I never found myself so low"

aqui

sem segredos em cima do armário. ou mesmo dentro dele. sem segredos nenhuns. como nuvens que se desfazem com o vento de terra.

sem segredos grandes nem pequenos no armário. eu hei-de saber... estou dentro dele.

que talvez aqui nada me consiga atingir. que talvez aqui não chegue o outono. nem mesmo o inverno...

26 de agosto de 2005

secret...

tenho um segredo edo edo....

e tá a ficar grande ande ande...

porque eu não sei guardar segredos!

hihihihihihihihihihihihi

(escondido ainda no topo do armário...)

24 de agosto de 2005

"One of us will die inside these arms"*

respirar-te.
não consigo ver mais nada.
acordar e ver-te ao meu lado. tocar-te e ver que és real, que tudo não é um sonho, como eu pensava, mas real.

as tuas costas são a planície que quero saber de cor. o teu peito o vale onde quero pernoitar e fazer nascer um rio, um mar, um sol...

beijar-te pescoço acima e sentir o que acontece...

15 de agosto de 2005

there's something unreal about all this...

como se se tratasse de um sonho. uma ilusão que custa a passar. como quando sonho acordada por dias e dias seguidos. sempre continuando as ilusões, completando-as com pequenos detalhes. explicações para o porque das cores saturadas, a luz, os planos.

só que agora não tenho cores saturadas. tudo me parece esbatido. esfumado. pouco nítido.
como quando fui operada. sem conseguir focar o mundo à minha volta. lágrimas que me magoavam e se embebiam no penso, por cima do meu olho. tuneis de luz, de sombras.

dias de calor. que passam céleres por mim. sem deixar marcas que não as que vêm de um normal dia de praia.

desço a rua sozinha. passo pelas casas antigas. os mesmos vizinhos que sempre ali viveram. por anos, desde o século passado, sempre os mesmos vizinhos. as mesmas famílias, as mesmas histórias, cobertas de pó e fotografias a preto e branco. sempre a mesma festa, por estes dias. os imigrantes, as pipocas e os bolos de açucar. os balões e a banda pimba, a tocar, noite após noite.

desço sozinha a rua. ninguém me conhece. nunca ninguém me conhece. nunca me cruzo com alguém conhecido...

há algo de irreal em tudo isto. por vezes, naquele momento, antes de abrirmos os olhos, em que ainda sonhamos mas damos conta do que se passa à nossa volta, acredito que, quando abrir os olhos, vou acordar no quarto onde cresci. na casa onde cresci. e, quando os abro, fico desorientada, desconhecendo, por alguns momentos, onde estou. mas sei que não estou na casa onde cresci. não na casa onde cresci. e há uma penumbra sobre os móveis, sobre a minha vida, uma penumbra de irrealidade... como se fosse acordar a qualquer momento....

talvez agora acorde.... espero só o despertador.... só mais cinco minutos....

11 de agosto de 2005

i know who you are

ever since i saw you
i want to hold you
like you were the one
(...)
and i love you
i love you

i want you
but i fear you

who are you?
who are you?
(...)

for how long
how strong do i still have to be?
and how come you mean so much to me?


mas eu sei quem tu és....
hold my hand. and i will fear nothing.
voltar
voltar para casa.
como se não conhecesse
outro destino
que o que me leva
novamente
ao útero materno.
A luz filtrada
pela espessura da pele
laranja-sangue
fechar os olhos
e carregar nas
pálpebras
como quando era criança.
caleidoscópios
nada mais que o
amarelo azul vermelho
laranja-sangue.
a luz sem filtração.
carregar nas pálpebras
é agora a única
maneira de ver cores...

9 de agosto de 2005

You got tears making tracks
I've got tears that are scared of the facts

aqui e estiveram aqui também

a sudoeste de tudo

música. muito calor. muito calor. muito calor. praia praia praia. a lembrança de ti. música e muito muito muito calor. ainda mais praia e a lembrança de ti.

sempre a tua presença.
dias difíceis em que tudo me recorda de ti. coisa pequenas, grandes, minusculas. incidentes, expressões. dou comigo a fazer as tuas piadas e perco a noção das coisas. onde estou.... ah sim, de volta, herdade da casa branca, zambujeira do mar...

abrir os olhos de manhã, no fim de um sonho contigo.
é tão estranho. não saber nada de ti. não acordar com a tua voz. não saber o que sentes, o que estás a fazer. o que queres fazer daqui a pouco ou daqui a muito tempo.

e a polícia atrás de nós e o meu estômago num nó, e o meu coração estilhaçado contra o peito. tudo isto é demais. não consigo sentir tudo de uma vez.