22 de maio de 2007

This is how my heart behaves

daqui deixa-me contar-te...

que não escrevo. não escrevo mais. canetas que se esquecem por todos os cantos do meu corpo.
palavras que ainda me correm nas veias. as sílabas. os ditongos.

não escrevo mais.
moldo em barro fresco braços e pernas. ombros, pescoços.
a curva da cintura. o peito que se alarga. o osso da clavícula. o queixo. a boca a boca a boca.

textos físicos. sem espaço para orgãos internos. isolados. corpos completos. um dedo ao de leve pelas costas.

primaveras que despertam.
as primeiras ervas. dandelions....

" I’m a stem now
Pushing the drought aside
Opening up"

8 de maio de 2007

dora dorinha ou como todos os pássaros são patos menos o meu

finalmente fi-lo. e não custou tanto como eu pensava. não custou tanto quanto eu pensava...
apesar de, segundo a minha cara, todos os pássaros serem patos (muito pouco poético da sua parte, devo-lhe confessar), houve uma clara cedência no meu caso.

e portanto, no caso da dora, da dorinha, a excepção foi feita...

e cá voa ela. ainda sulcando o seu lugar, ainda nidificando por dentro.


por estes dias o calor começa a apertar e o corpo solta-se...



another constellation dies

30 de abril de 2007

recurring



um passo atrás

dá só um passo atrás. ou dois. para que a distância seja suficiente. para que possamos ver completamente a linha do horizonte. deste horizonte.


espera um pouco. aguarda aquele momento que é o do contacto do sol com a linha que separa o céu do chão. deste chão.
espera só esse momento junto a mim.
é tudo o que te quero pedir.



Estranho é o sono que não te devolve.

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
de quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
de quem já só por dentro se ilumina
e surpreende
e por fora é
apenas peso de ser tarde.Como é
amargo não poder guardar-te
em chão mais próximo do coração.

Daniel Faria
de Explicação das Árvores e de Outros Animais
1998

20 de abril de 2007

you're my 645


Want to tell you that I love you because I really do. Want to give you the answers if you ask me to. Want to leave your door for the last time, want to leave the floor for the first time.
Leave the boys, leave the girls, leave it all behind… Trust your dreams, your thoughts it’s a matter of time. Run right, run left just don’t look back… Take this trip as your first step. Because the tears that we waste only make us blow, why we keep in Repeat this Antony song “forgive me, forgive me”
You know why tried to be simple, I tried a lie… everything is perfect from there, and you know I need you there.






mexe comigo. sei que já tenho um post com este título (pronto... a este propósito)

mas mexe comigo. mexes comigo. puxas-me os cabelos por dentro de mim, tocas-me por dentro e é como se tudo recomeçasse. como se pudesse voltar a acreditar que consigo andar, apesar de estar a cinco centímetros do chão. que posso respirar apesar de me tirares o fôlego.

que me deixo ir e perco o controlo....

i tried to be simple.
but you're my 645.

5 de abril de 2007

Gatos ao poder!

é já indiscutível que os gatos fedorentos são muito bons. mas este cartaz hoje posto ali na rotunda do marquês só vem confirmar isso.

a ver se não me esqueço de lá passar para me rir muito!


"Mais Imigração.
A melhor maneira de chatear os estrangeiros é obrigá-los a viver em Portugal.
Com os portugueses não vamos lá.
Nacionalismo é parvoíce"
foto tirada daqui

1 de abril de 2007

eyes wide open



one of us will die inside these arms

(tralálá.... cantarolo.... cuidado com o vidro do monitor)

30 de março de 2007

bits and pieces

um pedaço de mim que não consigo resgatar.

subir à mais alta montanha do mundo. o mundo coberto de neve e branco e luz. cair pelas escarpas mais perigosas e mais ocultas

os corpos de todos os outros que tentaram antes de mim. todos juntos agora, soterrados por debaixo da neve fria e branca e luminosa.

longe do alcance de qualquer equipa de resgate. ao sabor das estações do ano, dos degelos, dos picos de calor abrasador, dos primeiros flocos de neve.

um peso morto oculto por debaixo de todas as condições climatéricas. um pedaço irrecuperável.

1 de março de 2007

denial

Poema sobre a recusa

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta

19 de fevereiro de 2007

estou convencida disto

estou convencida disto: que vocês são as melhores pessoas que eu podia ter na minha vida.
que cada vez que eu precisei (e tantas foram as vezes) e de cada vez que não precisei (que tantas foram as vezes), vocês estavam sempre lá. uma corrente invisível que se criava com um simples sinal. um telefonema a uma de nós e uma corrente de apoio invisível se criava entre nós. todas sabemos que isso se passa. todas fingimos que a amiga "precisada" nunca sabe.e eu gosto que isso aconteça.

estou convencida disto: que me injectam sempre a lembrança de quem eu sou quando me esqueço. quando me perco. quando a vida (e as dores de crescimento) me deixa à nora e sem rumo. quando acho que me perdi de mim.

estou convencida disto e de muitas mais coisas indizíveis.

mas hoje precisava de vos dizer isto.

às manas, às meninas, às amigas e aos amigos.

12 de fevereiro de 2007

just shoot me

agora que o dia quase acaba (ainda faltam 49 minutos!) julgo poder dizer que este foi um dia para esquecer...

começou bem... viagem aveiro-lisboa, céu limpo, estrada aberta e música sempre no ar. de repente, um camião que me ia atropelando (será k não viu o meu boguinhas cor de sangue?).

chego dentro do horário previsto. entrada na cidade suave. até aí tudo bem. chego a casa. e o tormento começa. 45 minutos de voltas e voltinhas à volta da freguesia (literalmente). desisto. vou tentar melhor sorte perto do emprego. meia hora depois desisto. volto para casa. meia hora depois (após inúmeros desesperos e muitas coisas com e*s*t*r*e*l*i*n*h*a*s à mistura e termos não aconselhados a menores de 30 anos) consigo estacionar o boguinhas perto de casa. numa subida. chegadinho à frente para tirar a mala.
penso "vou lá acima pôr isto e volto já para estacionar melhor". o relógio a fazer tic tac a avisar-me que estou atrasada atrasada atrasada para ir trabalhar. volto para baixo apenas para descobrir que tenho o carro trancado por outra carrinha (e eu a trancar outra).

desisto. vou trabalhar.

a meio caminho lembro-me que deixei um casaco no banco de trás. à mostra. agora é tarde demais para voltar a trás. vou trabalhar. começo a ficar preocupada com o boguinhas, com a existência do casaco no banco de trás e com o ter deixado a máquina fotográfica na mala (fogo, como é possível ter-me esquecido!!??)

vou para casa. não há tempo para mais nada. analiso os cenários possíveis: boguinhas rebocado pela polícia. bogas assaltado. ou um mar de vizinhos a tentar perceber de onde veio o carro mais original da rua ;)

chego a casa. carro no lugar :D. animo-me. penso "vou estacioná-lo melhor". quando reparo que,novamente, me trancaram o carro. tiro todos os objectos "furtáveis" do carro. deixo-o ficar. não há mais lugares e se o tentasse tirar havia chatice.

penso: " azar acabou". sento-me a ver tv. cansada. aqueço o jantar. queimo um pouco do jantar. espalho um pouco do jantar pela mesa (mas como é que não acerto no prato??). limpo tudo.
lembro-me que me esqueci de sacar a série da moda que reservo para a minha segunda à noite. vou tratar disso (ainda nem está nos 5%... não é hoje que a vejo).

começo a preparar o almoço de amanhã. resultado: esparguete do mais fininho espalhado por todo o chão da cozinha. água a transbordar da panela.

vinte fósforos depois...
almoço de amanhã feito. não mexo em mais nada. afasto-me devagar de tudo o que possa significar um acidente e venho-me deitar.

o que mais me vai acontecer hoje?!

e ainda hoje é segunda... se isto é indicador de como a semana vai ser...
just shoot me and get it over with!

9 de fevereiro de 2007

fun for me

como o fim de semana vai ser a correr.... e como me vai trazer (espero eu) as três coisas que eu quero para os próximos dois dias (fim de semana ;), paz e amizade), aqui tá um som que passa agora no meuPod :D

8 de fevereiro de 2007


(arrepio pela espinha acima. nervoso miudinho. e verde...)

green

um ano de "verdinhas" que faz hoje.
e as biqueiras já estão bem mais gastas, a sola bem menos nítida.
têm já muitas histórias para contar. a começar pela que as trouxe até mim, há um ano atrás.
porque é a cor da esperança. e a cor de mais um dia. hora por hora. o relógio marcas as 24 e daqui a nada recomeça a contagem.
daqui a nada recomeça a coragem.
o caminho está sempre adiante. e as "verdinhas" prontas para ele.

(sabemos tão bem sobre o que isto é...parabéns.)

6 de fevereiro de 2007

coincidências

sempre ouvi dizer que yin e yang se completam...

a punch in the stomach

completamente vergada. sem reacção com esta música.

acho que nunca a tinha realmente ouvido.



accidental babies

i held you like a lover
happy hands
and your elbow in the appropriate place
and we ignored our others' happy plans
for that delicate look upon your face
our bodies moved and hardened
hurting parts of your garden
with no room for a pardon
in a place where no one knows what we have done

do you come
together ever with him?
is he dark enough
enough to see your light?
do you brush your teeth before you kiss?
do you miss my smell?
is he bold enough to take you on?
do you feel like you belong?
does he drive you wild?
or just mildly free?
what about me?

you held me like a lover
sweaty hands
and my foot in the appropriate place
we used cushions to cover happy glands
and the mild issue of our disgrace
our minds pressed and guarded
while our flesh disregarded
the lack of space for the light-hearted
in the boom that beats our drum

and i know i make you cry
i know sometimes you wanna die
but do you really feel alive without me?
if so be free
if not leave him for me
before one of us has
accidental babies
for we are ...

damien rice, 9 crimes

5 de fevereiro de 2007

1 de fevereiro de 2007

no ar




ainda agora me cheirou a ti.

há coisas que não guardei de ti. como encontrar o teu cheiro no que é meu. mas ainda agora me cheirou a ti. não a mel, não a esse sabor. mas ao teu cheiro, ao da tua pele.

a surpresa que foi ter-te reconhecido no ar. mesmo sabendo que não estavas por perto.

(recordo o nosso último encontro e no que ficou por dizer)