23 de outubro de 2010

sinto-me definhar. não fossem estas pequenas alegrias, a lembrança de alguém que chegou de longe, as amizades que se vão firmando e pensaria que estava sozinha. Apesar de estar.

Sei que estou. E que essa é uma opção.

Deixo de me entender. de querer entender-me. de querer falar.

muito álcool no sangue, é esse o problema destas quase seis horas da manhã...

20 de outubro de 2010

hoje

A única resposta

Jantáramos os dois pela primeira vez:
amizade ou amor, pouco interessava
desde que alí estivesses. O meu mundo
ia mudando à medida do teu,
a cada gesto vão da vã conversa
antes que fôssemos pIo Bairro Alto
e enfim o Lumiar, a tua casa.
Eu podia contar uma história, dizer
como aquele rosto atravessava o meu -mas não,
«nada de narrativas, nunca mais».
Apenas a certeza de estar morto
há tanto tempo, que já não me lembro
de cor nenhuma dos teus olhos. Não,
já não existe o dia nem a noite
e este silêncio deve ser talvez
a única resposta. É bem melhor
ficar à espera de que não regresses.



Fernando Pinto do Amaral
in A Escada de Jacob
Assírio & Alvim

22 de agosto de 2010

weight

tenho pedras nos bolsos do casaco. sinto-as, não vale a pena negá-lo. e nem toda a corrida do mundo me fará perder o peso que me faz arrastar os pés...

pequenos ataques cardíacos. arritmias de um coração que bate demasiado devagar.


Discover the playlist invincible with Lilly Wood And The Prick
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23 de julho de 2010

a casa onde regresso mantém-se intacta. reconstruída que foi, tijolo a tijolo, enquanto o bulício do mundo nos mantinha distraídas.

o regresso era já esperado. os planos que deixámos feitos, em cima da mesa, não mudaram de lugar. traçavas então rectas limpas, sem necessidade de ensaio ou hesitação. havia então em nós a bruma da possibilidade e a nostalgia do futuro.

eu tinha mais palavras para dizer. pedaços de corpo que o tempo se encarregou de esquecer. as minhas palavras sempre pesaram na balança. formas exactas, massas pulsantes de sangue.

afastas a hera que cresceu no caminho de acesso à casa. o horizonte tingiu-se de verde, avançou ao alcance de duas mãos abertas.

se estenderes o braço, ainda conseguirás sentir o frio dos tijolos contra a pele

12 de julho de 2010

os nossos olhares cruzam-se por um breve instante e voltas atrás para ver melhor
quase te poderia nomear
mas o reconhecimento de ti é apenas uma memória que não tenho a certeza de estar intacta

os dias não me chegam para te reinventar.

28 de junho de 2010

memórias que irrompem por entre noites, corpos e o rio ali mesmo ao lado. histórias que merecem ser reescritas, revolvidas, revistas à escala apropriada. mesmo que as nossas mãos tenham crescido além do que seria de esperar.

ainda que eu não acredite em segundos encontros...


"Agosto

Rompem de novo aquelas mãos
a membrana da água
a mortalha do mar Cada braçada
agita o coração que pouco a pouco
atravessa o aquário do passado

Relâmpago do corpo - o que procuras
na voragem das ondas?"

in Pena Suspensa, Fernando Pinto do Amaral

14 de abril de 2010

equimoses

o correr da corda pelos dedos: queimaduras de terceiro grau.
mesmo quando a queda era já anunciada. ainda assim... como se prepara o corpo para cair? tenho a certeza de que os bailarinos têm truques para isso. mas nunca pratiquei dança na vida e nunca aprendi a preparar o corpo para as quedas.



23 de fevereiro de 2010

a caminho com a corrente (porque às vezes não é nada mau ir com a corrente...).

a cabeça pede descanso e conforto. o regresso às ruas por onde andava sozinha, inconsequentemente, inconscientemente, a meio da madrugada...

se pudéssemos estar apenas um pouco fora de tempo, em que tempo estaríamos?

24 de dezembro de 2009

X-time

porque este ano passou demasiado depressa e de repente já é Natal (novamente). porque este ano já estive entre dois países, a estudar, a trabalhar. porque este ano está quase a acabar e eu nem me apercebi (e principalmente porque ainda não fiz uma única compra)...

música para entrar no espírito (ou o espírito entrar)

23 de dezembro de 2009



estávamos a jantar e alguém se sentou ao piano que estava quieto a um canto. eu perguntei-te se conhecias a música e se não achavas que talvez pudesse ser debussy... mas a música não passou dos acordes iniciais... logo veio um segurança que pediu para se parar a música. "já viu!?"- perguntava ele indignado -"e se outras pessoas também tocassem? já é tarde. música ao piano só pelo pianista de serviço e só até às 19h!"

sacrilégio! o rapaz do quiosque que se tinha atrevido no teclado, imediatamente repreendido. imediatamente posto no seu lugar. porque o seu lugar, pelos vistos, não era ali ao piano, tocando debussy enquanto jantávamos...

já viste o que perdemos?

18 de dezembro de 2009

dias portugueses

agora que pareço estar oficialmente de volta, que até já tenho um emprego e tudo... os dias tornam-se mais povoados, com cada vez mais palavras. inglês e português embrulham-se na minha cabeça. nomes, nomes e nomes. e eu que sou terrível a decorar nomes... mas enfim... cá ando eu por uma lisboa chuvosa e cinzenta com ares portuenses (agora até parece que vamos ter aviões a fazer piões por cima do teijo!)...

e uma música que me fez sorrir esta manhã...


28 de outubro de 2009

oito anos depois

este blog é o 18.º blog português mais antigo ainda em actividade - ainda que a actividade por estas bandas, nos últimos tempos, não tenha sido muita.

podem ver a lista aqui

28 de agosto de 2009

e se um desconhecido te convidasse para jantar? isso era........ Londres

londres tem-se revelado uma surpresa a vários níveis. uma das experiências mais surreais e mais desarmantes é, sem sombra de dúvidas, ser abordada no meio da rua - e atenção, não estamos a falar em situações do género bairro alto onde anda toda a gente na rua à noite a beber um copo e aquilo se transforma num bar ao ar livre mais que um bairro. não, estamos a falar em ser abordada no meio da rua, em plena luz do dia e ser convidada, por exemplo para jantar. a primeira vez fiquei completamente desarmada.

saia tranquilamente do autocarro perto de casa e, enquanto caminhava em direcção a casa, o rapaz que caminhava ao meu lado começou a falar comigo como se fala com um amigo com quem se caminha. "olá, és muito bonita, ah e tal, és de onde? ah e tal, posso-te pagar o jantar amanhã à noite?" foi um bocado surreal até porque quando ele começou a falar comigo, fê-lo de uma forma tão despreocupada que eu nem percebi que aquilo era comigo.

mas isso já foi há uns meses e eu pensei "pronto, tenho de levar com os maluquinhos até em londres!". isso foi há meses...

a semana passada, estava eu num dia de stress e neura (a combinação bombástica dos últimos tempos) com poucas horas de sono, olheiras até aos joelhos, cara de poucos amigos (vocês já sabem como é), phones nos ouvidos, a ouvir Rodrigo Leão, na minha, a ver as pedras da calçada e à procura de um sítio para almoçar quando vejo um rapaz a dar uma corridinha ao meu lado e a fazer-me sinais. lá veio a minha veia latina ao de cima e pensei "olha que giro, alguém que precisa de direcções, vou ser simpática que também gosto quando são simpáticos comigo". pus o melhor sorriso que pude, tirei os phones e diz-me o moço "olá........ desculpa tar-te a seguir mas........... eu sou o stephen......." e encolheu os ombros. tadinho... sério... fiquei com pena dele porque logo de imediato, a minha cara fechou-se e só lhe disse: sorry, i don't have time for this... e, de repente, o moço que me pareceu tão simpático, tão perdido, como se aquilo fosse a primeira vez que ele fazia aquilo endireitou-se e diz-me muito sério, Yes you do. fiquei indignada. olhei para ele e disse, olha, n é por nada mas tou com pressa, tenho sítios onde estar, pessoas pra ver... i'm not interested (o que eu devia ter dito era, i'm NOT that into you mas essas coisas nunca nos vêem à cabeça quando estamos com a neura).

e lá me fui embora, de novo com o rodrigo, deixando para trás o stephen tristonho e indignado porque o raio da gaja que nunca parece europeia e é sempre confundida com libanesa ou sul-americana (há quem diga que tenho ar de peruana mas eu juro que só faço glugluglu debaixo de água!), o deixou assim... especado perante uma tão espectacular abordagem.

a minha questão é: isto é normal? há gente que realmente arranja relações com este tipo de abordagem? ou há quem acredite que arranja relações com este tipo de abordagem? se calhar é uma coisa cultural e eu não percebo...

mas confesso... passado 5 minutos até fiquei com pena do stephen e com vontade de voltar para trás e dizer-lhe... man, desculpa lá, tiveste um azar do caraças que eu tou com uma neurose poderosa... mas não desistas que o ego feminino fica bem-disposto para o resto do dia com uma abordagem dessas... pode ser que alguém entretanto te dê trela mas eu realmente.... i'm just not that into you...

10 de julho de 2009

working table

como sempre, só consigo ser produtiva madrugada dentro.... devo ter um bug, não sei...

portanto, depois de organizar as minhas leituras todas nesse grande programinha que é o Endnote e de as separar por temas (dentro do possível)... era injusto não vos mostrar a minha mesinha de trabalho (.j., nem parece a mesma mesa onde jantaste no outro dia pois não?).

e sim, a mesa está um caos... mas eu também só me organizo no caos... (ah e os lenços de papel é porque acho que tou com a gripe dos porcos!)

2 de julho de 2009

investigate

pois é... ainda estou em terras lusas, às voltas com a minha investigação. quase me sinto uma CSI mas, em vez de um laboratório, ando pelas bibliotecas das universidades portuguesas. o que é um desafio porque nem todas estão abertas a utilizadores externos (o que eu acho incrível mas enfim...).
e cá tou eu, tentando descobrir como é que os portugueses se relacionam com a Internet e com a política online, como é o capital social português e como enrolar isto tudo num lindo novelo ao qual vou chamar "dissertação". lindo, não é?

o que me consola é que, enquanto Londres é assolada por tempestades de Verão por cá o máximo que há é vento ao estilo el niño. e assim custa-me menos o facto de estar fechada em casa ou numa biblioteca o dia inteiro a cabecear de sono... o que me vale é o ipod a soltar música própria para o estudo e sentimentos mais quentes para que isto se vá escrevendo no meu mini computador (que se habituou agora a ser presença constante na minha mala).

isto de fazer uma dissertação tem muito que se lhe diga...

um novo fôlego e vamos lá... mais dois meses e já está...