9 de setembro de 2006
OST
4 de setembro de 2006
porto d'abrigo
1 de setembro de 2006
não há riso naquilo que escrevo*
"nada me dói e ninguém bateu à porta. não há riso no dia a dia, e isto nada tem de angustiante ou de literário"al berto
"o medo" (* idem)
este novo estado em que me encontro de uma falsa tranquilidade que de artificial tudo tem e que eu continuo a manter por não saber o que sentir a seguir. sento-me no sofá com os pés contra as pernas, sem nunca tocar o chão. e pego na caneta sem saber o que escrever. deivo umas pingas de tinta mancharem a página em branco e volto a pôr a tampa na caneta. o click que anuncia o fim do discurso. se ficar muito quieta juro que me esqueço de respirar.
25 de agosto de 2006
começar
falta-me tanto do que eu era. tanto do que éramos quando havia gargalhadas. faltam-me as gargalhadas. é isso....
e o verão morre à porta de minha casa.
24 de agosto de 2006
23 de agosto de 2006
(a)braço
olho para as mãos abertas, os braços que se estendem...
falta-me um abraço
17 de agosto de 2006
11 de agosto de 2006
6 de agosto de 2006
1 de agosto de 2006
gifts
há presentes que vêm sem que esperemos. e são os melhores...
e tesouros guardados nas palmas das mãos... às vezes há que abrir as mãos... let go.
27 de julho de 2006
sono...

hoje custou-me a acordar. aliás, hoje recusei-me a acordar durante 20 minutos inteiros (era o limite suportável para não chegar atrasada). mas só me apetece férias, mesmo sabendo que, ao fim de dois dias não sei o que fazer com tanto tempo por minha conta... à vezes acho que corro sérios riscos de me tornar uma workaholic... meto a cara no trabalho e o mundo desaparece. e eu não sou eu. só de manhã, quando o sono me assalta irremediavelmente e eu quero mais um bocadinho (só mais cinco minutos) para dormir profundamente... só aí tenho tempo para me lembrar de mim.
26 de julho de 2006
things i remember
quando este rapaz apareceu a cantar, apareceu-me assim... a preto e branco, a falar do que ele cantava, e do que eu gostava de cantar. apareceu-me assim, simplesmente assim. quando ainda ninguém o conhecia. quando eu ainda não te conhecia. quendo tu e eu éramos entidades diferentes.
nunca soube escrever letras de músicas e tenho pena. porque gostava de saber escrever para que alguém pudesse cantar...
Still a little bit of you laced with my doubt
Still a little hard to say what's going on
20 de julho de 2006
T r a n s p a r ê n c i a s
venho da praia de um verão em que as ondas rolam redondas e
lisas
sobre o mar sem formar espumas
e os olhos gulosos engolem glaucas e
mornas transparências
goles de azul e verde
fazendo inveja à língua aos
lábios e à goela.
por que me induzes por areias sem águas
ou zonas infestadas de
feras
ou paludes sombrios
ou friagens cíticas
ou mares coagulados
por que me queres nessa terra monstruosa e trágica
onde erram poetas
e mitógrafos
e nada é certo nada claro.
Antonio Cícero(in o carioca - revista de arte e cultura nº 2/ julho e agosto 1996)
13 de julho de 2006
eu e tu costumávamos ser nós
novamente escrevo como há muito não escrevia e ao reler-me não me reconheço. não me gosto.
e o inicio de tudo em três semanas, em contagem decrescente. e um frio no estômago... uma incerteza que dorme comigo...
11 de julho de 2006
afinal....
e afinal, ao contrário do que eu pensava, tenho escrito umas coisas. como hoje, à vinda para casa, mais de uma página que me surgiu de repente, sem que eu esperasse...
e foi curioso como li uma entrevista (há tanto que a "ler" andava na minha mochila, de trás para a frente, entre viagens constantes sem tempo para ser lida) com o manuel antónio pina e, não consigo lembrar-me literalmente da frase mas a ideia era, a de nos surpreendermos connosco e com a nossa escrita. a escrita enquanto surpresa. e eu surpreendi-me. novamente, como há tanto não fazia, surpreendi-me. e vi que tenho poemas para te dizer que a vida não me permitiu...
há surpresas boas...
7 de julho de 2006
3 de julho de 2006
abraço
entre-dedos memórias que nos vêm distantes. de quando eu passava os dedos pelo teu cabelo e tu inclinavas a cabeça para trás, de olhos fechados.
a exposição indefesa do teu pescoço...
a barreira ultrapassada da intimidade que nos deixa aninhar num carinho já antigo. com covinhas onde um corpo costumava descansar...
encosta-te a mim.
eu sei de todos os teus males a história. e sei das noites em que tudo é vertiginoso.
e por enquanto é só isto que posso fazer. é só isto que te posso dizer... encosta-te a mim. fecha os olhos. eu ficarei de guarda na escuridão da noite. a lua cheia ainda vai tardar...
Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -
a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos
agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,
meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira



